Sem ônibus e com a explosão da demanda por táxis, juiz-foranos relataram utilização de serviços irregulares de transportes e de cobranças abusivas por parte de taxistas. A doméstica Sandra Maria Vital conta que vans estariam circulando pela cidade e cobrando preços fora da realidade. "Eu preferi dormir na casa de meu namorado, porque as vans estão cobrando R$ 10 para levar as pessoas ao Centro". A Tribuna flagrou um desses veículos, pela manhã, deixando uma passageira em um ponto de ônibus na Rua Dom Silvério, no Alto dos Passos, Zona Sul. Quando viu que estava sendo fotografado, o motorista desceu do veículo e alegou que prestava serviço para empresas e que, naquele momento, estaria seguindo para o Poço Rico, na Zona Sudeste. Segundo ele, a passageira que desceu da van era sua irmã.
Já o médico Jair Pires conta ter desembolsado R$ 78 por um táxi que pegou sua empregada doméstica no Nova Era, Zona Norte, e a levou até São Pedro, Cidade Alta, onde mora. Ele relata que orientou a funcionária a utilizar o serviço, pois pagaria o custo extra. "Quando ela me contou, fiquei indignado e procurei saber de outros taxistas qual seria o valor estimado dessa corrida. Todos foram unânimes em dizer nunca chegaria a R$ 40". Para ele, o motorista teria "se aproveitado da falta de transporte coletivo em Juiz de Fora".
Uma mulher, que preferiu não se identificar, disse que estava esperando táxi, na terça-feira por volta de 13h30, em frente a um supermercado na Avenida Benjamim Constant, quando um automóvel de passeio apareceu, e o motorista lhe ofereceu uma corrida. "Ele disse ser taxista e que fazia corridas particulares também em épocas de festa. Estava louca por um táxi e resolvi pegar aquele carro mesmo". Ela conta que pagou R$ 8 para ser levada até a parte alta da Espírito Santo, o mesmo valor que desembolsaria em um táxi.
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Juiz de Fora e região, Aparecido Fagundes da Silva, considera abusiva a cobrança além do que é registrado no taxímetro, caracterizando-a como "um roubo". Ele alerta a população para que anote a placa do carro e o horário do problema ocorrido para formalizar uma queixa, pois somente assim seria possível formalizar uma denúncia. "Essa prática prejudica toda categoria, que fica mal vista diante da população". O uso de carro particular também é repudiado pelo sindicato, já que, segundo Aparecido, o transporte remunerado só pode ser feito com veículos autorizados.
Sobre o transporte realizado por veículos irregulares, a assessoria de imprensa da Astransp afirmou que não existe transporte clandestino na cidade e que a ocorrência de situações similares são completamente atípicas. "Astransp, Settra, Polícia Militar e Dnit realizam fiscalização regularmente e, por isso, podemos afirmar que esta não é uma realidade na cidade."



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