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17 de Junho de 2014 - 06:00

Por Fernanda F. C. Perobelli, Idala Carolina, Danniel Lagares, Matheus Alexandria, Mateus Rodrigues, Vinicius Soares, Leonardo Ferreira e Michel Cândido

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No dia 7 de maio, a empresa chinesa de comércio pela internet, Alibaba, anunciou sua oferta pública de ações (IPO) na Nyse (a mais tradicional das bolsas americanas, fundada em 1792),com expectativa de levantar mais que os US$ 16 bilhões conseguidos pela Facebook em 2012. Em comum, o fato de se tratarem de duas empresas de setores não tradicionais, de base tecnológica, com grandes riscos e potencial de retornos associados. Vender uma parte da empresa por meio da oferta de ações ou adquirir empréstimos com investidores na bolsa de valores, negociando notas promissórias e debêntures por exemplo, são maneiras de conseguir acesso a mais recursos (de investidores comuns) para realizar projetos e turbinar a economia de um país. Entretanto, antes de dar esse passo, a empresa precisa estar bem estruturada, manter rígidas regras financeiras e agir de acordo com as exigências de órgãos reguladores (como a CVM no Brasil e a SEC nos EUA), de modo a proteger os investidores que ofertam o capital.

A dificuldade das pequenas e médias empresas brasileiras em atender a essas exigências é um dos motivos que fazem o Brasil ter menos empresas listadas na bolsa de valores do que países como Malásia e Mongólia. São apenas 524 empresas de capital aberto enquanto na China, a cada ano, 400 novas empresas abrem capital. Se for considerado apenas o setor de tecnologia, a situação é ainda pior. Empresas brasileiras correlatas a Alibaba e Facebook normalmente procuram o programa ProSoft, oferecido pelo BNDES, ao invés de se dirigirem ao mercado de capitais (as bolsas de valores). Essa linha responde por aproximadamente 84% de todos os financiamentos para o setor de tecnologia no Brasil. As linhas de crédito oferecidas pelo banco, porém, são limitadas a R$ 10 milhões e preveem elevadas exigências por parte do BNDES, que, ao financiá-las, passa a concentrar todo o risco de seus projetos ao invés de diversificá-los com o mercado. Pior: bancos são agentes cautelosos e, em momentos de crise, acabam limitando a oferta de crédito ou exigindo taxas de juros restritivas, prejudicando investimentos promissores. Daí a importância de se contar com um mercado de capitais dinâmico, que impeça a parada total do financiamento em situações de contração de liquidez no mercado de crédito.

Além de servir como fonte alternativa de financiamento, bolsas de valores funcionam como mecanismos de saída do investimento em capital de risco (ou venture capital), uma modalidade de financiamento formatada em fundos fechados que envolve a participação de longo prazo de investidores comuns em projetos de risco. O mercado de venture capital ainda engatinha no Brasil, embora experimente avanços desde a década de 70. A frágil conjuntura econômica brasileira, com elevadas taxas de juros e dificuldade de planejamento de longo prazo, impediu o desenvolvimento pleno desse mercado até o momento.Uma pena, pois, por meio dele, empreendedores diluem o risco total dos projetos pela captação de recursos de diversos agentes e administram as devoluções dos recursos captados de acordo com a maturidade do investimento, o que permite um crescimento mais eficiente; já o investidor passa a ter acesso a uma oportunidade de investimento capaz de aumentar exponencialmente seus ganhos de capital.Mais importante, a ampla utilização desse mecanismo é vantajosa à economia como todo, pois mais projetos, de diversas empresas, muitas operando em setores inovadores, poderão obter os recursos de que necessitam, gerando renda e emprego. Para usufruir dessa maturidade financeira, entretanto, precisamos ser capazes de criar regulamentação e incentivos não apenas às bolsas de valores e ao venture capital, mas a diversos instrumentos de financiamento complementares ao mercado de crédito bancário. Na próxima coluna, discutiremos alguns deles.

Fernanda F. C. Perobelli, Idala Carolina, Danniel Lagares, Matheus Alexandria, Mateus Rodrigues, Vinicius Soares, Leonardo Ferreira e Michel Cândido

Conjuntura e Mercados Consultoria Jr.

Faculdade de Economia/UFJF

E-mail: cmcjr.ufjf@gmail.com

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