Delegações podem dobrar ocupação de hotéis em JF

Gerente geral do Independência Trade Hotel, José Carlos Branco, mostra expectativa para ocupação a partir de julho (Fernando Priamo/17-06-16)
A chegada de nove delegações de oito países para realizar treinamento na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, além de já ter injetado ânimo no meio empresarial, promete movimentar economicamente a cidade. Só no setor hoteleiro, a expectativa é que a média de ocupação, que hoje gira em torno de 40% a 50%, atinja patamares de 70% a 80%. Entre bares e restaurantes, a aposta é que a chegada de pelo menos 350 turistas possa fomentar o movimento, enfraquecido pela crise e agravado em função do frio. O período de permanência dos atletas vai de 22 de julho a 5 de setembro.
“A chegada dessas delegações vai ser a salvação da lavoura”, avalia o coordenador executivo do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Juiz de Fora, Rogério Barros. A expectativa de aumento da ocupação para algo em torno de 70% a 80%, com a vinda não apenas de atletas, mas de comissões técnicas, jornalistas e familiares, leva o setor a patamares de desempenho experimentados em 2013. De lá para cá, o cenário piorou. Barros observa ainda que a cidade deixará de sediar, este ano, eventos importantes para o incremento da rede hoteleira, como Minas Láctea, Parada do Orgulho Gay e Miss Gay. “Em alguns, conseguíamos bater a casa dos 100%”, dimensiona.
Para o coordenador, a redução de preços verificada na praça servirá de estímulo para alcançar uma boa ocupação hoteleira. Segundo ele, a diária média hoje gira em torno de R$ 150 a R$ 180. Em 2015, variava de R$ 200 a R$ 250. A necessidade de revisão para baixo, explica, aconteceu no início do ano em função da queda no movimento, apesar dos elevados aumentos de custos. Na sua opinião, a cidade está aparelhada para receber visitantes, com a disponibilidade de 35 hotéis na categoria turismo, com aproximadamente três mil leitos no total, além de 350 restaurantes de cozinha nacional. Para ele, no entanto, é preciso estimular a realização de eventos de negócios. “Tem que haver a preocupação de desenvolvimento de uma política de venda do município.”
Segundo o gerente geral do Independência Trade Hotel, José Carlos Branco, foi realizado o bloqueio de 160 apartamentos em função da expectativa de chegada de cinco delegações ao hotel, reunindo quase 300 pessoas entre atletas e comissão técnica, oriundos de Canadá, China, Egito, Qatar e Polônia. O número representa 59% dos 270 leitos disponíveis. “É uma ocupação excelente durante 20 dias”, comemora. Segundo Branco, a demanda tem sido fraca, com média de ocupação girando em torno de 45%. Para o gerente geral, alguns fatores foram determinantes para a escolha pelo hotel, como a estrutura física disponível e a proximidade com a UFJF. As negociações tiveram início no ano passado, sendo a delegação chinesa a primeira a fechar negócio.
“Torcida de apoio”
O diretor executivo da Abrasel Zona da Mata, Marcos Henrique Miranda, que também ocupa o cargo de presidente do Conselho Municipal de Turismo, fala sobre a intenção de desenvolver uma ação específica, não só do setor de alimentação, mas do trade turístico como um todo, para acolher essa clientela, que vai se hospedar, frequentar o comércio, utilizar os serviços e se alimentar nos restaurantes da cidade. “A meta é conseguir potencializar essa oportunidade criada pela vinda de comitivas.” Uma ideia, adianta, é que Juiz de Fora se torne uma “grande torcida de apoio” aos países com atletas hospedados na cidade.
Miranda também não descarta a possibilidade de Juiz de Fora atrair turistas que vão prestigiar os Jogos Olímpicos no Rio, além de jornalistas que farão a cobertura do evento, em função da proximidade com a cidade carioca. “Alguns outros grupos podem procurar Juiz de Fora como referência de hospedagem e, eventualmente, turismo. Estamos no limite dessa possibilidade, já que a área de influência gira em torno de 150 quilômetros.” Segundo ele, a assertividade da aposta vai depender da “nossa competência de vender essa possibilidade”.
Fecomércio diz que evento traz oportunidades
Para a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio), as Olimpíadas e as Paralimpíadas do Rio 2016 romperão as fronteiras do estado carioca, promovendo oportunidades de negócio em todo o país. Minas Gerais é um desses destinos. Para mensurar as expectativas, a federação ouviu empresários de Belo Horizonte, Uberlândia e Juiz de Fora, cidades que receberão delegações. Para eles, a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil trará benefícios para os setores de comércio, bens e turismo, entre eles o aumento do fluxo de turistas (40%) e o crescimento das vendas (32%) e da demanda pela prestação de serviços (10,7%).
O economista da Fecomércio, Guilherme Almeida, alerta que as intervenções proporcionadas pelos eventos esportivos nestas três cidades podem ser transformadas em oportunidades. O especialista destaca que fatores macroeconômicos, como a desvalorização da moeda nacional, podem estimular o consumo dos visitantes estrangeiros. “O cenário está favorável para quem vem de fora. Com a valorização do dólar frente ao real, o poder de compra do turista será potencializado. Assim, estará nas mãos dos empresários a oportunidade de alavancar suas vendas.”
Ainda conforme a Fecomércio, os segmentos mais impactados serão os de artigos recreativos e esportivos (33,3%) e de hotéis (28,6%). O presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, considera que, além do impacto imediato no aumento do consumo, há o ganho provocado pela projeção da cidade a nível nacional e até internacional. Em ambos os casos, avalia, Juiz de Fora se beneficia, com ganhos que podem ser contabilizados inclusive posteriormente.
Já a assessora de Articulação e Estratégias do Turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Danielle Feyo, avalia que a vinda das delegações pode ser um atrativo para que a população do entorno assista os treinos – que devem ser abertos ao público -, envolvendo a região e aumentando o fluxo na cidade. Danielle cita, ainda, o fato de Juiz de Fora hospedar cerca de 40 voluntários de várias partes do mundo, que chegam ao país para atuar nos Jogos Olímpicos. A vinda é fruto de parceria realizada pelo Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste) com uma universidade britânica. O grupo vai ter a oportunidade de aprender o português e vivenciar o município. Outra meta, afirma a assessora, é preparar a cidade para receber os turistas e realizar ações que promovam intercâmbio cultural.
Danielle, que é vice-presidente do Conselho Estadual de Turismo, participou ontem de reunião de trabalho em Belo Horizonte, para definir prioridades para captação de recursos. Na ocasião, o superintendente de Políticas do Turismo, Daniel Marques, informou que Juiz de Fora está incluída no pacote de ações previsto para os Jogos Olímpicos, inclusive com suporte às prefeituras. Entre as iniciativas, está a promoção de Minas para mais de 15 mil jornalistas, com o convite para que conheçam o estado, visando a estimular o fluxo regional, além de ação de recepção de turistas no Aeroporto do Galeão. Segundo Marques, o planejamento para a cidade está sendo readequado pelo Governo mineiro, já que a expectativa inicial era de que Juiz de Fora recebesse apenas três delegações.









