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27 de Abril de 2014 - 06:00

Amantes de gastronomia e cinema sugerem receitas inspiradas em filmes, como 'O poderoso chefão' e 'Estômago'

Por MARISA LOURES

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Na Terra Média de "O Senhor dos Anéis", os "lembas", curiosos pães embalados em folhas e dados pelos elfos a Frodo Bolseiro e Samwise Gamgee, servem de sustento aos hobbits em sua jornada a Mordor. Na trilogia, um dos personagens afirma que o quitute de cor parda é mais fortificante que qualquer comida feita por homens. Será? Na vida real, Mariane Lorente e Laura Salaberry publicaram essa e outras receitas de filmes no livro "Cozinha pop", que chegou às prateleiras em janeiro deste ano pela Panda Books.

Motivada pela ideia das autoras, a Tribuna convidou uma das quatro assistentes da chef executiva da rede carioca Gula Gula, Ingrid Borges, a criar um prato inspirado em uma produção cinematográfica, e ela sugere a couve-flor gratinada com gorgonzola e ervas frescas. Estes dois últimos ingredientes são usados no longa "Estômago". Como sobremesa, Mariane e Laura entregam os "cannoli" de "O poderoso chefão".

Para testar o cardápio do livro, as escritoras levantaram 400 referências e contaram com a consultoria da chef Márcia Brandão de Lima, que é quem dá dicas para o preparo dos tubinhos de massa fritos de Peter Clemenza. A iguaria típica da Sicília não foi esquecida por Clemenza nem na hora da exexecução de Paulie, o genro traidor de Vito Corleone. "Deixe a arma, pegue os cannoli", disse o mafioso no filme lançado em 1972. Os ingredientes vão do vinho à cachaça, passando por chocolate amargo e ricota. "O recheio é muito fácil e rápido. Eu diria que o segredo é abrir a massa bem fininha, usar bastante óleo em uma panela não muito rasa e ficar atento à temperatura, para não dourar rápido demais e a massa ficar crua. Finalmente, usar cilindros de inox próprios para fazer cannoli. Eles têm o tamanho adequado para o sucesso da receita", conta Márcia.

O cardápio da obra é bem variado, sendo dividido em café da manhã, almoço, cozinheiro amador e profissional, jantar, tranqueiras, doces e comida do futuro. As 143 páginas incluem strudel de maçã de "Bastardos inglórios", sopa da série "Seinfeld", drinks de "Mad men", até pratos fáceis, como o espaguete com almôndegas, de "A dama e o vagabundo" e os cookies de "Mais estranho que a ficção". A lista engrossa com o "boeuf bourguignon", de "Julie & Julia", a torta de blueberry, de "Um beijo roubado", e a quiche Lorraine, de "Ladrão de casaca". No topo das curiosidades, Mariane destaca a torta "O Earl vai me matar porque estou tendo um caso", do filme "A garçonete". "Quando era uma receita clássica, a Márcia usava a dela, já testada. Quando era algo mais específico, como os lembas de 'O Senhor dos Anéis', buscávamos referências na internet, e ela testava", conta Laura.

 

Democrático e delicioso
Ingrid Borges foi literalmente fisgada pelo "Estômago". Ela assistiu à obra de Marcos Jorge na época em que deixava para trás a profissão de jornalismo, curso realizado na UFJF, para se aventurar na cozinha. A cereja do bolo de sua criação aparece logo nas cenas iniciais: queijo gorgonzola e ervas frescas. "Acho que usar as ervas frescas fazem toda a diferença de sabor e aroma em qualquer prato. Quanto mais você conhece queijos e ervas, mais tem a aprender e tirar desses ingredientes. Juntando as duas coisas, pensei num acompanhamento democrático e delicioso", diz Ingrid, para logo observar a necessidade de se estar atento à textura do molho. Ele deve se assemelhar a um creme.

"Essa dica é importante para que, depois que a couve-flor vá ao forno, fique com a consistência ideal e não com muito líquido ou aquele caldo aguado que se forma e se separa do legume, às vezes. A segunda dica é sobre as ervas. É fundamental que sejam frescas e que se lave bem antes de usar, pois é comum descuido na hora da higienização."

Mariene e Laura precisaram, algumas vezes, abusar da "liberdade culinária" para reproduzir receitas que não aparecem completas nas produções. Era impossível usar barbante azul em uma sopa como fez a protagonista de "O diário de Bridget Jones". No lugar, entra um corante azul e sem risco de intoxicações. No caso de Ingrid, a "licença poética" não teve de ser tão drástica. Raimundo Nonato, personagem de João Miguel, não foi tão longe para mostrar que tem habilidade com comes e bebes. "A decisão pela couve-flor foi pelo fato de ser um legume que combina com queijo e ervas é é muito democrático como acompanhamento. Vai bem com carnes, peixes, carne suína e ave. É uma receita para se ter na manga, tanto para o dia a dia quanto para ocasiões mais especiais."

 

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