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13 de Julho de 2014 - 07:00

Orquestra Barroca abre o 25º Festival de Música Antiga, interpretando sinfonias de Beethoven e Mozart no Central

Por MARISA LOURES Repórter

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Orquestra Barroca grava o 15º CD
Orquestra Barroca grava o 15º CD
O cravista holandês Jacques Ogg é destaque do festival
O cravista holandês Jacques Ogg é destaque do festival
Renata Cubala integra Orquestra Barroca
Renata Cubala integra Orquestra Barroca

O que se ouvirá nesta segunda-feira, às 20h30, no Cine-Theatro Central, fará o espectador retornar, pelo menos, 200 anos na linha do tempo, época em que Ludwig van Beethoven arrancou do público e da crítica elogios a sua arte. "É a primeira vez que a sinfonia de Beethoven está sendo executada com instrumentos de época no Brasil. Na Europa, isso é algo, não corriqueiro, mas já conhecido do público. Costumamos achar que só a música barroca deve ser tocada com esse tipo de instrumento, mas descobrimos, com as pesquisas, que as peças de Beethoven foram tocadas de uma maneira muito diferente. O resgate dessa sonoridade é um desafio. É inédito até para nós, mesmo com 14 discos gravados. Ainda não tínhamos ido tão longe na cronologia", comenta Luís Otávio Santos, regente da Orquestra Barroca do Festival, que, na última quarta-feira, fez uma pausa no ensaio das gravações do 15º CD para conversar com a imprensa sobre a imponente comemoração.

Amanhã, quando os primeiros acordes soarem, será dada a largada para os 25 anos do Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, que reunirá, até 27 de julho, atrações nacionais e internacionais em vários pontos da cidade com entrada gratuita. Apoiado pela Petrobras, o evento ainda contará com recitais no Parque Halfeld.

A noite de abertura da temporada de 2014 começa revisitando a "Sinfonia n. 40 em sol menor, KV 550", de Wolfgang Amadeus Mozart. "Costumo dizer que é um repertório para gente grande." A história está aí para provar que a relação entre o compositor austríaco e o alemão Beethoven, pérola guardada para a segunda parte da apresentação, quando será executada a "Sinfonia n.1 em dó maior, op.21", vem de longa data. Possuidor de um talento precocemente reconhecido, Beethoven chegou a ser visto por alguns como "o novo Mozart". As primeiras peças foram compostas ainda na infância, aos 11 anos.

 

Intercâmbio entre culturas

Durante 14 dias, não existem diferenças culturais. Unidos pela música, estarão representantes de várias nações. Só na Orquestra Barroca, são 40, número recorde na formação, que se faz e se desfaz a cada 12 meses. "Antes eram 29 ou 30 integrantes. A Orquestra encolhe e estica conforme o repertório. Beethoven exige isso. Não é precariedade", enfatiza o regente e também diretor artístico do evento, destacando que as sementes do grupo estão lá na primeira edição, há mais de duas décadas, embora ainda em fase embrionária. "Os dez anos iniciais foram uma espécie de alicerce. Fazíamos muita música de câmara. Três ou quatro edições antes do primeiro CD já fazíamos apresentações. É um trabalho muito amadurecido", ressalta.

Para explicar a sintonia que ocorre diante dos nossos olhos, Luís Otávio recorre à palavra intimidade. Segundo o maestro, em meio ao gênero erudito, é comum "em poucos dias" criar uma rápida familiaridade. Os músicos recebem as partituras com antecedência, mas o encontro entre eles só ocorre uma semana antes do concerto. "Isso faz parte da dinâmica", diz o maestro que, algumas vezes, para ser entendido por seus discípulos, precisa repetir uma instrução ou outra na língua inglesa.

Renata Cubala já tocava violino moderno, mas foi apresentada à versão barroca do instrumento durante o Festival de Música Antiga. "Tudo isso aqui é o sonho de uma brasileira morando no exterior. Revemos o país e os amigos e reciclamos o conhecimento", sentencia a jovem brasileira radicada na Noruega. "Os músicos brasileiros são admiráveis e têm muito mais entusiasmo para tocar esse tipo de repertório", opina a violinista francesa Sandrine Dupé, sendo logo apoiada pelo companheiro de pátria Georges Barthel. "Toquei várias vezes esse programa, mas cada regente tem suas ideias sobre ele. Acho muito interessante executá-lo de uma forma diferente", diz o flautista.

Veterana da Orquestra, Raquel Aranha, de São Paulo, fala como quem sabe que o momento é de colher os frutos de um trabalho que evolui. "Estamos todos coerentes com aquilo que estudamos, com o que nos propomos. É aqui que a gente se concretiza. O repertório foi ficando cada vez mais extenso e diversificado", conta ela, presente, com seu violino, em todas as gravações da Barroca.

Levando-se em consideração de que a preferência da massa passa pelo pop, a carência de oportunidades dedicadas à música antiga (e não a falta de interesse do espectador) é apontada pelo diretor artístico como a real responsável pelo distanciamento entre plateia e composição erudita. "Existe uma ideia pré-concebida de que a música clássica está longe das pessoas. O festival promove esta popularização, esta disseminação abrangente", assevera Luís Otávio, apoiando-se em informações que comprovam o êxito da iniciativa, referência no panorama mundial por ser a precursora no resgate do gênero. "As casas estão sempre cheias, e o público está sempre entusiasmado. Esse tipo de música está mais próximo do que a gente imagina."

O festival coloca a música antiga em condição de protagonista, contudo, revela uma realidade cruel até mesmo para quem atua na área. "Aqui, no país, você é obrigado a trabalhar com instrumentos convencionais e se dedicar, se gosta, a instrumentos antigos e de época e à filosofia que está por trás disso. No Brasil não existe uma orquestra estável que desenvolve um trabalho contínuo com a música erudita. A Orquestra Barroca tem uma qualidade muito boa. Tudo se une para que isso aconteça. Tem o apoio financeiro e uma pessoa para administrar", afirma Fábio Chamma, integrante da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, na qual ele toca violino moderno.

 

Mais perto do espectador

   Levando-se em consideração de que a preferência da massa passa pelo pop, a carência de oportunidades dedicadas à música antiga (e não a falta de interesse do espectador) é apontada pelo diretor artístico como a real responsável pelo distanciamento entre plateia e composição erudita.  "Existe uma ideia pré-concebida de que a música clássica está longe das pessoas. O festival promove esta popularização, esta disseminação abrangente", assevera Luís Otávio, apoiando-se em informações que comprovam o êxito da iniciativa, referência no panorama mundial por ser a precursora no resgate do gênero. "As casas estão sempre cheias, e o público está sempre entusiasmado. Esse tipo de música está mais próximo do que a gente imagina."

  O festival coloca a música antiga em condição de protagonista, contudo, revela uma realidade cruel até mesmo para quem atua na área. "Aqui, no país, você é obrigado a trabalhar com instrumentos convencionais e se dedicar, se gosta, a instrumentos antigos e de época e à filosofia que está por trás disso. No Brasil não existe uma orquestra estável que desenvolve um trabalho contínuo com a música erudita. A Orquestra Barroca tem uma qualidade muito boa. Tudo se une para que isso aconteça. Tem o apoio financeiro e uma pessoa para administrar", afirma Fábio Chamma, integrante da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, na qual ele toca violino moderno. 

Programação internacional

Um dos principais nomes da 25ª edição, o holandês Jacques Ogg fará um recital dedicado a Phillip Emmanuel Bach, no dia 16, na Igreja do Rosário, no Granbery. A programação no mesmo local segue com outro peso-pesado do gênero erudito. No dia 17, o destaque é Helsinki Baroque, cujas produções de óperas de Haendel e Haydn têm reputação internacional. Também estão entre as atrações mais marcantes deste ano o Quinteto Villa-Lobos (dia 15), o Duo Sá de Percussão (dia 18), a Camerata Assis Brasil (dia 19), Orquestra Petrobras Sinfônica (dia 20), Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (dia 27) e Banda de Concerto da Faetec Nilópolis (dia 22). As apresentações ao ar livre serão realizadas no Parque Halfed no horário da tarde. Já os concertos vespertinos acontecem no Museu de Arte Murilo Mendes e no Pró-Música.

Para conferir os grupos que subirão ao palco em locais fechados, é necessário retirar o ingresso no Pró-Música, no dia de cada apresentação, a partir das 8h. Antes de cada recital, às 19h30, o professor da UFJF Rodolfo Valverde comandará os comentários didáticos. Na Galeria Renato de Almeida, do Pró-Música, o arquiteto e artista gráfico Jorge Arbach expõe a mostra "O fato gráfico", composta por ilustrações publicadas por ele em jornais em que o tema é a música. A cidade também abriga a 10ª edição do Encontro de Musicologia Histórica, de 18 a 20 de julho. Ainda estão previstos o lançamento dos livros "Anais do 9º Encontro de Musicologia Histórica" (dia 20) e "Pró-Música 40 anos - Milhares nos palcos, milhões na plateia" (dia 27), que comemora o quadragésimo aniversário da instituição juiz-forana. Programação completa no site do Pró-Música (www.promusica.org.br).

 

ORQUESTRA BARROCA DO FESTIVAL

Amanhã, às 20h30

Cine-Theatro Central

Ingressos distribuídos no Pró-Música, no dia de cada concerto

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