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26 de Março de 2014 - 06:00

Juiz-forano integra primeiro time brasileiro a participar do Chicago Improv Festival, um dos grandes festivais de improvisação do mundo

Por RENATA DELAGE

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Time Impro Brasil (Victor Soares, à direita) viaja esta semana para os Estados Unidos
Time Impro Brasil (Victor Soares, à direita) viaja esta semana para os Estados Unidos

Não só o Brasil será pela primeira vez participante do Chicago Improv Festival - um dos maiores festivais de improvisação do mundo, que acontece nos Estados Unidos -, como também Juiz de Fora será representada no evento. O ator Victor Soares integra o time que se formou no Rio de Janeiro e se prepara para fazer o público americano rir com todo o tipo de clichês brasileiros, a partir desta segunda-feira, na 17ª edição do festival. Mais de 50 grupos, de diferentes países, como Suíça, Nova Zelândia, Argentina e Malásia, além dos próprios times da casa, participarão da maratona de apresentações e workshops durante uma semana.

"Somos um time novo, mas acredito que os brasileiros têm algo a mais que os americanos. O improviso deles conta muito com a piada falada, vem do stand-up. O nosso vem do teatro, no qual já existe um trabalho de corpo e de criação de personagem maior", avalia o juiz-forano, 21 anos, que integra o Impro Brasil, ao lado de José Guilherme Vasconcelos (Rio de Janeiro), Michelle Galindo (São Paulo) e Leandro Allves (São Paulo). A equipe conta ainda com a estagiária, também mineira, de Divinópolis, Silvia Soares.

O espetáculo que será apresentado no evento já está montado e, ao contrário do que muitos pensam, há sim bastante treino para obter um bom improviso. "Existe uma técnica que é muito estudada para ser aplicada na hora dos jogos. Nós, por exemplo, seguimos as técnicas de Keith Johnstone (americano, mestre do teatro de improviso). Como o público pede a graça, fazemos graça, mas a improvisação pode trabalhar com gêneros diversos", diz.

A ideia é explorar todos os clichês do brasileiro, país do samba, do futebol, das mulheres bonitas e do jeitinho, segundo o ator. "Vamos reforçar esses estereótipos vindos da plateia, já que tudo do espetáculo é sugerido por ela, o título, o tipo de cena, os objetos que vamos usar." Não bastassem os desafios dos jogos, a jovem equipe terá que improvisar no uso do idioma, pois tudo deve ser falado em inglês. "Todos sabem se virar bem, mas, sem dúvida, é mais um desafio", diz o improvisador, que aprendeu sozinho o idioma e, embora nunca tenha pisado em terras americanas, já foi intérprete em outros festivais no Brasil.

O convite para participar do evento veio da preparadora americana Amy Roeder, treinadora do Second City, maior grupo de improvisação do mundo, que está nos Estados Unidos e no Canadá e já revelou nomes como Steve Carell, Tina Fay e Amy Poehler (vencedora do prêmio de melhor atriz de comédia no Globo de Ouro deste ano, que estará este ano no festival de Chicago). Victor participou do curso ministrado pela preparadora no Campeonato Sul-Americano do Rio, no último ano, e, ao falar sobre seu sonho de conhecer o país norte-americano, foi surpreendido pelo convite. "Ela tem o calor do brasileiro, e seu trabalho é bastante voltado para a escola que já comentei que é a nossa, de trabalho corporal e de personagem", diz.

A primeira excursão do time - que já recebeu convites para se apresentar em outros países - ao exterior não contará com patrocínios. Embora as despesas com alimentação e hospedagem durante o evento fiquem por conta da organização, o transporte será pago pelo grupo. "Buscamos em vários lugares, mas é muito difícil conseguir apoio na área no Brasil. Com isso, ainda não sabemos se poderemos seguir os nossos projetos de viajar com o espetáculo."

 

 

Improvisando substitutos

Um dos maiores ganhos com a experiência internacional, segundo Victor, será a possibilidade de fazer contatos com improvisadores e treinadores de diferentes partes do globo. "Todos os trabalhos que fiz no Rio vieram dos contatos com professores e integrantes de outros grupos", observa. A entrada do juiz-forano - que já atuava na cidade e foi para o Rio de Janeiro se profissionalizar em artes cênicas em 2012 - no universo do improviso se deu na Cia. de Teatro Contemporâneo, polo de improvisação da capital fluminense.

"Já no primeiro período, fui convidado a atuar nos intervalos dos jogos do campeonato de improvisação que organizaram", conta ele, que, desde então, já participou dos campeonatos carioca, brasileiro e sul-americano. "No sul-americano de 2012, na Argentina, fui como estagiário da seleção brasileira de improvisação, que tem como capitão o Ary Aguiar. Como um dos integrantes teve problemas com a documentação na imigração, acabei integrando a equipe." Como disposição para improvisar era o que não faltava, o jovem integrou o time nas apresentações de Buenos Aires e Mendoza.

O contato com Amy Roeder, durante o evento sul-americano no Rio, também se deu com a substituição de um dos membros de um dos times participantes, o Impronautas. Depois do evento, o improvisador montou o grupo Ornitoimpros, com o qual também se apresenta hoje.

Além da improvisação, outros planos na área fazem parte da vida do ator, que se prepara para lançar, ainda no primeiro semestre, a produtora Nada Original, nome que veio do antigo canal da web que abrigava as experimentações do jovem. Estreias no teatro também estão no calendário para 2014, com os espetáculos cariocas "Arlequim servidor de dois patrões", dirigido por Cristiane Muñoz, e "Fados e segredos", de Renata Mafra.

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