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01 de Abril de 2014 - 06:00

Portão é retirado e abrigo é construído no casarão tombado

Por MAURO MORAIS

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Telhas galvanizadas foram instaladas na frente do casarão tombado
Telhas galvanizadas foram instaladas na frente do casarão tombado

Nas últimas semanas a porção frontal do Villa Iracema, casarão situado no número 651 da Rua Espírito Santo, Centro, foi substancialmente descaracterizada. Além do portão, retirado na última semana, o lugar conta, agora, com um abrigo em telha galvanizada e muro em alvenaria. Servindo hoje a um estacionamento, o endereço, que ostenta os áureos tempos de Juiz de Fora, é reflexo dos problemas que a cidade enfrenta diante da necessidade de conservação de sua memória. Tombado desde 1999, o imóvel tem sua volumetria construtiva, fachadas, jardins, canteiros frontais, gradis, portões, chafariz, estátuas que servem de luminárias e demais elementos decorativos protegidos pelo município, e quaisquer construções devem distar, no mínimo, em seis metros do prédio, o que acaba por preservar toda a área do bem. Segundo Paulo Gawryszewski, arquiteto da Divisão de Patrimônio Cultural da Funalfa e vice-presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac), a primeira alteração no imóvel foi detectada no dia 6 de março, quando a divisão encaminhou memorando à Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), que embargou a obra.

"Existe, há bastante tempo, um processo em tramitação solicitando obras emergenciais, mas ele continua esperando definição. O que é possível fazer, o Conselho e a Divisão têm feito", comenta Gawryszewski, dizendo-se otimista em relação à restauração do espaço. De acordo com ele, a fachada apresenta trincas, perda de revestimento, possivelmente causada por infiltrações, e outras pequenas avarias, tudo com a possibilidade de reversão. "Gostaríamos que fosse colocado o portão de volta e retirada a cobertura", diz, pontuando que modificações podem ser feitas internamente no imóvel, com o intuito de atender as necessidades dos proprietários.

Conforme Narciso Francisco Pazinatto, diretor-técnico do Hospital 9 de Julho, proprietário do casarão, as modificações foram feitas pelo locatário do espaço, que não sabia das implicações legais, e não houve a anuência da instituição, que pedirá a retirada da telha e o reposicionamento do portão. Segundo ele, o imóvel tombado configura-se como importante patrimônio do hospital, mas muitos são os obstáculos para conservar o bem. "A ideia é transformarmos aquele prédio em um centro de estudos do hospital", afirma, pontuando as muitas dificuldades em captar parceiros e recursos para a revitalização.

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