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18 de Julho de 2014 - 06:00

Cidade perdeu 502 postos de trabalho de janeiro a junho deste ano; no mesmo período de 2013, 1.954 novas oportunidades tinham sido criadas

Por GRACIELLE NOCELLI

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Juiz de Fora encerrou o primeiro semestre de 2014 com redução de 502 postos de trabalho, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados ontem. O resultado é o pior da série histórica, iniciada em 2003, para o período (ver quadro). De janeiro a junho do ano passado, a cidade criou 1.954 vagas de emprego. O setor de serviços foi o principal responsável por esta diferença. Na avaliação de especialistas, o cenário juiz-forano reflete a situação econômica do país.

No acumulado dos seis primeiros meses, o saldo entre admissões e demissões no setor de serviços juiz-forano ficou negativo em 682 vagas. No mesmo período de 2013, o setor criou 1.752 empregos. Para o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), entidade que também representa o setor, Emerson Beloti, o comportamento já era esperado. "Passamos por um período ascendente e imaginávamos que, em seguida, seriam feitos ajustes no quadro de pessoal." Mas, para ele, a situação econômica do país acentuou este processo. "Os empresários estão mais conservadores, por isso, não estão contratando."

Beloti afirma que o mesmo acontece com o comércio. "O comportamento dos setores está diretamente relacionado ao do consumidor. Muitos já tinham comprometido a renda com a compra de bens de maior valor, como casa e veículo. Além disso, estamos num período de inflação", explica. O comércio perdeu 720 postos de trabalho neste primeiro semestre.

Com a criação de 538 vagas, a construção civil mantém saldo positivo. Na avaliação do presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, o reflexo da economia nacional no setor é mais demorado. "Tivemos um período sem chuvas, o que beneficia o início de obras, e nossos contratos são de longo prazo. Desta forma, mantemos uma inércia diante da economia. No primeiro momento, não sentimos impacto." Para ele, a retração em relação ao primeiro semestre de 2013, quando 735 vagas foram criadas, não é alarmante.

Já a redução vivida pela indústria é preocupante, segundo Leomar, que também é presidente do Centro Industrial. "O setor é afetado por fatores externos. Além do atual cenário econômico, tivemos Copa do Mundo e muitos feriados. No segundo semestre, ainda teremos eleições. Os empresários devem investir menos." De janeiro a junho deste ano, a indústria criou 298 empregos formais. No mesmo período do ano passado, o saldo foi positivo em 433 vagas.

 

Projeções

O diretor da Faculdade de Economia da UFJF, Lourival Batista, diz que 2014 tem sido um ano difícil. "O nível de atividade econômica está ruim. A realidade de Juiz de Fora está em sintonia com a do país", afirma. "A inflação afeta a renda das pessoas, que deixam de comprar. Por isso, a curto prazo, comércio e serviços são atingidos." Segundo ele, as estimativas são de pouco crescimento da economia até dezembro. "Logo, o emprego também deve crescer menos."

O secretário Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda da PJF, André Zuchi, destaca que, por ser cidade polo, Juiz de Fora sente os impactos de forma imediata. "Não temos nenhum fator local responsável por esta realidade, trata-se de um reflexo. É uma fase difícil, a curto prazo, mas nossas expectativas são boas. Em 2015 teremos a inauguração do Shopping Jardim Norte e de outros empreendimentos que irão gerar muitos empregos."

 

País tem resultado mais fraco desde 2009

Brasília (AE) - Após uma sequência de meses desanimadores na atividade econômica, a criação de empregos formais no país teve o pior primeiro semestre desde o início da crise financeira internacional, há seis anos. Junho teve o menor número de vagas com carteira assinada em 16 anos (25.363), levando o Governo a reduzir a meta de novos postos de trabalho neste ano. De janeiro a junho, foram geradas 588.168 vagas. "Esperava mais, porque não havia nenhum indicativo dessa situação", disse o ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Manoel Dias.

A indústria da transformação foi o setor que mais demitiu no mês passado (28.553 trabalhadores), indo para o terceiro mês consecutivo de demissões. No início do ano, Dias acreditava em uma de geração de 1,4 milhão a 1,5 milhão de vagas. Agora, a projeção dele é de um milhão de postos até 31 de dezembro. "Havia, no início do ano, outra expectativa. Nos três primeiros meses, a indústria vinha gerando empregos, o setor automobilístico batia recorde e havia indicativos de que manteríamos aquele ritmo", justificou.

Copa

Se no começo de 2014 o argumento favorável ao recorde de empregos era a realização da Copa do Mundo, agora o torneio foi apontado como problema por não ter contratado como se esperava e demitido como não se previa. No caso do comércio, os jogos puxaram a demissão de 7.070 trabalhadores, em razão do fechamento das lojas durante partidas do Brasil. "No período da Copa, houve uma redução drástica do consumo. No dia em que houve jogos, os shoppings ficaram abertos até 16h e depois ninguém foi lá", disse Dias.

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