Juiz de Fora tem chances reais de atrair outras montadoras, além da Mercedes-Benz, que fabrica caminhões na planta local, e da Fiat, que pretende construir um centro de distribuição no município. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (1) pelo ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que esteve na cidade para participar do evento "Plano de desenvolvimento industrial regional - rotas do futuro", realizado por Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Fundação João Pinheiro, Sebrae e VB Comunicação. Além do interesse de empresas do ramo pelo município, formalizado ao Governo federal, Pimentel confirmou o projeto da Mercedes-Benz de voltar a fabricar automóveis, especialmente carros de luxo, de olho na chegada de concorrentes ao país. Para o ministro, a cidade já é um polo do setor.
"Eu não quero falar sobre isso, se a gente anuncia antes da hora pode matar (o investimento). Uma coisa posso adiantar: há consultas de montadoras interessadas em vir para Juiz de Fora. Não quero falar ainda nomes, porque criaria uma expectativa antes da hora", justificou Pimentel. Sobre a Mercedes, a informação é que houve consulta formal sobre a possibilidade de voltar a produzir também automóveis, dentro do novo regime automotivo (redução do IPI proporcional ao aumento da nacionalização). "Não tomaram essa decisão, mas fizeram uma série de consultas para ver as condições." O motivo seria a chegada de concorrentes ao país. Um exemplo é a BMW que, segundo o ministro, vai anunciar, nos próximos dias, uma fábrica em Santa Catarina. "Como é a principal concorrente da Mercedes no segmento carros de luxo, a montadora está se mobilizando para reagir a isso. Está cedo ainda, só fizeram uma consulta, mas os sinais são muito positivos."
A Mercedes, por meio de sua assessoria, confirma que está sendo avaliada a possibilidade de voltar a ter uma fábrica de automóveis no Brasil. "Não existe uma confirmação, é uma possibilidade em estudo." A expectativa é que exista anúncio em breve. Questionada se Juiz de Fora poderia ser contemplada, apesar da recente conversão da fábrica para produção de veículos comerciais, a informação é que a empresa precisa definir sobre a viabilidade para depois analisar o local da nova fábrica.
Para o ministro, as perspectivas para a indústria regional são positivas. "A indústria de Juiz de Fora e da Zona da Mata está vivendo um momento importante. Novas possibilidades estão se abrindo." Pimentel reconheceu a importância da Zona da Mata na economia do estado e do país, destacou os investimentos em infraestrutura anunciados, como a duplicação da BR-040 até Brasília, e a discussão sobre a possível retomada do projeto do contorno ferroviário. O ministro enumerou como vantagens o Porto Seco e o Aeroporto Francisco Álvares de Assis - o Serrinha, "que está sendo utilizado, mas pode ser remodelado", a posição estratégica da Zona da Mata no contexto econômico brasileiro e a indústria, "que pode ser revitalizada e potencializada". Concluiu que, "destravando gargalos estruturais", a perspectiva é de crescimento nos próximos anos.
Empresários fazem reivindicações para a região
Antes da palestra "O desenvolvimento regional e os novos rumos da economia brasileira", o ministro ouviu reivindicações de agentes empresariais e políticos da cidade e região. O prefeito Bruno Siqueira (PMDB) definiu como prioridade a inclusão das obras viárias no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), objeto de reunião no mesmo dia com parlamentares federais. Bruno lembrou a perda de empresas para cidades fluminenses por conta da guerra fiscal e avaliou que a "situação começou a melhorar muito".
Já o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, cobrou proposta de proteção ao setor de confecção, encaminhada ao Governo federal por meio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Definiu a vocação industrial em números: 8.721 indústrias, com mais de 120 mil empregos diretos, e citou a necessidade de equilibrar a oferta de mão-de-obra qualificada à demanda. A política tributária, a guerra fiscal, a concorrência desleal com os importados chineses e o câmbio desfavorável foram apontados como lacunas a serem vencidas na busca pelo desenvolvimento sustentável.
Na opinião do presidente do Sistema Fiemg, Olavo Machado Júnior, a Zona da Mata sofre com a pressão da proximidade e concorrência dos municípios fluminenses. Sobre o cenário mineiro, citou a facilidade de acesso ao crédito, mas ponderou que há falta de capital de giro, principalmente para micros e pequenas empresas. Olavo levantou duas bandeiras: a desburocratização e a valorização dos funcionários públicos e dos representantes políticos da região.
"Turbinas"
Durante a palestra, o ministro comparou o país a um avião, com quatro turbinas: exportação de commodities, consumo das massas, investimento em infraestrutura e habitação (Programa minha casa, minha vida), que fazem do Brasil um dos maiores mercados do mundo para a maioria dos produtos. Na sua opinião, Juiz de Fora, Zona da Mata e Minas Gerais devem aproveitar "o impulso dos quatro motores e adequar as economias a estas turbinas", aconselhou.
O ministro avaliou que, apesar do grande impulso industrializante vivido pelo país no final do século XIX, Minas Gerais e Zona da Mata não avançaram, ao contrário de São Paulo, que tornou-se polo industrial. O segundo esforço industrial, nos anos 1970 e 1980, resultou na atração de siderúrgicas para o estado, mas foi afetado por escalada da inflação e crise econômica. "Durante esses impulsos, Juiz de Fora conseguiu atrair empresas, como Mercedes e, mais recentemente, Brafer, Codeme e Açotel."



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