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05 de Janeiro de 2014 - 07:00

Gasto com mão de obra representa até 60% da taxa paga pelos moradores, enquanto despesas com água e luz consumem cerca de 20%

Por GRACIELLE NOCELLI

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Tereza Lagrota diz que a área de lazer foi um  fator decisivo na hora de comprar o apartamento
Tereza Lagrota diz que a área de lazer foi um fator decisivo na hora de comprar o apartamento

Há um ano, após colocar as contas no papel, uma aposentada de 69 anos, que preferiu não ser identificada, decidiu mudar do edifício em que morava para outro, localizado na mesma rua, no Centro. "Eu pagava R$ 550 de condomínio para morar em um apartamento de três quartos em um prédio que só oferecia portaria 24 horas e elevador. Quando pesquisei, vi que poderia pagar a mesma taxa pelo local que moro hoje, também com três dormitórios", relembra. Além dos mesmos serviços, o novo prédio - que tem um número bem maior de condôminos - oferece piscina, salão de festas, playground, quadra de esportes, jardim e esquema de segurança com câmeras. "Foi um ótimo negócio", garante.

O encarecimento no valor dos condomínios e a expansão da oferta de serviços nos prédios residenciais da cidade aumentaram o desafio do juiz-forano para encontrar seu perfil de consumo e fazer a conta caber no orçamento do mês. Segundo a Associação Juiz-forana de Administradoras de Imóveis (Ajadi), o custo da taxa de condomínio pode chegar a R$ 2.500, dependendo das características do imóvel. A maioria das famílias de classe média, porém, paga entre R$ 400 e R$ 1.500, ainda segundo estimativa da entidade.

"Vários itens interferem no preço, mas a mão de obra é o principal deles", explica o presidente da Ajadi, Antônio Dias. Ainda assim, ele destaca que não é possível definir o perfil de imóveis que possuem a cobrança mais cara. "Há casos em que o edifício oferece menos serviços, mas por ter o número de condôminos reduzido, a taxa é alta."

Como exemplo desta variação, Dias cita um prédio localizado no Bairro São Mateus que possui apenas oito apartamentos, cada um com quatro quartos. O edifício oferece serviço de portaria e câmera de segurança. "O valor do condomínio chega a R$ 2.500 porque os custos são divididos por poucas pessoas", afirma. Na avaliação dele, o preço é considerado exagerado com relação ao que é praticado no mercado local.

De acordo com levantamento realizado pela empresa Lello, que atua na área de administração de condomínios em São Paulo, a folha de pagamento dos funcionários corresponde até 60% das despesas de um edifício residencial. Já o consumo de água e luz representa cerca de 20% da taxa, enquanto os contratos de manutenção, até 15%. A realidade juiz-forana é similar. Ajadi e administradoras de condomínios da cidade afirmam que o número de funcionários representa a principal fatia nos custos dos condomínios.

A gerente da administradora Metrópole, Gislene Moraes, compara a diferença de preços entre as taxas de dois prédios localizados entre os bairros São Mateus e Alto dos Passos que possuem o mesmo número de moradores. "Ambos oferecem os mesmos serviços, mas em um deles há apenas o trabalho de um zelador, no outro há portaria 24 horas", explica. Por conta disso, os valores dos condomínios apresentam uma diferença de 133%. "Os preços são de R$ 900, para os moradores do prédio com um funcionário, e R$ 2.100 para aqueles que têm o serviço de quatro porteiros."

 

 

Alternativas para baratear os custos

Diante da elevação de preços dos condomínios em Juiz de Fora, muitos edifícios estão buscando soluções alternativas para baratear a taxa. "O aumento de preços não tem sido estrondoso, mas está sempre acima do índice inflacionário", diz Antônio Dias. Ele explica que isto se deve ao fato de a correção salarial dos trabalhadores dos edifícios também ser superior à inflação. "Os salários precisam oferecer ganho real aos profissionais." O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o mais usado para medir inflação de aluguéis, fechou em 0,29% em novembro de 2013, registro mais recente. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 5,60%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para medir a inflação, ficou em 0,54% em novembro e 5,77% no acumulado do período. Em contrapartida, o aumento do salário mínimo, de R$ 678 para R$ 724, representou ganho real de 1,18% para o trabalhador.

Na tentativa de conter os gastos, os condôminos de um edifício localizado no Bairro Cascatinha optaram por reduzir o quadro de pessoal. A síndica, que preferiu não se identificar, relata que esta foi uma das alternativas encontradas para baratear o valor da taxa, que atualmente chega a meio salário mínimo. "Antes tínhamos a portaria 24 horas, agora não temos mais o porteiro no intervalo de menor movimento, entre 6h e meio-dia." Além disso, ela diz que foram instalados sensores de luz em todos os andares com o objetivo de diminuir a conta de energia. "Também não temos o serviço de uma empresa administradora. Toda a administração é tarefa do síndico", explica. "Com essas medidas, estamos conseguindo reduzir o valor da taxa."

A Ajadi alerta que é preciso cuidado na hora de optar pelo corte de gastos. "É importante não colocar em risco os moradores. Sabemos que a presença de porteiros, a instalação de câmeras e as manutenções de elevadores, por exemplo, são garantias de segurança aos condôminos", orienta Antônio Dias.

 

 

Área de lazer não significa encarecimento

Apesar de demandar um número maior de funcionários e materiais para a realização dos serviços de manutenção, a área de lazer de um prédio não significa, necessariamente, que o valor do condomínio será mais alto em comparação com o edifício que não a possui. "Como a taxa é um rateio de custos, prédios menores sem área de lazer podem ser mais caros", explica a gerente da administradora Teccon, Fernanda Oliveira.

Segundo ela, a empresa administra um edifício no Bairro Santa Helena que tem 12 apartamentos e oferece os serviços de portaria 24 horas, elevador e câmeras. "Os moradores pagam R$ 1.150 de taxa, sobretudo, pelo esquema de segurança e a localização privilegiada", analisa a gerente. Em outro condomínio, localizado no Bairro Estrela Sul, os condôminos dispõem de uma vasta área de lazer e pagam 60% menos. "O local oferece piscina, salão de festas e de jogos, churrasqueira, quadra de esportes, academia e sauna. O valor da taxa é de R$ 450", afirma. Ela diz que isso é possível porque o empreendimento tem 84 apartamentos, número seis vezes maior do que o total de imóveis do prédio do Bairro Santa Helena.

 

 

 

Mercado segue grandes centros

Embora o maior número de apartamentos por prédio possa representar aumento do uso de energia elétrica e água, os empreendimentos com vasta área de lazer, sobretudo os recém-construídos em Juiz de Fora, reservam a característica de terem unidades menores, conforme explicação do presidente da Associação Juiz-forana de Administradoras de Imóveis (Ajadi), Antônio Dias. "De uns oito anos para cá, percebemos esta mudança no mercado imobiliário local. Grandes empresas de fora trouxeram esse modelo, que tem sido bem aceito pelos juiz-foranos", avalia.

 

Perfil

O casal com filhos pequenos é o principal perfil consumidor que valoriza a área de lazer na escolha de um imóvel, segundo informações da Ajadi. "Há ideia de que os serviços oferecidos serão desfrutados pelas crianças por muito tempo, durante a infância e adolescência. A taxa do condomínio não é a maior preocupação", diz o presidente da associação.

Este foi o caso da funcionária pública Tereza Lagrota, 48 anos. "Quando meu marido e eu decidimos nos mudar, quem escolheu o prédio foram nossos filhos. A área de lazer foi um fator decisivo", relata. A família não se importou em encarecer as contas pagando uma taxa de condomínio mais alta. "Eu sabia que seria importante para o desenvolvimento deles. É um espaço de convivência que permitiu que a infância dos meus filhos fosse saudável, não só em frente ao computador", avalia. "Além disso, nós tínhamos a tranquilidade por saber que aqui eles estavam seguros."

Segundo ela, nove anos depois, a área de lazer ainda é bem aproveitada pela família. "Os meninos usam a quadra de esporte, e nós já fizemos comemorações no salão de festas. Recentemente, sugeri a síndica para que iniciássemos aulas de dança. É uma oportunidade de socialização entre todos."

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