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27 de Abril de 2014 - 06:00

Musical carioca aproxima o público infantil do samba, com obras de Chico Buarque e Cartola

Por RENATA DELAGE

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Patricia Costa, Édio Nunes, Ana Velloso e Milton Filho em cena do musical
Patricia Costa, Édio Nunes, Ana Velloso e Milton Filho em cena do musical

Quando pequena, Ana Velloso trocava qualquer brincadeira para se juntar aos adultos nas noites de roda de violão. "Era louca por aquilo, fazia de tudo para ficar até tarde ouvindo aquelas músicas, mas logo me levavam para dormir. Meu pai tocava violão, meu avô era fanático por Clara Nunes. Era uma época muita rica, de Chico Buarque, Caetano Veloso", lembra a atriz e autora do musical infantil "Sambinha", que chega a Juiz de Fora, neste domingo, no Cine-Theatro Central.

"Sambinha", trazido pela Misailidis Produções, apresenta ao público infantil repertório de sambas de compositores que fizeram história no gênero. Costuram a trama 16 obras de autores de diferentes épocas e estilos, como Donga ("Pelo telefone"), Tom Jobim ("Samba da Maria Luiza"), Caetano ("Lua de São Jorge"), Cartola ("Alvorada"), Toquinho e Vinicius ("Morena flor") e Chico Buarque ("Feijoada completa").

Em turnê pelo prêmio Myriam Muniz, o espetáculo carioca - que estreou em 2013 no Teatro Oi Futuro Ipanema - também está indicado a quatro categorias (texto, direção, música e cenário) do prêmio Zilka Sallaberry, cujos vencedores serão conhecidos no próximo dia 29.

Trabalhando com musicais há vários anos, Ana ressalta que suas opções sempre estiveram voltadas à música brasileira. Mas foi quando ela e suas sócias (da Lúdico Produções Artísticas) começaram a vivenciar o universo das produções infantis com os filhos que notaram as lacunas de musicais infantis com temáticas genuinamente brasileiras. "Como reclamar que estamos perdendo nossa identidade musical e cultural quando não se possibilita desde pequenininho esse acesso?", levanta a atriz.

"É importante que nós artistas nos empenhemos em preencher essa lacuna. Porque é impressionante observar como, mesmo aquelas crianças que talvez não tenham uma cultura familiar de música brasileira, logo se identificam com o repertório, porque é nosso. Quando chega até elas, encanta", conta a autora, destacando que são poucos os que ainda resistem em reconhecer o samba como um ícone da cultura nacional. "Na Zona Sul do Rio de Janeiro o samba é cult, está 'na moda', o público comparece em grande número a casas de samba e choro. Em Ipanema e Copacabana, notamos como a plateia é familiarizada, canta junto. Mas a recepção também foi excelente em outras regiões", diz.

Circulando pelas unidades do Sesc Rio, além da Zona Sul, o grupo esteve na Zona Norte e na Baixada Fluminense. "Em uma das apresentações, em uma escola rural de Teresópolis, a reação dos 700 alunos que nos assistiram em uma quadra nos chamou a atenção. Eles ficaram quietos, prestando atenção, cantando os refrões. Só tivemos boas experiências com esse projeto", avalia Ana.

 

 

Afinidade musical

A história contada em "Sambinha" surgiu justamente para alinhavar os sambas escolhidos. O enredo traz à cena o encontro casual de Maria Luiza, uma menina da Zona Sul do Rio de Janeiro, com Junior, um garoto da favela carioca. Os personagens se encantam um pelo outro e trocam experiências a partir da realidade de cada um. O musical propõe mostrar os diferentes universos, o morro e o asfalto, de uma forma poética e musical, tendo sempre o samba como inspiração.

"Existe essa polêmica de que um espetáculo só seria um musical se as músicas tiverem sido compostas especialmente para ele. Nós não pensamos dessa forma. Na nossa concepção, todo espetáculo que traz os atores em cena cantando e no qual essa música contribui com a dramaturgia é um musical", opina Ana, que conta com equipe com a qual já havia trabalhado anteriormente. "Eles se identificaram na hora com o projeto, e logo conseguimos o patrocínio da Oi. Desde a estreia, não paramos de nos apresentar."

Na equipe artística estão o diretor Sergio Modena ("As mimosas da Praça Tiradentes" e "A revista do ano - O Olimpo Carioca"), o diretor musical Ricardo Rente ("Clara Nunes - Brasil mestiço" e "Caymmi - O bem do mar"), o iluminador Aurélio de Simoni e os atores Patricia Costa, Vera Novello, Édio Nunes e Milton Filho. O trio de instrumentistas conta com André Rente (violão), Felipe Pedro (cavaquinho) e Firmino (percussão).

Além de agradar aos pequenos, o musical é boa opção para os pais, que, segundo a atriz e autora, conhecem todo o repertório apresentado. "É muito chato quando a criança curte o espetáculo e os pais não. Nesse sentido, contamos com uma adesão muito bacana das famílias", comenta. O grupo já está na fase final de ensaios para a estreia do segundo musical da série, "Bossa novinha - A festa do pijama", que estreia no dia 3 de maio, no Rio. Para finalizar a trilogia, a equipe levará ainda aos palcos "Forró miudinho".

 

SAMBINHA

 

Hoje, às 17h

 

Cine-Theatro Central

(3215-1400)

 

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