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12 de Abril de 2014 - 06:00

Bronson e artistas convidados fazem show em menção aos 20 anos de morte de Kurt Cobain

Por JÚLIA PESSÔA

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Bronson será banda anfitriã de show em homenagem à obra do vocalista do Nirvana
Bronson será banda anfitriã de show em homenagem à obra do vocalista do Nirvana

Vinte anos atrás, a música pedia um daqueles ídolos que surgem e vivem meteoricamente, deixando órfã uma imensa legião de fãs ao redor de todo o globo. No dia 5 de abril de 1994, um atormentado Kurt Cobain, líder e vocalista do Nirvana, uma das bandas mais influentes dos anos 1990, punha fim à própria vida com um tiro de espingarda na cabeça, reforçando o mito de grandes astros da música que se vão aos 27 anos, hall em que entram Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e, mais recentemente, Amy Winehouse. Relembrando a tão sólida quanto breve carreira do rockstar - ainda que à revelia de sê-lo-, o Bronson, banda formada por W. Del Guiducci (voz), Bruce Ramos (guitarra), Rodrigo Phanna (baixo) e Doug Gomez (bateria) se junta a artistas convidados hoje à noite no Muzik, tocando canções de diferentes momentos do Nirvana.

Para Del Guiducci, que também é cantor do Martiataka, a banda encabeçada por Cobain tornou-se um mito por sua autenticidade e simplicidade, além de ter representado um resgate do punk rock, que andava um tanto perdido em meio ao pós-punk, ao pop oitentista e do virtuosismo das bandas de heavy metal e hard rock que pipocaram no final dos anos 1980 e início dos 1990. "O Nirvana detonou com aquilo tudo. E disso nasceu uma geração de músicos que perceberam que não precisavam ser o Eddie Van Halen para tocar uma guitarra nem o Bruce Dickinson para cantar. Em 1992, em todas as calçadas do mundo havia algum garoto tocando 'Come as you are' no violão. Esses caras estão aí hoje com 30, 40 anos, tocando suas coisas, mas, de uma maneira ou de outra, influenciados por aquela música tão autêntica do Nirvana", observa o vocalista.

Produtora do show de hoje, Virgínia Strack destaca a relevância de Kurt e seus rapazes não se restringe apenas à sonzeira de seus instrumentos, mas à atitude em relação à música e, mais amplamente, à vida. "Foi como se eles falassem para os saudosistas que acreditavam que o rock tinha morrido depois da geração dos anos 1970 que o gênero estava muito vivo. Além disso, Kurt subverteu a imagem glamorizada do rockstar, tornando-se ícone maior do que viria a ser o grunge", diz Virgínia, lembrando da influência de Cobain na moda e na estética, elevando o visual esfarrapado de camisas xadrez, All Stars surrados e longas madeixas a forma de expressão de uma geração de jovens.


Voz das inquietações


Uma das cantoras participantes do tributo, Ana Sukita (da banda Crusher), o introspectivo, sensível e um tanto autodestrutivo Kurt Cobain conseguiu, como de tempos em tempos alguns artistas conseguem, expressar sentimentos típicos da juventude, como a revolta e a angústia. "As gerações podem ser outras, mas os questionamentos dos jovens ainda são os mesmos. Como musicista e compositora, algumas das minhas letras têm influência dessa revolta, dessa inconformidade com as situações que a vida nos impõe. Escrevo sobre o que me incomoda, sobre o que me faz pensar, e o Kurt já fazia isso há mais de 20 anos", diz a artista, que cantará "Territorial pissings" no palco do Muzik, cujo título traduzido faz alusão à demarcação de território com urina feita por alguns animais. "É uma música bem punk e um momento interessante é o trecho em que ele diz "never met a wise man/ If so it's a woman" ("nunca conheci um homem sábio./Se sim, era uma mulher"), o que eu interpreto como um ideal um tanto feminista e é motivo especial pelo qual aceitei o convite para interpretá-la!"

Cantando "You know you're right", lançada postumamente em 2002, o músico Dê Monteiro acredita que parte do mito que o Nirvana se tornou vem de seu som e suas letras viscerais. "Eles representavam a antimatéria do que era bom, em contraposição ao rock glam de glitter e purpurina do Guns N' Roses, por exemplo. Com três acordes e uma vibe mais junkie e crua, eles foram talvez os representantes mais relevantes do que se tornaria a geração de Seattle, junto a Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden", opina o músico.

Celso Soares, da Fliperama, interpretará "On a plain", do álbum mais consagrado do Nirvana (aquele do neném pelado na piscina, tentando "pescar" uma nota de dólar). "Todas as vezes que as coisas no mundo não iam bem, o rock foi a melhor forma de se expressar. O álbum 'Nevermind' não é engajado em nenhuma situação mundial, mas transformou o rock, que na década de 1980 andava bastante banalizado. Nirvana surgiu ajudando a colocar as coisas no eixo novamente, juntamente com outras bandas."

Também participam do projeto, Roberta Mandarano (The Radioleft), Fausto Coimbra (Field), Philip Massi (8 Bits), Rodrigo Andrade (Operação Tequila), Victor "Frango" Fonseca (Martiataka, The Basement Tracks), Christie Fortes e Sandro Ferreira. Para Del Guiducci, da banda anfitriã deste sábado, mesmo a morte de Kurt contribuiu para sua mitificação. "Se houvesse sobrevivido a si próprio, Kurt talvez tivesse se tornado um ermitão ou coisa do tipo, deixado a música, não sei. Só podemos especular. Talvez em 1994 ele tenha percebido que já não havia muito mais com o que contribuir musicalmente para o mundo, pelo menos não dentro da expectativa que se criara em torno de um mito que ele não queria ser. Sua contribuição estava dada. Aí estourou os miolos. Em vez disso, devia ter quebrado a última guitarra e vindo morar com a filha em Aiuruoca."

KURT: UM TRIBUTO

Hoje, às 23h

Muzik

(Rua Espírito Santo 1.081)

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