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23 de Janeiro de 2014 - 07:00

Por Tribuna

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São Paulo (ABr) - Mais 15 trabalhadores foram resgatados ontem, no segundo dia da força-tarefa formada por órgãos de fiscalização trabalhista para identificar pessoas em condição análoga à escravidão em carvoarias no interior paulista. Na terça-feira, integrantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MPT), da Polícia Rodoviária Federal e do Ministério Público do Trabalho libertaram 19 trabalhadores adultos e sete adolescentes. As operações, que contam com cem agentes da Polícia Rodoviária, devem durar pelo menos uma semana.

No primeiro dia da operação, foram fiscalizados dez estabelecimentos nas cidades de Pedra Bela, Joanópolis e Piracaia, que ficam na divisa com o Sul do Estado de Minas Gerais. De acordo com o MPT, as pessoas resgatadas ontem estavam em duas fazendas em Piracaia, pertencentes à empresa Carvão Cacique, sediada em Bragança Paulista. Entre as irregularidades encontradas estavam a falta de registro profissional, inclusive com pessoas há mais de dez anos nessa condição, e a retenção dos documentos de um trabalhador.

Segundo os participantes da operação, os salários eram pagos somente a cada três meses. Com isso, eles contraíam dívidas em um mercado da cidade. Embora o dono do armazém não tivesse vínculo com o fazendeiro, foram constatadas dependência financeira e necessidade de o trabalhador ficar na região por causa da dívida. Além disso, não havia equipamentos de segurança, banheiro ou água potável. O MPT informou que as frentes de trabalho foram suspensas e que os direitos dos resgatados serão assegurados, inclusive verba rescisória e seguro-desemprego.

Na terça, seis carvoarias foram fechadas por falta de condições de trabalho. As crianças e os adolescentes, que trabalhavam com quebra de carvão, ensacamento, pesagem e costura de sacos, entre outras atividades, foram afastados do local. "Identificamos riscos de acidentes, alojamentos precários, fiação expostas, maquinário irregular, exposição a material químico", enumerou a procuradora-chefe do MPT em Campinas, Catarina von Zuben.

A empresa Carvão Cacique foi procurada pela Agência Brasil para comentar a operação, mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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