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09 de Maio de 2014 - 06:00

Consagrado na Pedra do Sal, no Rio, Baile Black Bom traz cultura black à programação do 'Maio cultural'

Por JÚLIA PESSÔA

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Banda Consciência Tranquila faz uma viagem musical por vertentes da black music
Banda Consciência Tranquila faz uma viagem musical por vertentes da black music

"Levar para a rua um evento que apresentasse, além do entretenimento, uma ocupação sociocultural." Acrescente uma trilha sonora de funk, R&B, charme e toda malemolência dos gêneros black. Foi com esta proposta, hoje missão cumprida, que surgiu o Baile Black Bom, no Rio, em um lugar que não poderia estar mais sintonizado com o que pretendiam seus fundadores. "A Pedra do Sal é historicamente conhecida como um local de resistência negra e ponto de partida para a criação de importantes movimentos culturais e sociais no Rio de Janeiro", conta Sami Brasil, rapper e fundadora da banda Consciência Tranquila, idealizadora o baile que tem levado suingue, gente bonita, música de qualidade e, mais importante, diversidade às noites cariocas, a cada segundo sábado do mês.

Com um banquete completo da cultura black, o Baile Black Bom é muito mais que a banda Consciência Tranquila. Oferece DJ, beat box, rappers e uma feira de literatura (com distribuição de kits literários sobre a temática negra produzidos pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas - CEAP), além de debates e atividades diversas sobre a promoção da cultura negra. "Utilizamos tudo isso como uma plataforma política no campo das lutas sociais. A ideia é criar ambientes favoráveis ao diálogo e ao debate sobre a cidadania de todos, com enfoque na promoção de valores através da informação, possibilitando uma nova cultura de comportamento em prol de uma sociedade democrática que respeita e promove a diversidade", explica Alan Camargo, vocalista e arranjador da Consciência Tranquila.

Em Juiz de Fora, por questões estruturais, o baile não desembarca com toda sua bagagem de expressões artísticas, mas não deixará a desejar no pacote musical, com a banda e o DJ Flash. "A ideia é fazer uma viagem no tempo da black music, desde o funk soul dos anos 1970 ao hip-hop atual, que dialogam de maneira natural, pois o black tem essa afinidade entre seus vários gêneros", diz Alan. No repertório da Consciência Tranquila, com 12 anos de estrada e turnês dentro e fora do país, entram grandes ícones black, de ontem e hoje, como Stevie Wonder, Jackson 5, Earth, Wind and Fire, Blackstreet, Snoop Dog, Lauryn Hill, Bruno Mars, Beyoncé, Tim Maia, entre tantos outros. "A proposta é trazer releituras desses clássicos, mas incluímos algumas autorais do nosso antigo álbum 'Coisa de doido'. Estamos trabalhando no nosso novo disco, que deve ser lançado em breve", adianta Alan.

Rapper e uma das idealizadoras do baile, Sami Brasil acredita que o rap é, atualmente, a maior forma de expressão da black music no Brasil, ocupando grandes festivais e ganhando até a grande mídia, visibilidade que tem conquistado novos talentos e inspirando nomes das antigas. "E vem também despertando o interesse de artistas de outros gêneros de misturar o rap com os tantos ritmos que nossa terra possui. O bacana é que esse interesse vem em via de mão dupla, pois o que torna a música brasileira especial é exatamente essa diversidade", diz a artista.

Ao lado de Alan e Sami, estarão no palco o rapper Antônio Consciência, o guitarrista Igor Swed e Carrão Speed Beatbox, dividindo não apenas instrumentos, o repertório e as referências musicais, mas os mesmos ideais e sonhos de afirmação cultural. "Queremos contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população negra através de seu empoderamento, ajudando a aumentar a autoestima daqueles que são cotidianamente discriminados na busca pelos seus direitos", destaca Alan.

 

BAILE BLACK BOM

 

Hoje, às 19h

 

Praça Jarbas de Lery - São matheus

 

 

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