O comércio viveu maus momentos em 2012. A perda da mão de obra para o setor de serviços, o endividamento dos consumidores e o aumento de custos fixos das empresas diante da redução das vendas desenharam um cenário de dificuldades e incertezas. "Ainda bem que acabou", desabafa o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti. Segundo ele, além de todos esses fatores, os empresários continuaram enfrentando os altos encargos tributários e as burocracias trabalhistas. "Não foi um bom ano, todos os segmentos do comércio sentiram. Alguns com mais, outros com menos intensidade. Se atingirmos um balanço positivo das vendas, o crescimento será entre 2% e 3%, no máximo."
Beloti explica que a expansão do setor de serviços trouxe para o comércio uma disputa por mão de obra. "As empresas já estavam trabalhando no limite e, quando perdiam um colaborador, a situação piorava. Para reter e atrair profissionais, foi preciso aumentar a oferta de salários sem ver o faturamento crescer." Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho comprovam esse cenário.
Nos últimos dois anos, o saldo de vagas no comércio caiu 50%, enquanto que no setor de serviços o saldo cresceu 96%. De janeiro a novembro de 2010, foram abertas 2.877 vagas em prestadores de serviço. No mesmo período do ano passado, esse número pulou para 5.641. No comércio, o saldo nos primeiros 11 meses de 2010 era de 1.038. No ano passado, foram contabilizadas 516 oportunidades. "O Brasil está se tornando o país dos serviços, e Juiz de Fora está seguindo esta tendência", afirma Beloti.
Na avaliação do empresário, as medidas de incentivo do Governo, como redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para linha branca e automóveis, impactaram de forma diferente o comércio. "No primeiro caso, o setor ganhou fôlego com a demanda de interessados em aproveitar os descontos. No segundo, nós tivemos muitos segmentos que sofreram com a diminuição do poder de compra dos consumidores que comprometeram a renda em muitas parcelas para aquisição de veículos."
Outra dificuldade para os lojistas é o preço de alugueis.
No caso dos aluguéis, o reajuste chegou até 40% para imóveis comerciais na área central em 2012. De acordo com o presidente da Associação Juizforana de Administradores de Imóveis (Ajadi), Antônio Dias, 2012 foi um ano de reajustes. Segundo o proprietário da imobiliária Invest, Washington Frade Pires, as altas chegaram a até 40%. "Atualmente, uma loja de 30 metros quadrados na Braz Bernardino é encontrada por R$ 7.500 mensais", aponta.
Lojista baixa preços para manter vendas
Proprietária de três lojas em diferentes shoppings da cidade, Deborah Travassos conta que foi preciso diminuir os preços para conseguir manter bons resultados no ano passado. "Se não adotássemos esta estratégia, não conseguiríamos vender", diz. Há doze anos no mercado, ela afirma que a rotatividade de mão de obra é um constante desafio. "Muita gente enxerga no comércio a oportunidade do primeiro emprego, diante da dificuldade de contratar, abrimos oportunidade para pessoas também inexperientes."
Em 2013, ela aposta em um ano melhor. "Sou otimista e acredito que inovando, investindo em qualidade de atendimento, atualizando os produtos e percebendo a necessidade do público consumidor será possível ter bons resultados." A opinião é compartilhada pelo presidente do Sindicomércio-JF, Emerson Beloti. "O empresário tem que acreditar sempre. Espero que este ano o setor de serviços viva um momento de estabilidade e o que o Governo adote medidas que valorizem a nossa economia, assim o comércio será próspero."
Na visão do economista e diretor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Lourival Batista, 2013 será um ano de cautela. "Ainda há muitas incertezas, a crise mundial não foi solucionada e as perspectivas de crescimento são pequenas, mas acredito que a economia juiz-forana terá momentos de dinamização com a consolidação de empreendimentos industriais e o crescimento do setor da construção civil. Tudo isso causará impacto positivo direto no nosso comércio."



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