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30 de Maio de 2014 - 06:00

'Comi uma galinha e tô pagando o pato' é atração deste sábado na última semana do 2º Festival de Gargalhadas

Por JÚLIO BLACK

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Carlos Nunes é o desempregado que vai para a prisão por roubar uma galinha para ter o que comer
Carlos Nunes é o desempregado que vai para a prisão por roubar uma galinha para ter o que comer

Corrigida em 30/05/14 às 15h41

Zé Antônio é um humilde desempregado que acaba na prisão após roubar a galinha de estimação da filha de um deputado, e o "distinto" parlamentar ainda se aproveita da situação para propor que a galinácea se torne sagrada no Brasil, assim como as vaquinhas são idolatradas na Índia. O absurdo da situação é o ponto de partida do espetáculo "Comi uma galinha e tô pagando o pato", uma das atrações da última semana do 2º Festival de Gargalhadas e que será apresentada pela primeira vez na cidade nesta sexta-feira, às 21h, no Teatro Pró-Música.

Autor do texto ao lado de Nazir Malaheb (falecido ano passado), em 2009, Carlos Nunes participa da montagem como ator desde a primeira apresentação, sendo acompanhado a partir de 2013 por André Maurício, após mais de cem apresentações. Um dos motivos para o sucesso, segundo ele, é a renovação constante do texto, sempre mantendo como tema central a diferença de pesos utilizada pela Justiça para aplicar a lei contra os pobres e aqueles que possuem o poder. Atrás das grades, Zé Antônio discute com seu advogado as razões que justificariam sua permanência na cadeia, mesmo que tenha roubado a penosa por estar desempregado, precisando aplacar a fome, enquanto tantos outros crimes mais graves seguem impunes, com os acusados curtindo a liberdade que ele não mais possui.

Se o elemento principal da peça - a diferença de tratamento entre ricos e pobres - não muda, mostrar as demais patifarias da vez continua sendo regra. "As pessoas assistem ao espetáculo mais de uma vez até porque buscamos renovar a trama com base em fatos reais. Há um site que relata esses casos, inclusive muitos deles sobre roubos e furtos de galinhas. O Supremo Tribunal Federal julgou, há pouco tempo, o furto de um galo e uma galinha. Acabamos, com isso, esquecendo dos políticos", diz ele.

Para o ator, é preciso ter o compromisso com o riso sem se esquecer da conscientização, mas com equilíbrio. "Falo de coisas sérias, mas com deboche, sem ficar pesado demais. Com o Zé Antônio, falo mal de tudo, da saúde, da educação, dos políticos, mas com muitas piadas e a partir de situações cotidianas, como usar um tiroteio para ensinar matemática", antecipa.

Carlos Nunes acrescenta que os políticos de hoje também são melhores fontes de piadas que os de antigamente. "Eles perderam a vergonha, aparecem na TV e falam que são inocentes mesmo que a culpa seja evidente, com todos esses escândalos. Cheguei a ficar um ano sem encenar a peça por causa das coisas ruins da política, mas parei de querer transformar o mundo. Agora, quero apenas divertir as pessoas com essas situações e ajudar, assim, na conscientização."

Além da peça de hoje, Carlos permanece em Juiz de Fora até domingo - último dia do festival - para atuar em "Como sobreviver em festas e recepções com buffet escasso", às 18h.

 

COMI UMA GALINHA E TÔ PAGANDO O PATO

 

Amanhã (sábado), às 21h

 

Teatro Pró-Música

(Avenida Rio Branco 2.329)

 

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