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07 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Cúpula da Catedral recebe novas pinturas, que devem ficar prontas até julho

Por RENATA DELAGE

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Imagens originais estão sendo feitas pelo artista plástico Roberto José Pereira, de Pouso Alegre
Imagens originais estão sendo feitas pelo artista plástico Roberto José Pereira, de Pouso Alegre
Cúpula com a primeira pintura recém-finalizada, que retrata a chegada de Santo Antônio ao céu
Cúpula com a primeira pintura recém-finalizada, que retrata a chegada de Santo Antônio ao céu

Amparado por anjos, Santo Antônio é gentilmente acolhido no céu. A primeira das quatro novas imagens que se destacarão na cúpula da Catedral Metropolina de Juiz de Fora já está concluída, em sua mescla entre tons fortes e suaves. A perfeição das proporções remete ao estilo clássico, enquanto as expressões graves nos rostos retratados, as luzes e a movimentação dos corpos trazem algo de outras escolas. Por anos pintada em azul, a cúpula, situada na interseção da cruz que dá forma à igreja, recebe, desde agosto de 2013, as novas imagens pelas mãos do artista plástico Roberto José Pereira.

Mineiro de Pouso Alegre, o artista se dedica há mais de dez anos exclusivamente à arte sacra, embora já tivesse contato com a área anteriormente. Iniciando os estudos aos 12 anos, Pereira transitou por áreas diversas e teve como mestres artistas especialistas em diferentes estilos. "Ter contato com linhas distintas amplia a sua visão. Dificilmente, quando se está fazendo arte, você idealiza de imediato aquilo a que quer se dedicar. A vida vai nos levando por determinados caminhos até escolhermos o que seguir", reflete.

Em suas rápidas visitas a Juiz de Fora, o artista conta que sempre, ao passar em frente à Catedral, tinha vontade de entrar e disponibilizar seus serviços, para o caso de o templo ser restaurado algum dia. "Mas nunca cheguei a entrar. Foi uma surpresa muito agradável quando recebi o convite. Ser convidado por ter seu trabalho reconhecido é ainda mais gratificante", avalia.

Aos 49 anos, Pereira assinou trabalhos em mais de dez igrejas, em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A que abriga a maior quantidade de obras do artista plástico é a igreja principal da Administração Apostólica de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Outros dos trabalhos mais expressivos foram realizados na cúpula da Igreja de São Fidélis, na cidade que leva o mesmo nome, também no Rio de Janeiro. O grande templo, construído há mais de 150 anos, é tombado e, segundo o artista, precisou passar por uma restauração severa em função dos danos, trabalho que exigiu dedicação integral.

Dos trabalhos anteriores, surgiu a indicação de seu nome ao arcebispo metropolitano dom Gil Antônio Moreira. "Roberto Pereira é um dos melhores pintores sacros do Brasil atualmente, na linha da pintura clássica. Conheci várias obras dele no estado do Rio de Janeiro e vi fotos de trabalhos importantes em outros lugares de Minas Gerais. Penso que ele tem um futuro promissor, pois sua obra é apreciada por muitos bispos e sacerdotes por este Brasil afora", diz o arcebispo. Segundo dom Gil, antes de escolher Pereira, várias outras opções no Brasil e até na Itália foram procuradas. "A Catedral de Juiz de Fora merece algo de elevado nível, de gosto artístico e espiritual", observa.

Para Pereira, ainda que não haja qualquer obrigatoriedade de o artista acreditar naquilo que cria, seria contraditório dedicar-se à arte sacra sem ter fé. "Quando comecei na arte sacra, fazia tais trabalhos porque queria engrandecer a casa de Deus, e é assim até hoje. Podemos dar o nosso melhor, e ainda será pouco", acredita. Os trabalhos devem ser concluídos, segundo as previsões do pintor, em julho deste ano.

 

 

 

 

Novos temas na cúpula

A escolha dos novos temas também foi feita por dom Gil. "Depois de vários estudos e troca de ideias com algumas pessoas capazes de dar opinião sobre a obra, optei por dividir o espaço da cúpula em quatro campos, para receber cenas da vida de Santo Antônio, padroeiro da Catedral, da cidade, da arquidiocese e do seminário, e uma cena da vida de Nossa Senhora", diz.

Com isso, estão sendo retratados, no campo frontal, a "Glória de Santo Antônio", a sua entrada alegórica no céu; no campo da esquerda, o "Milagre dos peixes", relacionado à liturgia da Palavra; no campo da esquerda, o "Milagre do burro", que se ajoelha diante da Custódia, relacionado à Eucaristia; e no outro campo, a "Assunção de Maria Santíssima no Céu", dogma pronunciado em 1950, em Roma, com a presença de dom Justino José de Santana, por se relacionar também ao ano da inauguração da Catedral.

A partir da escolha, o artista plástico Roberto José Pereira se dedicou às pesquisas dos temas para criar as cenas. Como apenas a volumetria externa da Catedral é tombada, não há restrições quanto às modificações em seu interior. "Não copio nenhuma das imagens que retrato, são todas feitas a partir da minha própria percepção e criatividade. Com isso, tais imagens só vão poder ser vistas aqui", destaca.

As colunas da cúpula e seus capitéis (parte superior da coluna) também já estão sendo restaurados, a partir de um processo chamado douração. "Elas já eram douradas, mas o metal usado anteriormente foi escurecendo com o passar do tempo. Com esse processo, elas nunca vão escurecer", diz o artista, ressaltando também que, com as tintas utilizadas atualmente, as imagens estarão em bom estado em até cem anos, se preservadas em condições ideais.

As novas pinturas substituirão o azul, que, por anos, cobriu imagens feitas pelo mesmo artista que assina as demais pinturas da igreja. Segundo a assessoria, não se sabe quem foi o autor das obras. O único registro é a própria assinatura do pintor em uma das paredes da Catedral, R. Dominguez, datada de 1956.

"A pintura anterior tinha cenas de Santo Antônio e de Nossa Senhora e uma referência à posse de dom Justino, primeiro bispo. Nossa primeira opção foi recuperar aquelas pinturas. Procuramos fotos e encontramos apenas uma em estado ruim de visualização. Mesmo assim, após adquirirmos o tablado de suporte dos andaimes para a cúpula, tentamos verificar a possibilidade de recuperação daquelas pinturas, mas chegamos à conclusão de que seria impossível, visto que o que restara era mínimo", relata dom Gil, destacando que a pintura parece ter sido apagada com a utilização de escova de aço.

"Não sabemos bem a razão deste fato, pois não houve, até o momento, ninguém que pudesse explicá-lo. As pessoas que se lembram das tais pinturas são poucas e apenas dizem que houve muita infiltração no local, o que causou grandes danos à pintura. Parece que tal pintura teve pouca duração, pois a Catedral foi inaugurada em 1950, recebeu pinturas artísticas entre 1957 e 1960, e, na década de 1960, a cúpula, pelo que parece, já estava pintada de azul."

 

 

Restauração da igreja

A Catedral passa por reformas desde 2002. O primeiro passo foi otimizar o uso do prédio administrativo do templo, com a construção de mais de 40 salas, recepção, banheiros, além de disponibilização de um gerador de energia e de equipamentos para a informatização do espaço. Em seguida, os jardins foram gradeados e revitalizados e foram construídas rampas de acesso e novos banheiros

Na parte interna, a igreja recebeu duas capelas laterais - uma de adoração ao Santíssimo Sacramento e outra de Ressurreição, para onde foram removidos os restos mortais dos religiosos -, novo altar, novo piso e ar-condicionado. O presbitério foi modificado, e estão sendo realizados projetos de iluminação e acústica.

A pintura externa - feita em estêncil, ou pintura de molde -, e interna do espaço - que precisará de um processo de restauração das imagens nas paredes e no teto - ainda serão realizadas. Em março, um novo padre assume a paróquia.

A verba necessária às obras vem de apenas duas fontes, ainda segundo a assessoria: da Arquidiocese de Juiz de Fora e da doação de fiéis. A reforma tem como objetivo adequar o templo às normas litúrgicas das diretrizes do Vaticano, possibilitar acessibilidade ao espaço e acolher melhor os fiéis e visitantes.

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