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24 de Junho de 2014 - 07:00

Por Fernanda F. C. Perobelli, Michel Cândido, Rodrigo Gherardi e Vinícius Soares

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Para muitos brasileiros, o mercado financeiro ainda é uma terra distante, regida por grandes fortunas e apostas audaciosas, da qual incautos devem manter uma certa distância. Mas, o que pouca gente sabe é que 'mercado financeiro' refere-se a um conjunto de quatro mercados muito importantes em qualquer economia moderna: o mercado cambial (fechamento de operações de troca de moedas); o mercado de crédito (aplicações, empréstimos e financiamentos via instituições financeiras), o mercado monetário (negociação de títulos de baixo risco e alta liquidez, como os títulos públicos); e o mercado de capitais (oferta de valores mobiliários de propriedade - ações - e de dívida - debêntures e notas promissórias - a investidores comuns, interessados em financiar empresas de capital aberto). Aplica-se em títulos públicos a partir de R$ 30, por meio de fundos de renda fixa e DI ou via Tesouro Direto; há títulos prefixados, indexados à Selic e à inflação (IGPM e IPCA). E, com a escalada de preços dos últimos 12 meses, os indexados ao IGP-M renderam 13,84%, mais que o dobro da caderneta de poupança (6,16%). Já o mercado de capitais oferece mais risco, mas também mais chances de retorno. Operando em Juiz de Fora e também disponível a qualquer perfil e porte de investidor, a carteira de ações gerenciada pela corretora Ágora encerrou 2013 como a de melhor desempenho no setor (15,30% num ano em que a bolsa amargou perdas de 15,5%) e já registra alta de 25,35% em 12 meses. Com tantas opções, a pergunta é: por que o brasileiro ainda é tão reticente quando se trata de escolher seus investimentos?

Parte da resposta está na desinformação, parte nas origens do nosso mercado de capitais. Enquanto a bolsa americana (datada de 1792) organizou-se a partir da demanda (pelas empresas) e oferta (pelos investidores) de recursos para financiar projetos de risco, no Brasil, a Bovespa (nascida como tal apenas em 1967) foi incentivada pela oferta de frações ínfimas de empresas estatais já estabelecidas (Eletrobrás, Telebrás, etc.), limitando os direitos dos acionistas minoritários a dividendos (eram 'preferencialistas' sem direito a voto). Apenas no ano 2000, com a criação de um segmento diferenciado na Bovespa denominado Novo Mercado, o direito a voto chegou a 100% das ações ofertadas (ordinárias).

Outras artificialidades também dificultaram o processo: o BNDESPar (braço de participações acionárias do BNDES) atua como sócio em projetos de risco, concorrendo com a bolsa. Entre 2004 e 2005, para liberar sua carteira e incentivar a participação de investidores comuns nas empresas, a instituição realizou uma oferta pública de suas participações por meio do fundo PIBB (atualmente ETF It Now PIBB). O fundo captou um volume superior a R$ 1,6 bilhão, revelando que o brasileiro tinha sim apetite por risco. Sabendo disso, algumas entidades ligadas ao setor financeiro (bancos, consultorias, Fiesp e FecomercioSP) lançaram o movimento PAC-PME, que visa à redução de impostos e desburocratização para que pequenas e médias empresas abram seu capital.

Além dessas iniciativas, a concorrência no mercado deve acirrar-se pela perspectiva de abertura de uma segunda bolsa. A ATS Brasil (associação envolvendo a NYSE Euronext) aguarda autorização da CVM para começar a operar.Por fim, uma modalidade de investimento ainda quase desconhecida: o crowdfunding, movimento que ganhou força nos EUA a partir de 2008 com empreendedores divulgando seus projetos e angariando fundos via internet. A ideia cresceu e se espalhou.No Brasil, os primeiros sites (apoiando projetos sociais e culturais) surgiram em 2009. A captação para projetos produtivos, entretanto,permanece proibida. Para mudar isso, um projeto de lei (PL 6590/2013) tramita na Câmara dos Deputados. Se aprovado, os sites fornecerão informações diretamente à CVM, garantindo proteção ao investidor que decidir financiar projetos promissores. Com mais opções, a economia e a poupança do brasileiro só têm a ganhar.

 

Fernanda F. C. Perobelli, Michel Cândido, Rodrigo Gherardi e Vinícius Soares

Conjuntura e Mercados Consultoria Jr.

Faculdade de Economia/UFJF

Email: cmcjr.ufjf@gmail.com

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