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16 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Prefeitura, UFJF e Governo estadual oferecem maior número de oportunidades; intenção, na maioria das vezes, é nomear aprovados ainda em 2014

Por FABÍOLA COSTA

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No Curso Logos, salas iniciaram os ano lotadas
No Curso Logos, salas iniciaram os ano lotadas

Apesar de ser ano eleitoral, com Copa do Mundo, 2014 promete ser promissor para os concurseiros juiz-foranos. A previsão é de, pelo menos, 681 oportunidades de emprego público em editais já lançados ou previstos para o ano. Conforme levantamento feito pela Tribuna, três dos principais órgãos públicos municipais - Prefeitura, Câmara e UFJF - confirmaram, esta semana, a realização de concursos que somam mais de 500 vagas (ver quadro). A maior oferta é da UFJF, com 341 oportunidades, sendo 212 para a cidade. Hoje há 295 vagas em aberto para o município em nove concursos, sendo dois com inscrições ainda em curso.

Na sexta-feira, o reitor da UFJF, Henrique Duque, anunciou a realização do "maior concurso da história da universidade". Das 341 vagas, 212 são para Juiz de Fora, e 129 para Governador Valadares. Todas as oportunidades são para técnico-administrativo em educação nos níveis fundamental, médio e superior. Os vencimentos iniciais variam de R$ 1.302,72 a R$ 3.230,88, de acordo com o cargo. Haverá a divulgação de dois editais. O primeiro chega às ruas na próxima semana. O segundo está previsto para março. Conforme o reitor, o objetivo do concurso é "diminuir um pouco" a presença de terceirizados na instituição. A intenção da UFJF é homologar o resultado ainda este ano - a Lei 9.504 proíbe nomeações nos três meses que antecedem eleições e até a posse dos eleitos, "sob pena de nulidade de pleno direito". A regra, no entanto, só vale para concursos não homologados neste período.

A secretária de Administração e Recursos Humanos da PJF, Andréia Goreske, confirmou concurso com cerca de 170 vagas em 70 áreas. Entre as funções contempladas estão as de médico (diversas especialidades), engenheiro civil e elétrico, analista de sistemas, administrador, assistente social, contador, economista, enfermeiro, farmacêutico, fonoaudiólogo, motorista e técnico de nível médio. Os vencimentos iniciais variam de R$ 800 a R$ 8.489,80, sem contar os adicionais previstos de acordo com o cargo. A informação é que está sendo finalizado estudo para iniciar o processo licitatório visando a contratação da organizadora do certame. A secretária não estipulou data para divulgação do edital. O objetivo, segundo ela, é realizar e homologar o concurso ainda este ano. Com os servidores efetivos, a Prefeitura pretende garantir a continuidade do serviço, reduzindo os contratos temporários.

Na Câmara Municipal, está previsto concurso para preencher duas vagas de advogado, uma de contador e outra de analista de sistemas. Conforme a diretora geral da Casa, Maria Aparecida Fontes Cal, a expectativa é que o edital seja lançado no início de abril. As nomeações também devem acontecer ainda este ano. Segundo Maria Aparecida, uma comissão especial composta por três servidores efetivos e estáveis começou a organizar o certame. A lei com a previsão dos cargos já foi criada. O próximo passo, diz, será uma pesquisa de preços para contratar a organizadora. O vencimento inicial para os cargos de nível superior é de R$ 3.595,37 para jornada de 40 horas semanais. Apesar de só haver a definição de quatro cargos até agora, está em análise a possível ampliação para outras funções, como duas vagas para motorista. A diretora geral também anunciou a nomeação de mais dois aprovados no concurso para assistente legislativo realizado em 2012. A medida pode ser adotada já na próxima semana e respeitará a ordem de classificação.

Na disputa

Enquanto há quem espere a liberação dos editais para iniciar a maratona de estudos, Fábio Singulari Freire da Silva, 30 anos, já garantiu o seu lugar nas salas de aula. Ele estuda para concursos há três anos. Fábio é de uma família com tradição em funcionalismo público e também pretende contar com o benefício da estabilidade profissional. Além das aulas em cursinhos, ele estuda uma média de cinco horas por dia em casa. Seu objetivo é conseguir uma vaga na área bancária. Segundo Fábio, apesar da resistência, inclusive de parentes, por estar há tantos anos estudando, acredita que o tempo e a persistência o deixaram mais preparado para a esperada aprovação.

Já a psicóloga Vânia de Souza, 25 anos, iniciou a jornada há cerca de seis meses, logo após a formatura. Em busca de estabilidade e ganhos salariais acima dos praticados pelo mercado, Vânia frequenta cursinhos e reforça o aprendizado estudando até oito horas por dia em casa. Ela pretende garantir uma vaga em sua área de atuação, seja em Juiz de Fora, em Minas Gerais ou em outro estado do país. Segundo a psicóloga, estudar para concurso requer força de vontade e dedicação. "Não é fácil, mas vai valer a pena."

 

 

Procura nos cursinhos cresce 30%

A procura por cursos preparatórios, neste início de ano, cresceu 30% em Juiz de Fora em relação ao mesmo período do ano passado, segundo estimativa da diretora do Plenarius - Cursos Jurídicos Integrados, Ivone Cunha. A expectativa para o ano é positiva, diz Ivone, citando certames previstos em âmbito federal (Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Agricultura, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Caixa Econômica e Correios), estadual (Ministério Público e Secretária de Estado de Defesa Social) e municipal (UFJF). Na sua opinião, se o ano eleitoral não compromete a realização de concursos - apenas pode restringir o prazo de nomeação - a Copa do Mundo no país pode, sim, prejudicar a abertura de vagas.

Para o gerente do Curso Logos, Marcelo Gonçalves Alves, 2014 já está sendo um bom ano para o setor. Ele destaca a previsão de concursos municipais, uma situação considerada rara no cenário local. Segundo Marcelo, a maior procura dos juiz-foranos hoje é pelos certames federais, em função da oferta de vagas e da faixa salarial praticada. Para ele, a mudança nas regras da aposentadoria dos servidores federais - que agora precisam contribuir para a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal para receberem acima do teto de R$ 4.157,05 - não impactou a demanda por estas seleções.

Marcelo, porém, sente falta de uma cultura de concursos na cidade. Prova disso, na sua opinião, é que muitos candidatos condicionam o início dos estudos à liberação do edital. "A preparação exige um tempo de dedicação. É preciso lembrar que a concorrência, em concursos mais acirrados, abrange todo o país." Entre as principais motivações dos candidatos para entrar na disputa, o gerente destaca a estabilidade e os salários. Para Marcelo, no entanto, não se pode perder de vista a responsabilidade do servir ao público. "É preciso que o candidato tenha consciência que a função dele é atender a população de forma eficaz", destaca.

Para o presidente da Associação Nacional de Defesa e Apoio aos Concurseiros (Andacon), Guto Bello, embora os principais motivos que levam as pessoas aos concursos sejam a estabilidade e a remuneração, o concurseiro precisa agregar mais elementos a esta decisão. "É preciso ser feliz, trabalhar com algo que ofereça um mínimo de prazer. Tem muita gente infeliz no serviço público porque só pensa em estabilidade e remuneração. Isso não é o suficiente para motivar as pessoas a fazerem um bom trabalho. É importante escolher um cargo que combine com o seu perfil." Sobre a preparação, Bello destaca a importância do estudo teórico, da resolução exaustiva de questões anteriores e da leitura das normas. "Um concurseiro só chega preparado a uma prova quando, checando o programa do concurso, percebe ter estudado a teoria de tudo, feito questões sobre tudo e lido todas as normas. Esse é o tripé da aprovação. Se um deles não estiver firme, o estudo é capenga."

 

 

Lei pode acabar com cadastro reserva

Aprovado no Senado e à espera de votação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei (PL) 6004/2013, cuja origem é o Projeto de Lei do Senado (PLS) 74/2010, de autoria do senador Marconi Perillo (PSDB/GO), pode acabar com os concursos para cadastro reserva. Além de impedir a "oferta simbólica" - menos de 5% das vagas do respectivo cargo no órgão público -, a norma prevê outras mudanças, como a necessidade de publicação de edital com antecedência mínima de 90 dias da realização da primeira prova. Hoje vale o Decreto 6944, que estabelece o mínimo de dois meses. Já o prazo de validade dos concursos passaria a ser de até dois anos, prorrogável uma vez por igual período. Conforme o PL, a taxa de inscrição deve ser de, no máximo, 3% do valor da remuneração inicial do emprego público, levando em conta o nível remuneratório, a escolaridade exigida e o número de fases e de provas do certame.

"Precisa haver uma regra geral e clara e acabar com concursos para cadastro reserva, que é uma forma de coletar dinheiro dos outros", defende a diretora executiva da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra. Na sua opinião, a aprovação da lei é uma necessidade. Além do fim do cadastro, ela também destaca a importância de prazo maior entre a divulgação do edital e a aplicação das provas, que pode beneficiar os candidatos.

Pelas contas da Anpac, o volume de inscrições em concursos públicos no país chega a dez milhões por ano. Além da remuneração acima da média praticada no mercado - quase R$ 4 mil (nível médio) e até R$ 24 mil (nível superior) -, a alta procura também é motivada pela falta de garantias da iniciativa privada e pela escassez de possibilidades para quem passa dos 40 anos.

Para 2014, as expectativas são consideradas "as melhores possíveis". Na sua opinião, a abertura de vagas deve ser estimulada até como uma necessidade política em ano eleitoral. Ela teme, no entanto, que, depois de julho, o esperado contingenciamento do Ministério do Planejamento possa reduzir oportunidades. Só este ano, o órgão autorizou 1.051 vagas, em três concursos: Hospital das Forças Armadas, Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva e Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Em 2013 foram 36 concursos autorizados com 25.623 oportunidades. O elevado índice de aposentadorias no funcionalismo público também foi destacado como fator positivo aos concurseiros, além da determinação do Tribunal de Contas da União de substituir terceirizados por concursados. "O desafio é correr para homologar os concursos até três meses antes das eleições, para não prejudicar as nomeações."

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