O segundo dia de greve de motoristas e cobradores do transporte público de Juiz de Fora causou impacto direto nas vendas do comércio do Centro, que registraram queda de 50% conforme estimativa do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF). O presidente da entidade, Emerson Beloti, relatou que, novamente, a rotina de trabalho nas lojas foi prejudicada. Na terça-feira, quando a greve teve início, o comércio sofreu com a ausência e o atraso de colaboradores. "A situação se repetiu. Os funcionários que moram mais longe faltaram ao serviço e 15% chegaram atrasados", afirmou.
Na opinião de Beloti, a greve precisa ser revista. "Está causando impacto negativo na vida das pessoas. As autoridades competentes deveriam intervir para fazer valer a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT)." O órgão determinou que o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro) garantisse 80% da frota nas ruas, mas a decisão não foi cumprida.
De acordo com o advogado do Sindicomércio, Rubens de Andrade Neto, a ação judicial que seria protocolada no plantão de terça-feira à noite foi adiada em função da decisão do TRT, que determinou, na noite de terça-feira, ao Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro) que garanta a presença no trabalho dos profissionais necessários ao funcionamento de 80% da frota de transporte coletivo em Juiz de Fora. Segundo ele, o sindicato optou por aguardar o resultado da reunião de ontem entre o Ministério Público do Trabalho, Sinttro, Astransp e MT para agir. "Caso o Sinttro mantenha a posição de não oferecer o serviço a população, entraremos com uma ação de perdas e danos contra o sindicato. Essa ação impacta toda economia local e gera um grande prejuízo para toda a cidade", afirma.
Nesta quarta-feira (6), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) publicou nota oficial rechaçando a greve. Segundo a diretoria da entidade, o movimento tem causado "prejuízo junto aqueles que nada têm a ver com as negociações entre motoristas, cobradores e empresários do setor." De acordo com o presidente da CDL, Vandir Domingos, "é justa a luta dos trabalhadores pelos seus direitos, mas quando essa luta gera um desrespeito, por exemplo, à lei que garante um mínimo de frota em funcionamento, não podemos concordar com isso", criticou.
A dona de uma padaria na Rua Ibitiguaia, em Santa Luzia, Zona Sul, Regina Célia Fialho, conta que teve que buscar os funcionários em casa, para não fechar as portas do estabelecimento. Ela acabou se deslocando até os bairros Granjas Betânia, na região Nordeste, e Sagrado Coração de Jesus, Zona Sul. Regina diz que o movimento da padaria também caiu. "Muita gente não sai de casa, só se tem que trabalhar, e as crianças acabam não indo à aula", explicou.
A história se repetiu em uma loja de acessórios femininos localizada no Calçadão da Rua Halfeld, Centro. A gerente, Jaqueline de Souza Justino, diz que, na terça-feira, os funcionários acabaram se atrasando e ela mesma precisou pegar um táxi do Bairro Barbosa Lage, onde mora, para conseguir trabalhar. Tentando evitar que a mesma coisa acontecesse ontem, o proprietário do estabelecimento buscou todos os trabalhadores em casa. Em relação às vendas, Jaqueline disse que houve queda de 90%. "Hoje (ontem) já está um pouco melhor, porque alguns ônibus estão circulando. Mas ontem (terça-feira), só os funcionários estavam na loja".



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