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10 de Janeiro de 2014 - 07:00

13ª edição da Campanha de Popularização de Teatro e Dança de Juiz de Fora, que começa hoje, investe em discussões e peças pouco vistas, mas não deixa de fora da programação sucessos de bilheteria

Por MAURO MORAIS

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"Barco sem pescador", do grupo T.O.C.
"Barco sem pescador", do grupo T.O.C.
"Histórias pequeninas", da Cia Girolê, de Barbacena
"Histórias pequeninas", da Cia Girolê, de Barbacena
"Caravana Lúdica", da Caravana de Palhaços com o grupo Lúdica Música!
"Caravana Lúdica", da Caravana de Palhaços com o grupo Lúdica Música!

A valorização das discussões sobre o cenário das artes cênicas local tem sido uma constante. Prova de que a classe tenta sair do lugar atual e alcançar outros postos do fazer artístico. De hoje até 17 de fevereiro, a agenda teatral da cidade estará cheia. Mais uma vez, como já feito no último Festival Nacional de Teatro, não serão apenas os espetáculos que deverão compor a grade de atividades. A 13ª Campanha de Popularização de Teatro e Dança de Juiz de Fora reúne, além das apresentações, oficinas, seminários e discussões sobre as peças. "Desde quando eu participava apenas como produtor de espetáculos pensava na necessidade de incentivar a discussão. Em 2013, a partir da Mostra Apac, que aconteceu em parceria com o festival, percebemos que esse espaço é saudável e pode contribuir para a cena. A crítica é muito importante", comenta Cristiano Fernandes, presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac-JF), que fará a mediação dos debates, realizados às quartas-feiras, até 12 de fevereiro, sempre às 19h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).

Considerados um número recorde, os 42 espetáculos que se dividem nos 36 dias do evento (são seis finais de semana, dois a mais que em 2013), reúnem duas apresentações de dança, dois shows, dez peças infantis e outras 28 adultas. "Temos espaço para tudo", brinca Fernandes, dizendo que os grandes sucessos de bilheteria, como "Mineiros on the beach" - o mais antigo sucesso do TQ -, ocupam de forma igualitária a grade com espetáculos que tiveram temporada curta no ano anterior, como "Barco sem pescador", do grupo T.O.C. Outra alteração se deve à inserção de oito montagens feitas para o Festival de Cenas Curtas. Os pequenos espetáculos, de apenas 15 minutos, retornam aos palcos nos próximos dias 11 e 12. Única exceção dentro do cardápio teatral, a infantil "Joãozinho e Maria", da Isto Cia Teatral, será vista pela primeira vez durante a Campanha.

Oriunda de Belo Horizonte, a Companhia El Abrazo Tango é uma das quatro convidadas da programação, que ainda traz duas montagens de Barbacena - "Sobre lendas e mulheres" e "Histórias pequeninas" -, e a famosa "A vingança de Milonga", de Loló Nevves. "Ela nunca participou da campanha, mas foi a responsável por trazer o evento para Juiz de Fora, quando ainda morava na capital mineira", conta Fernandes, que, em homenagem, convidou a atriz radicada em São Paulo. Segundo ele, a edição de 2014 comprova a maturidade de uma proposta que surgiu para popularizar uma expressão ainda bastante carente na cidade. "Acredito que a campanha se desenvolveu ao longo dos anos. Conseguimos reconquistar alguns artistas que estavam distantes e equilibrar os espetáculos quanto a linguagens e formatos. Temos autores clássicos, como o Alejandro Casona, e também o trabalho dos palhaços, além de montagens mais experimentais", aponta o presidente da Apac.

Contudo, a proposta de popularizar sofre, esse ano, com o aumento dos preços. De acordo com Fernandes, há três anos era praticado o valor de R$ 6 e, como alguns produtores optam por alugar palcos da cidade, tornou-se necessário fazer a correção. Na 13ª edição, existem três valores diferenciados, de R$ 8 (um acréscimo de cerca de 30% em relação a 2013), R$ 10 e R$ 12. Na portaria dos teatros, o valor será maior do que o praticado no trailer. "Não acredito que o aumento deva impactar. Já tenho sentido muita receptividade do público", comenta ele, que desde o dia 6 bate o ponto no trailer localizado no Parque Halfeld, de segunda a sexta e aos domingos, das 10h às 19h, aos sábados, das 10h às 19h.

 

Ainda falta pesquisa

Marcos Marinho, diretor e ator teatral, participa da campanha com seu palhaço Zé Boléo na Caravana Lúdica (encontro da trupe Caravana de Palhaços com o grupo Lúdica Música!). Coordenando, ao lado da bailarina e pesquisadora em dança Raísa Ralola, o seminário "Os rumos do teatro e da dança em JF", Marinho acredita que a cena teatral da cidade hoje é complexa. "Juiz de Fora parece ser muito autodidata para tudo. Ao mesmo tempo em que subimos alguns degraus, descemos outros. É difícil vislumbrar um rumo seguro, pois as coisas aparecem e desaparecem com muita velocidade em todas as áreas, não apenas na cultura." De acordo com ele, o seminário deverá abordar um pouco da história da expressão local ao longo das últimas três décadas, o que permite, em diálogo com o público, analisar o presente, considerando as ofertas e as demandas.

"O momento atual, não só aqui mas no resto do país, é de predominância do teatro de entretenimento, que não se aprofunda em temas relevantes para a sociedade e não se preocupa em ter uma linguagem de pesquisa. É esse teatro que conquista com mais facilidade o público e os patrocinadores. Sinto muita falta de variedades de estilos e propostas", comenta Marinho. Segundo Cristiano Fernandes, ainda falta um caminho longo a percorrer, mas isso não quer dizer que o panorama hoje seja desanimador. "Vejo o teatro feito atualmente em Juiz de Fora com muito bons olhos. Ainda precisamos de formação acadêmica, mas a formação livre tem sido uma boa saída. Temos diretores, autores, atores e produtores muito competentes, respeitados aqui e fora da cidade", afirma.

Voltada para agentes do teatro, a oficina "Decodificação da cena teatral", ministrada pela atriz, produtora e pesquisadora Cintia Brugiolo, soma-se às ofertas de formação livre, reforçando a necessidade de se pensar na expressão como um conjunto de elementos, do cenário à maquiagem, passando por figurino, iluminação, sonoplastia, texto e outras noções. Já na oficina "Flutuando na dramaturgia do ator", as pesquisadoras Renata Rodrigues e Gabriela Machado dividem com o público um pouco do que aprenderam durante o projeto homônimo, desenvolvido em 2013.

Completando a programação, o artista plástico Yure Mendes lança mão dos personagens clássicos da commedia dell'arte na exposição em cartaz no CCBM, "Dois patrões para um arlequim". A abertura será feita após o cortejo dos artistas, nesta sexta, às 18h, com saída do Parque Halfeld, rumo ao centro cultural, onde o grupo de tambor mineiro Ingoma apresenta o show "Os tambores das Minas Gerais", às 19h.

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