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08 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Para a categoria, possível transferência do faturamento de importados e indicativo de férias coletivas também são motivo de alerta

Por Fabíola Costa

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As demissões na planta juiz-forana, a possível transferência da distribuição e do faturamento de veículos importados da cidade para Iracemápolis, em São Paulo, e indicativo de 30 dias de férias coletivas para os funcionários locais foram motivos suficientes para que entidades de classe que representam os metalúrgicos acionassem lideranças políticas. O receio é de um possível esvaziamento da fábrica, que hoje utiliza cerca de 35% da sua capacidade produtiva, fabrica dois caminhões e mantém entre 800 e 850 funcionários, sendo que já chegou a ter mais de mil. Nesta sexta-feira (7), não houve produção na cidade, sendo concedida licença remunerada a funcionários.

Na terça-feira, está agendada reunião com o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges. O encontro foi marcado pela deputada federal Margarida Salomão (PT), após ser procurada pela categoria. No dia 19, está prevista audiência pública na Câmara Municipal de Juiz de Fora para tratar do mesmo assunto.

Conforme o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, desde setembro do ano passado, a montadora estaria fazendo entre cinco e dez cortes todos os meses na planta local. Em conversa com executivos da empresa nesta sexta, o presidente teria recebido a informação de que seria necessário fazer mais demissões na cidade, além da previsão de férias coletivas, ainda sem data para começar. Segundo João César, a categoria quer discutir a criação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), para que os cortes não sejam aleatórios e possam seguir um "critério de justiça" . "Os trabalhadores estão inseguros." Em função disso, comenta, o sindicato está buscando apoio para a causa. "É uma situação que chama a atenção e preocupa." O temor, segundo ele, é que exista uma política de esvaziamento da unidade em curso.

O diretor da Federação Estadual dos Metalúrgicos de Minas Gerais, Júlio César Franca de Oliveira, considera que os cortes em Juiz de Fora estão "em um nível bastante acentuado, fora do normal". Só nos dois primeiros meses do ano, exemplifica, já teriam acontecido mais de 30 dispensas na cidade. O excedente contabilizado pela empresa ainda seria superior a cem trabalhadores. "A situação nos preocupa, porque a empresa já é enxuta." Conforme Júlio César, informações extraoficiais dão conta de que teria havido redução estimada em 800 unidades na meta de produção de 15 mil veículos este ano. O diretor também cita a transferência do faturamento dos importados de Juiz de Fora para Iracemápolis, motivo da greve de frotistas que compromete o escoamento da produção há mais de 20 dias. "Não sabemos como será o futuro."

A deputada federal Margarida Salomão (PT) comenta que estará presente na reunião em Brasília, junto com representantes do sindicato e da federação. "Vejo com enorme preocupação o risco de redução das atividades da empresa, em função da perda de empregos e do impacto para o desenvolvimento econômico da região." Margarida destaca, ainda, a repercussão fiscal negativa para Juiz de Fora da transferência do centro de distribuição para Iracemápolis. Conforme a deputada, será solicitada ao líder da bancada, o deputado Vicentinho (PT-SP), a realização de uma audiência conjunta entre as comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público, além de Desenvolvimento, Indústria e Comércio para tratar do processo de desindustrialização mineira no Congresso Nacional. Vicentinho foi metalúrgico e presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Procurada, a Mercedes-Benz, por meio de sua assessoria, afirmou que não pode confirmar o número de demissões na cidade. A montadora destacou a nacionalização do modelo Actros, produzido na unidade local, e o otimismo em manter o nível de produção e as vendas de caminhões em relação ao ano passado.

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