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15 de Janeiro de 2014 - 07:00

Cadeira numerada nos cinemas divide opinião do público que frequenta a rede UCI, única que já adotou a medida em Juiz de Fora

Por MARISA LOURES

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A professora Mariana Paixão aprovou poder garantir o lugar preferido com uma semana de antecedência
A professora Mariana Paixão aprovou poder garantir o lugar preferido com uma semana de antecedência

De férias em Juiz de Fora, Núbia Schubert aproveitou para ir ao cinema curtir "Frozen- uma aventura congelante", com a filha e quatro sobrinhos. Seu lugar predileto para assistir às produções é a quarta fila, bem no centro da sala. Desde que o projeto de lei que obriga a adoção de cadeiras numeradas nos cinemas da cidade foi sancionado, em 18 de novembro de 2013, escolher onde se assentar na rede UCI (Independência Shopping) não é problema para ela. Contudo, a vantagem não enche os olhos da pedagoga, de 37 anos. "Acho indiferente. Como venho nos horários da tarde, as salas estão sempre vazias. Para a empresa, deve facilitar. Da última vez que vim, não consegui enxergar a numeração. Não tinha ninguém para nos orientar", afirma Núbia.   

Única a já cumprir a medida na cidade, a UCI disponibiliza a compra com uma semana de antecedência no local ou através da internet. Lá, desde o dia 20 de dezembro, a própria pessoa escolhe a cadeira. Uma tela apresenta os assentos já vendidos na cor verde e os disponíveis em cinza, destacando os direcionados a portadores de necessidades especiais. São cinco salas, com uma média de 20 sessões diariamente. Para encontrar a cadeira, é preciso, primeiro, procurar pela letra e, em seguida, o número. 
 
Por volta das 16h, quando a Tribuna esteve no local na última segunda-feira, o público era tímido. Alguns se beneficiaram do novo sistema, garantindo o ingresso mais cedo, como é o caso de Luzianne Moreira, 34, enfermeira. "Achei ótimo, porque não precisei ficar esperando na fila", comenta. "Prefiro a última fileira. Com a numeração, posso comprar o ingresso para a minha cadeira preferida. Não corro o risco de ficar longe de quem eu quero", diz a professora Mariana Paixão, 29.
 
Enquanto uns se preocuparam em procurar a poltrona, outros, ao contrário, ficaram em lugares que não conferiam com os indicados no bilhete adquirido. Fato que não causou conflitos já que a ocupação não estava completa. "Não procuramos a nossa cadeira, porque poderíamos demorar muito para encontrar. Isso é perda de tempo", destaca o estudante Augusto Gonçalves, 16, acompanhado do também estudante Mateus Gonçalves, 16.  
 
Na visão do autor da proposta, o vereador Jucelio Maria (PSB), o projeto tem como objetivo dar mais conforto aos espectadores, sendo criado com a ajuda de internautas nas redes sociais, mirando-se em capitais, como Belo Horizonte e São Paulo. O prazo para a adequação dos espaços é de 180 dias, a contar do dia 18 de novembro, data em que foi sancionada a lei. Os estabelecimentos não podem cobrar preços diferenciados pelas poltronas, e o descumprimento da norma acarretará em advertência e multa de 200 vezes o valor da entrada ou o dobro disso, em caso de reincidência.
 
 

Impacto na bilheteria

 
Segundo Fernando Costa Júnior, no Santa Cruz Shopping , a determinação só será seguida "no apagar das luzes". A implantação de sistemas em 3D, orçada em R$ 700 mil, é a responsável pela adoção tardia. "O 3D é muito caro. No mês de março, estamos programando mexer nas poltronas, o que deixará o custo lá em cima", justifica, defendendo que a nova lei é prejudicial às salas pequenas. "Nossas duas salas cabem 125 e 145 pessoas. Podendo escolher a cadeira, muitos lugares vão ficar vazios. Vamos ter problemas de bilheteria. Nossa performance vai declinar durante o ano. Já conversamos com diversas empresas que adotaram a medida, e a opinião é a mesma. Sempre procuramos acatar tudo que é posto, mas vamos segurar até perto do fim do prazo", afirma Fernando.
 
No Palace, o diretor de programação Adhemar de Oliveira diz que a mudança deve ocorrer em 60 dias. "Além de colocar número nas cadeiras, temos que mudar o programa da bilheteria e comprar um expositor para o público acompanhar a numeração. Já fizemos isso em várias cidades com mais movimento independentemente de lei. No início, o espectador estranha um pouquinho, mas depois se ajusta", observa Adhemar. 
 
Conforme Kamilla Novaes, gerente local do Cinemais (Alameda), a rede já tem cadeira numerada em outras praças. Em Juiz de Fora, ela está aguardando um parecer da Prefeitura sobre as exigências a serem executadas. "A Cinemais está sempre aberta a cumprir o que a lei estabelece, mas precisamos saber o que fazer, já que a lei é municipal", afirma. "A implantação trará mais organização. O cliente antecipará sua compra e garantirá seu lugar favorito, evitando mal-entendidos, principalmente os que gostam de chegar de última hora" diz Kamilla. 
 
As estudantes Gabriella Weiss, 17, e Clara Altomar, 18, também estiveram no cinema do Independência Shopping na segunda-feira. Depois de curtirem a sessão, elas questionaram a localização da numeração. "Tivemos que ficar abaixando para ver o número", diz Gabriella. "Quando fomos comprar os bilhetes, ficamos na dúvida com relação à localização na sala. É preciso alguém para orientar na hora", completa Clara. 
Através de e-mail, a assessoria da UCI afirmou que a rede "preza pela qualidade nos serviços oferecidos em todos os seus complexos distribuídos pelo país. Pensando nisso, possui o projeto de assentos numerados em todos os seus cinemas, incluindo o UCIKinoplex Independência. Desta forma, garantimos que os nossos clientes terão a melhor experiência possível, aliando praticidade, conforto e tecnologia".
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