Depois de onze dias, a greve de motoristas e trocadores termina em Juiz de Fora. Desde a meia-noite de sexta-feira (15), a circulação dos 588 ônibus em 280 linhas voltou à normalidade, conforme posicionamento oficial do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro). A categoria aceitou as condições de pagamento do reajuste linear de 10,63%, sugerido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A proposta da Astransp é de repasse imediato do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 6,3% e o escalonamento, a partir de agosto, da diferença de 4,33% e do retroativo referente a fevereiro (data-base) e março.
Por dois dias, foram realizadas assembleias nas garagens das empresas, para deliberação da categoria. Conforme o presidente do Sinttro, Adilson Rezende, cerca de 900 trabalhadores foram favoráveis ao acerto escalonado. O sindicato de classe chegou a criticar a mesma proposta em reunião realizada terça-feira, no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O Sinttro defendia o pagamento integral e imediato. No dia seguinte, no entanto, o assunto começou a ser discutido na porta das empresas até a divulgação do resultado de quinta. O posicionamento será encaminhado ao TRT, e a perspectiva é que o acordo seja firmado na segunda-feira.
"Não adianta ficar medindo força com a Justiça, e a população estava pagando por isso", avaliou Adilson. A reivindicação inicial dos rodoviários era de 28% para motoristas e 49% para cobradores. Inicialmente, a Astransp oferecia correção pelo INPC. Ao longo das rodadas mediadas, a contraproposta patronal chegou a 9,63%. O índice de 10,63% foi sugerido pelo TRT em audiência realizada em Belo Horizonte, e chegou a ser aprovado entre as partes. O impasse era a forma de pagamento.
Apesar do índice inferior ao desejado, Adilson destacou que o movimento grevista demonstrou a união e a força da categoria. A Astransp, por meio de sua assessoria, afirmou que "continua à disposição do sindicato para encerrar a questão e completar a negociação". A informação, ontem à tarde, é que não havia reunião foi agendada. A Tribuna procurou o TRT, que não se posicionou sobre o assunto.
O movimento
A greve foi deflagrada na terça-feira (dia 5), mediante impasse nas negociações salariais. No mesmo dia, a população passou o dia completamente sem ônibus, contrariando a Lei 7.783/89 - que dispõe sobre o exercício do direito de greve. Apesar de a mobilização ser um direito constitucional, o transporte coletivo é um serviço essencial, devendo ser garantida a prestação dos "serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade". Na falta de previsão legal de um percentual mínimo de oferta do serviço, 30% tornou-se praxe, a partir de jurisprudências sobre o assunto.
No primeiro dia do movimento, a população ficou à pé. O serviço de táxi não atendeu a demanda, e as retenções no trânsito completaram o cenário caótico na cidade. A Astransp ajuizou ação, e o TRT concedeu liminar exigindo a circulação mínima de 80% da frota. No dia seguinte, a decisão judicial foi descumprida, e apenas 15% dos ônibus estavam em circulação, conforme levantamento da Astransp. Em reunião no MTE, inclusive com a presença do Ministério Público do Trabalho (MPT), foi exigida a oferta mínima do serviço essencial.
No dia 7, apenas 20% dos ônibus continuaram parados. Entrou em vigor plano operacional elaborado pela Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra), garantindo o cumprimento legal e privilegiando linhas de maior demanda, que atendem os bairros mais afastados do Centro. O movimento estendeu-se até ontem, com a queixa da população em relação a atraso nos horários e imprevisibilidade da oferta do transporte coletivo.



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