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24 de Janeiro de 2014 - 07:00

Até o final de 2015, os saques do seguro-desemprego serão realizados por meio da identificação biométrica do beneficiário

Por Gracielle Nocelli

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Para Patrícia Brandão, sistema é mais rápido e seguro
Para Patrícia Brandão, sistema é mais rápido e seguro

O Brasil avança na implantação da biometria em agências bancárias e caminha para se tornar referência no uso do recurso. O sistema permite identificação, por meio de leitura das digitais, da palma da mão ou de outras características únicas dos clientes e pode substituir o uso de senha. A expectativa é que, este ano, os bancos ampliem a adoção do sistema, e o país seja o primeiro a ter maior quantidade de caixas eletrônicos com a autenticação do que o modelo de máquinas convencionais. Outro fator que contribui para esta corrida tecnológica é que, até o final de 2015, os saques do seguro-desemprego serão realizados por meio da identificação biométrica do beneficiário, conforme resolução do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). A iniciativa, segundo o órgão, pretende coibir fraudes. Em Juiz de Fora, o uso da biometria é bem aceito pelos cidadãos, que garantem que as transações ficam mais práticas e seguras.

O vice-presidente comercial e de marketing da empresa americana Lumidigm, especializada no desenvolvimento de sensores biométricos, Phil Scarfo, acredita que o Brasil sairá na frente com relação ao uso da tecnologia. Em artigo sobre as projeções do mercado para 2014, ele citou o país como referência. "Cinco dos maiores bancos brasileiros já estão adotando a autenticação biométrica. As demais instituições bancárias não devem demorar a seguir o mesmo caminho", declarou. "O Brasil, inclusive, poderá se transformar no primeiro país do mundo em que o número de caixas eletrônicos com sistema de autenticação biométrica supera os convencionais até o final deste ano, o que será um grande marco, não só para o mercado local, mas para a tecnologia biométrica e a indústria em geral."

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) confirma o aumento da implantação da biometria no país, no entanto, não possui data para que todos os caixas eletrônicos estejam equipados com o sistema. "Este é um assunto que envolve a área de negócios dos bancos, e cada um deles tem uma estratégia comercial diferente", informou via assessoria.

No Itaú, a previsão é que até fevereiro deste ano todos os caixas eletrônicos tenham a tecnologia. Sem revelar o percentual de máquinas que contam hoje com o sistema, o banco informou que todas as agências de Juiz de Fora possuem modelos disponíveis. Sem informar data, o Santander comunicou apenas que "o projeto piloto foi concluído e que, em breve, haverá implantação da tecnologia em toda a rede".

No Banco do Brasil, a adoção do sistema começou em novembro do ano passado. "Para 2014, existe a previsão de 7.400 instalações em terminais já localizados nas agências. Também teremos a aquisição de dez mil caixas com biometria que serão direcionados à rede em substituição aos antigos." A expectativa é que 100% dos caixas estejam com a identificação até 2019. Por enquanto, não há unidades em Juiz de Fora. "Em Minas, as instalações terão início em março."

A assessoria da Caixa Econômica Federal (CEF) informou que o banco iniciou a utilização da biometria no pagamento dos benefícios sociais. "'Bolsa família' e pagamentos do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) são feitos por meio da leitura digital. A Caixa já adquiriu mais de seis mil terminais de autoatendimento com leitor biométrico, dos quais cerca de três mil já foram instalados." Na agências bancárias da cidade, os juiz-foranos contam com a tecnologia.

 

Vantagens e cuidados

A aposentada Patrícia Brandão, 64 anos, conta que recebeu orientação de funcionários do banco do qual é cliente para fazer o cadastro biométrico. "Aprovei o sistema. É muito mais rápido e seguro", diz. Já um estudante, 26, que preferiu não se identificar, conta que não foi informado sobre o cadastramento quando abriu sua conta bancária, em setembro de 2012. "Quando perdi minha carteira com documentos e cartões durante uma viagem de férias, se eu usasse o sistema, poderia ter resolvido a situação de forma mais fácil", relembra.

O advogado especialista em direito tributário Daniel Jannoti Lili explica que a identificação biométrica traz segurança e facilita os procedimentos bancários. "O mecanismo dispensa o uso de senhas, letras, cartões com códigos variáveis e outros que burocratizam a vida do correntista. Na realidade, trata-se de um procedimento de identificação e validação do usuário, pois somente a própria pessoa pode realizar as operações."

O especialista destaca que, apesar dos bancos estarem adotando a biometria de forma gradativa e não obrigatória, o procedimento exige que responsáveis pela transação de terceiros formalizem este tipo de relação. "Sabemos que a intenção é de que o procedimento seja o determinado pelas instituições bancárias. Assim, aqueles que representam familiares, que tenham impossibilidade de locomoção comprovada ou qualquer outro problema de saúde que impossibilite o recebimento de um benefício, por exemplo, devem ser regularmente legitimados, por meio de procuração por instrumento público ou particular, prevendo a possibilidade de que possam realizar saques de dinheiro e demais operações bancárias, sendo cadastrado na agência como procurador daquele correntista."

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