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19 de Fevereiro de 2014 - 20:34

Sem a presença de executivos da montadora, sindicato apresentou preocupação com unidade local

Por Fabíola Costa

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Receio dos trabalhadores seria de um possível esvaziamento da unidade local
Receio dos trabalhadores seria de um possível esvaziamento da unidade local

As cerca de cem demissões que teriam sido realizadas na planta juiz-forana da Mercedes-Benz nos últimos oito meses motivaram a realização de audiência pública nesta quarta-feira (19) na Câmara Municipal. Apesar de a montadora ter sido convidada a participar, executivos não compareceram ao plenário, mas se reuniram, no mesmo dia e a portas fechadas, com o prefeito Bruno Siqueira (PMDB). A reunião foi confirmada pela montadora, que não falou sobre o conteúdo da conversa. A Prefeitura disse que foi uma "visita de cortesia". A Mercedes também preferiu não se posicionar sobre a audiência.

A audiência foi convocada pelo vereador Antônio Aguiar (PMDB), a partir de demanda da categoria. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, citou os cortes - é da entidade a estimativa de dispensas no município -, a transferência da operação logística de veículos importados da cidade para Iracemápolis e os "boatos", como definiu, sobre a possível ampliação da medida, atingindo também o faturamento do modelo Sprinter, realizado no município. O receio dos trabalhadores seria de um possível esvaziamento da unidade local. João César lembrou que, há cinco anos, foi realizada audiência mediante o risco de demissão de 500 trabalhadores. "Não quero voltar aqui para discutir o fechamento da fábrica."

A advogada responsável pelo Departamento Jurídico da Fiemg Regional Zona da Mata, Polliana Henrique Martins, afirmou que nem o órgão, nem o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, têm conhecimento de anormalidade envolvendo a empresa. Já o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, afirmou que a Prefeitura tem acompanhado de perto o projeto, que tem "importância fiscal" para a cidade e atualmente não conta com incentivos municipais. Pelos cálculos de Zuchi, o município investiu cerca de R$ 15 milhões no projeto, incluindo desapropriação e isenção de Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) por dez anos. Pela montadora, teriam sido direcionados R$ 750 milhões desde 2009, sendo R$ 450 milhões na conversão da planta para produção de caminhões, além de R$ 300 milhões previstos na nacionalização do Actros.

Sobre o retorno ao município, Zuchi destaca os R$ 124 milhões à título de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos últimos 12 anos. A montadora responderia por 10% a 15% da arrecadação do imposto na cidade. Em Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), o recolhimento chegou a R$ 18 milhões, fruto da prestação de serviços de terceiros. Considerando o IPTU, a cifra chega a R$ 750 mil/ano, desde 2007, quando venceu a isenção do imposto. O secretário considera a montadora importante para a cidade, acredita na maior utilização da capacidade instalada nos próximos anos, reconhece "dificuldades" no projeto, mas considera que o problema é que "não se consegue avançar no ritmo que gostaríamos". O desafio, segundo ele, é que a Mercedes deixe de ser um problema para se tornar uma solução. "Está no meio do caminho", avaliou.

 

Bastidores

Nos bastidores da audiência, a informação que circulava era que os cortes poderiam fazer parte de pressão para implantação de uma jornada flexível, inclusive com criação de banco de horas. Hoje a jornada na fábrica é de 44 horas semanais. A medida seria considerada necessária pela montadora para efetivar a especulada transferência de outros dois projetos de São Bernardo do Campo para a planta local. Hoje são utilizados cerca de 35% da capacidade instalada da unidade para produção dos caminhões Actros e Accelo. Sobre esta questão, o sindicato afirmou que aceita negociar a jornada, mas precisa de garantias. A fábrica entra em férias coletivas entre os dias 27 de fevereiro e 9 de março. A medida não estaria relacionada a contingenciamento, mas à necessidade de troca de robôs utilizados na linha produtiva

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