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09 de Março de 2014 - 06:00

Elas superaram os homens no comando de novos negócios (52,2%). Em MG, três em cada dez pequenas empresas são lideradas por mulheres

Por GRACIELLE NOCELLI

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 Cláudia Scaldini levará sua marca   ao Rio de Janeiro no mês que vem
Cláudia Scaldini levará sua marca ao Rio de Janeiro no mês que vem

A presença feminina no cenário econômico empresarial tem sido crescente nos últimos anos. Em 2013, o número de mulheres à frente de novos negócios - empresas com até três anos e meio de atividade - ultrapassou o de homens, chegando a 52,2% no país, conforme dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) realizada em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Do total de brasileiras que criaram recentemente o seu próprio negócio, 66% o fizeram por oportunidade, o que significa que a decisão foi analisada previamente. Em Minas Gerais, a difusão da cultura empreendedora entre as mulheres também apresenta números consideráveis: 31% dos pequenos negócios, entre empresas já estabelecidas e recém-criadas, são comandadas por elas.

A realidade se reflete em Juiz de Fora, onde lideranças femininas buscam consolidação e novas oportunidades de crescimento. "Desde o ano 2000, estamos percebendo a ampliação da participação das mulheres no ambiente empresarial da cidade. As competências masculinas e femininas são diferentes. No caso delas, a facilidade em gerenciar muitas tarefas ao mesmo tempo e a sensibilidade em observar os detalhes com mais atenção são características positivas na hora de empreender", analisa o gerente regional do Sebrae Minas, João Roberto Marques Lobo. Ele destaca que as juiz-foranas estão conquistando espaço antes predominantemente ocupados por homens. "Temos lideranças em vários segmentos da indústria como alimentação, construção civil e farmácia."

Em 2003, a empresária Valéria Vieira assumiu o comando da Temperos Vieira, no mercado desde 1965. "A empresa foi criada pelo meu tio. Decidi assumir a gestão quando ele optou por vendê-la", relembra. Em dez anos à frente do empreendimento, ela conta que foi preciso muito cuidado para organizar a vida como empresária, esposa e mãe de três filhos. "Nesse tempo ainda assumi funções no Sindicato das Indústrias de Alimentação, exercendo a presidência por quatro anos. Aprendi e continuo aprendendo muito. Acho que a mulher tem essa facilidade de executar várias tarefas. Além disso, conseguimos dosar a razão e a sensibilidade." Valéria integra o grupo de 41% das empresárias mineiras que estão a frente de negócios já estabelecidos e 42% que possuem ensino superior.

Ainda sobre o perfil das empreendedoras mineiras, a pesquisa do Sebrae revelou que 87% querem fortalecer a marca e 70% pretendem lançar novos produtos e serviços. "A mulher assimilou sua real importância no mundo do trabalho", avalia a analista de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas, Carolina Xavier.

 

Novos mercados

Aos 26 anos, Cláudia Guimarães Scaldini está a frente da camisaria Scaldini. "É um negócio familiar, criado em 1987. Desde adolescência gostava de ajudar meus pais", diz. Hoje, formada em administração, ela é responsável por gerenciar as três unidades da marca em Juiz de Fora, e uma loja em Ubá. Em abril, a empresa irá abrir a primeira franquia no Rio de Janeiro. "Sentimos a necessidade de ganhar novos mercados. A opção de me tornar franqueadora foi porque acredito que a produtividade é maior quando o proprietário está por perto. Além disso, o investimento da nossa parte é menor."

Como desafio para a nova empreitada, Cláudia destaca o trabalho para repassar a identidade da empresa para quem vai assumir a franquia carioca. "Exige muito cuidado, muita atenção nos detalhes. Temos que levar a alma da nossa loja para que os clientes consigam nos enxergar." Sem revelar valores, ela garante que o negócio pode ser bem lucrativo e, se tudo der certo, pretende abrir novas franquias.

 

 

No Brasil, mais de 65 mil mulheres comandam uma franquia, o que representa 48% de todos os franqueados do país. O faturamento destas empresas chega a ser 34% maior do que daquelas que são lideradas por homens. Os dados são da pesquisa feita pela empresa Rizzo Franchise. Ainda de acordo com o levantamento, só no ano passado, 500 mil empreendedoras se candidataram a uma franquia no país.

"Há 20 anos pesquisamos o perfil do franqueado brasileiro. Desde 2007, a participação de mulheres na busca por uma franquia teve um expressivo crescimento, indo de 42% para 48%', explica o especialista e autor da pesquisa Marcus Rizzo. Os setores mais procurados por elas são saúde e beleza, acessórios pessoais e fast food, nesta ordem. "Os anos 90 marcaram o processo de emancipação feminina. Acredito que os principais motivos que levaram as mulheres a se interessar pelo ramo de franquias foram o desejo de continuar a carreira como empreendedoras no negócio próprio e a possibilidade de estar mais perto de casa, da família."

Para Rizzo, os bons resultados alcançados pelas lideranças femininas se devem a algumas características inerentes à mulher. "Elas são mais focadas, automotivadas e sabem ouvir. Além disso, participam integralmente dos programas de treinamento, possuem maior estabilidade com a equipe de funcionários, gerando, assim, menor rotatividade de pessoal, e estão mais presentes no dia a dia do negócio."

Do total de 131 franquias instaladas no Independência Shopping, em Juiz de Fora, 53 são comandadas por mulheres. Mas a presença feminina não para por aí: 80 empreendimentos possuem mulheres no cargo de gerência. A proprietária da Contém 1g, Renata Robert coordena uma equipe de 16 pessoas junto com outras sócias. A decisão de assumir uma franquia da marca ocorreu após alguns anos trabalhando como revendedora. "A empresa optou por ter lojas de venda direta ao consumidor pelo sistema de franquias e deu preferência a quem já trabalhava com o produto. Acreditando no negócio, me uni a outras sócias e resolvemos investir." Sem detalhar os planos para o futuro, ela garante que pretende expandir os negócios.

Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) revelam que o setor cresceu em larga escala de 2002 a 2012, passando o faturamento anual de R$ 28 bilhões para R$ 103,2 bilhões no período. Já o número de franqueados saltou de 56 mil para 104.543 neste intervalo.

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