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25 de Janeiro de 2014 - 07:00

Com a maioria das quadras interditadas, escolas ensaiam em espaços alternativos para não prejudicar o desfile

Por BÁRBARA RIOLINO

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Real Grandeza ensaia em frente à quadra da escola
Real Grandeza ensaia em frente à quadra da escola

De longe, o cenário era para ser de cores e alegria, mas, de perto, a realidade não é bem assim. Diante da interdição de mais da metade das quadras de escolas de samba de Juiz de Fora, as agremiações têm se desdobrado para angariar recursos - além dos fornecidos pela Prefeitura - para não prejudicar o tradicional desfile de carnaval, que, neste ano, acontece nos dias 22 e 23 de fevereiro, uma semana antes da data oficial, como parte integrante do Corredor da Folia. Sem o espaço físico para comportar a bateria, componentes das escolas e público, os presidentes têm buscado alternativas para dar início, ou continuidade, aos ensaios e fazer bonito na passarela do samba.

Em 2014, desfilariam, ao todo, 13 escolas, divididas entre os grupo A, B e C. Desde que o processo de vistorias em casas noturnas e locais de eventos começou na cidade, em fevereiro de 2013, pelo Corpo de Bombeiros e pela Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), a escola do Grupo A, Mocidade Independente do Progresso, optou por não colocar suas alas e seus carros na avenida. "A escola nos comunicou a decisão, o que a fez ser rebaixada para o Grupo B", comenta o diretor de comunicação da Liga Independente das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf), Fernando Luiz Baldioti.

Das cinco agremiações que compõem a elite do carnaval juiz-forano, apenas a Unidos do Ladeira e a Turunas do Riachuelo estão em conformidade com as exigências. As demais precisam utilizar ruas próximas às quadras, ou espaços cedidos por terceiros, para a realização de ensaios. A Juventude Imperial é uma delas e vem se reunindo no Centro Social do Furtado de Menezes, próximo à sede da escola. "É uma alternativa, mas nos limita a realizar promoção de eventos para obter recursos. Além disso, há um dano muito maior, que é a perda da referência da comunidade e dos foliões perante a escola", explica o carnavalesco da Juventude, Fernando Valério.

A Real Grandeza, que teve seu projeto de segurança aprovado pelo Corpo de Bombeiros há uma semana, deve iniciar as obras de adequação após o carnaval, em março. Enquanto isso, ensaia em frente à quadra, no reduto da escola, próximo à Avenida Brasil, na região do Bairro Costa Carvalho. Para o presidente da Real, Luiz Carlos Masson, esta é a pior situação em que a agremiação já se viu inserida. "Vivemos exclusivamente de recursos obtidos pela quadra, como festas e eventos em que alugamos o espaço. Porém a casa está fechada, e, para balancear as contas, teremos que dispor de dinheiro do próprio bolso, o que equivale a quase metade da quantia que recebemos da Prefeitura", comenta. Segundo ele, para manter as alegorias e a confecção de fantasias, a diretoria precisou alugar um galpão. "Espero que isso não prejudique nosso desfile. Vamos fazer um carnaval muito bonito, como sempre."

A Mocidade Alegre, por possuir apenas o terreno onde será erguida a quadra, aproveita o local para realizar seus ensaios, na esquina entre as ruas Rita Monteiro e Heitor Soares de Almeida, no Bairro Santa Cecília. De acordo com o presidente Marcus Tadeu, os ensaios começam na tarde do próximo domingo (ver quadro).

  

Parceria é a solução

No Grupo B, a amizade entre as escolas é a ferramenta utilizada para gerenciar os momentos de crise. Com a quadra interditada, a Acadêmicos do Manoel Honório tem feito seus ensaios na quadra da Unidos do Ladeira. "Somos de grupos diferentes, e um acaba não atrapalhando o outro. Temos uma relação de parceria e, conforme acontece em todos os anos, o Ladeira empresta parte de sua bateria para nós. É parceria mesmo", conta o vice-presidente da Acadêmicos, José Carlos Magalhães Faria.

Tendo seu reduto na Zona Norte, a Rivais da Primavera, que também está com a quadra interditada, está fazendo o possível para desfilar neste carnaval. "A gente fica em cima do muro, pois sabemos que não está certo funcionar em um local que oferece riscos, mas, por outro lado, como ficam os nossos preparativos? O dinheiro é curto. A verba que vinha da quadra, quando a alugávamos para bailes e outros eventos, nos ajudava, agora nem isso temos mais", desabafa o presidente da Rivais, Wilson Vicente de Souza.

Entre as seis que compõem o grupo B, apenas a Partido Alto está com a quadra liberada para realizar os ensaios. No Grupo C, representado pela Vale do Paraibuna, que também está com a quadra interditada, o presidente Valtencir Feliciano Ribeiro viu a possibilidade de realizar eventos fora da comunidade para angariar recursos para o carnaval, como o festival de chope no Tupynambás, que aconteceu sábado passado. "A interdição, sem dúvidas, já prejudicou todas as escolas. As fantasias, por exemplo, estão armazenadas nas casas de integrantes que as comercializa. Para bancar a confecção delas, o dinheiro também já saiu do bolso da diretoria", disse. Os ensaios serão realizados, a partir do dia 26, no campo de futebol que fica na rua da quadra.

O diretor de comunicação da Liga, Fernando Luiz Baldioti, reitera que o carnaval de 2014 de Juiz de Fora não perderá seu brilho diante destes problemas. "A Liga acredita que teremos um belo carnaval. Na última reunião com as escolas, elas se comprometeram a aplicar um plano B para completar o subsídio concedido pela Prefeitura. O sambista é guerreiro. Apanha, cai e levanta. Há muitas pessoas envolvidas neste meio e acabam se solidarizando e entendendo a situação em que as escolas se encontram", afirma.

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