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11 de Março de 2014 - 06:00

Açougues já pagam mais caro no atacado e planejam repasse ao consumidor

Por Tribuna

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Arrobas tem ultrapassado a casa dos R$ 100 na cidade
Arrobas tem ultrapassado a casa dos R$ 100 na cidade

As temperaturas elevadas, aliadas a ausência de chuvas nos últimos meses, têm impactado no preço da carne bovina em todo o território brasileiro, repetindo o cenário formado em igual período de 2013. Com o boi magro, resultado da falta de pastos por conta do clima, e aumento nos custos dos insumos como soja e milho - destinados à alimentação dos animais durante o período de confinamento (engorda) - as arrobas tem ultrapassado a casa dos R$ 100 na cidade, deixando a carne no prato do juiz-forano mais cara neste início de ano. Com o repasse dos custos ao consumidor de forma escalonada, o setor acredita que a alta no alimento deve chegar, até o final de abril, a 15%.

Um fator atípico destacado por especialistas este ano é a estabilidade na venda de carne vermelha mesmo durante a quaresma, quando o consumo de pescados tende a ser maior. "Nesta época do ano, o preço da carne costuma não subir, mas pela falta de boi gordo para o abate no mercado, está diferente. O aumento, porém, será gradativo, pois se o comerciante reajustar de uma vez, vai espantar os clientes", comenta o presidente do Sindicato Rural de Juiz de Fora, Domingos Frederico Netto, acrescentando que, há seis anos, a arroba do animal era comercializada em Juiz de Fora por valores entre US$ 20 e US$ 24, um pouco mais de R$ 50, e no último ano pulou de R$ 80 para R$ 108.

Nos açougues, os comerciantes têm procurado não repassar, ainda, a alta para os consumidores. "Isto era esperado devido a seca, mesmo estando no período de chuvas, quando a tendência do preço da carne é cair. No atacado, o aumento já chegou aos 15%, mas ainda não o repassamos para o varejo, mas não descartamos um reajuste ainda nesta semana", ressalta o gerente do Açougue Jurema, Wilton Lima Machado.

Em outro estabelecimento, no Açougue Bom Bife, o gerente Luciano Barboza do Nascimento explica que o repasse ao consumidor, que na loja deve chegar a 10%, vai acontecer apenas em abril. "Este ano está mais difícil. Além de todos os fatores climáticos, há o volume de exportação, que faz com que a carne não chegue com fartura até a mesa do brasileiro. Ao mesmo tempo em exportar ajuda o país, atrapalha o mercado interno. Os produtos existentes ficam sucateados, e o consumidor acaba pagando mais caro por eles".

Nos supermercados, os empresários ainda aguardam a baixa nos valores em função da quaresma. "É um momento atípico para nós, mas ao considerarmos que este cenário começou a ser desenhado em 2013, podemos dizer que o preço está estabilizado em patamares altos. Ocorre que as exportações tem contemplado as chamadas 'carnes de segunda', como músculo, acém e peito, que ganharam público fora do Brasil. Com isso, estes produtos ficam escassos internamente, fazendo com que os valores subam. As 'carnes de primeira' mantêm os preços que são, por natureza, mais altos," pontua o gerente de marketing do Bahamas, Nelson Júnior.

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