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05 de Dezembro de 2013 - 07:00

Cemig reconhece seis grandes interrupções no ano; registros da Aneel mostram alta de 31,55% nas ocorrências

Por Pedro Brasil (colaborou Gracielle Nocelli)

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As interrupções no fornecimento de energia aos juiz-foranos ficaram mais frequentes este ano, especialmente no segundo semestre. Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foram registradas seis grandes interrupções na cidade em 2013, cinco delas no segundo semestre (ver quadro). Na lista, como é de praxe no setor, estão apenas interrupções superiores a três minutos e que tenham atingido mais de 20 mil unidades consumidoras. O crescimento do problema pode ser sentido também no acompanhamento feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo os registro, considerando a média entre as subestações que atendem à cidade, a frequência das quedas, chamada de Frequência Equivalente por Consumidor (FEC), cresceu 31,55% entre 2012 e 2013. A Cemig se limitou a dizer que os motivos para as suspensões no serviço, que vêm trazendo prejuízo aos clientes da companhia, vão além do tempo instável e das pancadas de chuva.

Segundo a Aneel, as concessionárias de energia possuem metas mensais, trimestrais e anuais de fornecimento para os clientes. A avaliação pode ser feita individualmente, por cada medidor de energia elétrica, ou em grupo. Na fatura da Cemig, esses valores estão expressos no campo indicadores de qualidade de fornecimento. Caso esses índices ultrapassem o limite permitido, a concessionária é obrigada a fazer o ressarcimento do valor na próxima fatura, tendo o prazo máximo de até 60 dias. De acordo com a Cemig, em Juiz de Fora, a média mensal estabelecida pelo órgão regulador é de três horas por mês para a área urbana e seis horas para os usuários, apesar da avaliação ser individual e levar em conta fatores variados, como a distância para o local que fornece a energia, por exemplo.

No site da Aneel estão registradas as compensações feitas pelas concessionárias em função do descumprimento de metas. Em 2012, a Cemig pagou R$ 36,3 milhões em 11,3 milhões de compensações aos clientes. Nesse ano, o número é menor: até agosto, foram R$ 16,02 milhões para 6,05 milhões de clientes.

No último dia 22, o supermercado Rede Opa, na Rua Olegário Maciel, teve que fechar as portas por 40 minutos. "Nós já temos o gerador para evitar a queda de energia, mas ele estava com problema. O nosso sistema operacional não permite a venda de produtos sem a impressão do cupom fiscal", afirmou o proprietário do local, Hélio Ribeiro da Silva. A dona do salão de beleza Karol Rossi, também na Olegário Maciel, ficou duas horas sem fornecimento de energia, na mesma sexta-feira, o que complicou seu trabalho. "Por sorte, estava fazendo um procedimento que não usa energia. Coloquei a cliente praticamente na rua para aproveitar a luz do sol e acabei o serviço, mas foi muito constrangedor", afirmou Karolina Rossi.

O prejuízo sentido pelos juiz-foranos, porém, não é restrito aos seis cortes de grande alcance registrados pela Cemig ao longo do ano. Na noite de terça-feira, quatro mil clientes da Cidade Alta ficaram sem energia por aproximadamente uma hora. No dia anterior, no Alto dos Passos, um problema registrado em um transformador interrompeu o fornecimento do serviço para 260 consumidores. No sábado, dia 23, no bairro Granbery, um professor de informática teve que suspender suas atividades."O problema foi a ausência de uma previsibilidade mais assertiva para o conserto. A energia acabou entre 14h e 14h30. Somente às 15h tivemos um posicionamento da empresa, de que a luz iria demorar 90 minutos para retornar. Depois, a energia voltou em 40 minutos, mas já tinha liberado os alunos", afirmou Eduardo Davila Albuquerque.

 

Índices de JF são normais, diz especialista

De acordo com o professor da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora, que ministra as aulas de proteção de sistemas elétricos e distribuição de energia elétrica, Leandro Ramos de Araújo, os índices em Juiz de Fora estão dentro da normalidade. "Em um ano, nós temos mais de 8.600 horas. Se você pensar que estamos perdendo apenas 7,74h, em média, é uma fração mínima de tempo. É óbvio que para o consumidor parece muito, mas algumas situações são impossíveis de serem previstas pela empresa".

De acordo com o especialista, entre as principais alternativas para minimizar o impacto desses incidentes, três já estariam sendo implementadas pela Cemig. A melhor delas seria a implementação da rede subterrânea e interligada, como existe no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, mas o custo é altíssimo, o que inviabilizaria a execução. Entre as alternativas viáveis, a mais barata é a implementação da rede protegida, ou seja, a substituição da rede de transmissão de energia. Essencialmente, seria a troca da rede de transmissão (cabos e outros aparelhos) por versões em materiais mais compactos e grossos, mais resistentes a possíveis situações de impacto, como já acontece nos Bairros Dom Bosco e São Pedro.

A segunda alternativa é a implementação das chaves telecomandadas, ou self healing ("auto-cura", em inglês). Essa tecnologia faz com que, caso uma subestação fique sem energia, ela se comunique com a central e, desta forma, receba energia por outro caminho elétrico. A terceira e mais cara possibilidade é a compra de novos equipamentos alimentadores de distribuição, que funcionariam como reservas. "Aqui, o tempo de recuperação do sistema é menor, mas o custo é muito maior", explica Araújo.

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