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18 de Abril de 2013 - 07:00

Especialistas discutem parâmetros que podem ajudar no gosto pela leitura no Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado hoje

Por RENATA DELAGE

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Não há dúvida de que o prazer proporcionado pela leitura vem quando esta se torna um hábito, que pode - e deve, segundo especialistas - ser incentivado na primeira infância. Ainda que não existam fórmulas, alguns parâmetros e conselhos podem ser determinantes para a formação de novos leitores. A Tribuna ouviu especialistas sobre o assunto na data em que se comemora o aniversário de Monteiro Lobato e Dia Nacional do Livro Infantil.

O contato com os livros pode acontecer independentemente da idade. E o papel dos pais é essencial na adoção da prática. Segundo a psicopedagoga e colunista de educação do portal G1, Ana Cássia Maturano, deve ficar claro que a atividade precisa ter sempre um caráter prazeroso, nunca ser relacionada a um castigo, para que a criança não a entenda como uma punição. "Quanto mais cedo o contato e incentivo com os livros, maiores serão as chances de formar leitores ativos e críticos, o que não quer dizer que, mesmo que tardio, este contato não seja de extrema validade para a vida pessoal e acadêmica", destaca a coordenadora da educação infantil da unidade Centro do Colégio Apogeu, Flávia Cipriani.

Quando muito novos, os filhos precisam da participação ativa dos pais no momento reservado aos livros, que deve acontecer desde os primeiros meses de vida. "São muito válidos os livros específicos para estimulação na hora do banho, assim como os de tecidos e materiais mais resistentes, para que a criança possa manuseá-los à vontade. Livros sonoros, coloridos e que estimulem a percepção sensorial são bastante interessantes na primeira infância, compreendida dos 0 aos 3 anos de idade", sugere a coordenadora, graduada em pedagogia e letras.

Os livros sem texto podem trazer histórias fantásticas, segundo a contadora de histórias e diretora do Contaê Histórias, Cintia Brugiolo. Nesse caso, outros recursos, que não as palavras, farão o pequeno assimilar a obra. "É importante deixar a criança manusear esse livro, passar suas páginas, sentir suas texturas", avalia.

"A ilustração tem papel fundamental nas obras infantis. Quando tenho contato com um livro para crianças, observo imediatamente as ilustrações, não por seus traços técnicos, mas pelo conteúdo e profundidade de sentidos", diz Cintia, que relata respeitar processo semelhante na hora de contar histórias.

 

 

Caminho das letras

Na segunda infância, compreendida dos 3 aos 6 anos de idade, as crianças intuitivamente gostam de manusear os livros e contar histórias, mesmo que estejam em processo de alfabetização, atitude que deve ser valorizada. "Por meio das histórias, podemos promover diversas atividades que estimulem a imaginação, criação e autonomia das crianças, favorecendo seu desenvolvimento cognitivo e emocional", destaca Flávia. Dos 6 aos 8 anos de idade, solidificam-se as bases da aprendizagem formal da leitura e da escrita. "A imagem ainda é algo essencial para essa idade e deve estar presente como ferramenta para ajudá-los a entender o texto", observa a psicopedagoga Ana Cássia.

Conforme Cintia, é preciso lembrar que, adequadas ou não a determinadas fases, as obras não são unânimes. "Se a criança não se interessou por um livro, sugira outro, e outro. O interessante é não desistir. Algumas crianças são mais avançadas e vão querer outras histórias, aventuras, ou vão se interessar primeiro por quadrinhos, tirinhas. Se ela gosta de super-herói, por exemplo, uma boa opção é começar pelas histórias que explorem esses super-heróis", propõe.

Aos 10 anos, surge o estímulo à relação dinâmica entre o verbal e o visual, segundo Ana Cássia. "Dos 10 aos 12, a criança tem maior conhecimento da escrita, e a imagem torna-se dispensável - a adoção de textos mais densos, maiores e com linguagens mais elaboradas, é favorável", completa. A partir de então, pré-adolescentes e adolescentes são capazes de estabelecer um aprofundamento nas leituras, além de conseguir formular reflexões críticas a respeito dos diversos assuntos abordados. Prontos para o mundo dos livros? Não necessariamente.

A professora doutora do Programa de Mestrado em Letras do CES-JF/SMC, Moema Rodrigues Brandão Mendes, é oposta a quaisquer rótulos relativos à idade certa para ter contato com determinadas obras. "Nem sempre a obra tida como a mais conceituada vai ser aquela que agrada", diz. A pesquisadora também acredita que a leitura na escola deve motivar a formação do cidadão, o que não está relacionado ao enfado. "Essa é uma relação complicada, pois, dependendo da orientação, o aluno pode tomar raiva da leitura", ressalta a professora, que durante anos lecionou em escolas, públicas e privadas, nos ensinos médio e fundamental. "Não importa que estejamos no século XXI e exista um apelo intenso das tecnologias. Sou a favor do livro, a favor do recado da leitura. E não há mesmo incentivo melhor que o exemplo", finaliza.

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