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14 de Maio de 2014 - 07:00

Montadora confirma cortes um dia depois de reduzir a jornada de trabalho de cinco para quatro dias na semana

Por Tribuna

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Um dia após reduzir a jornada de trabalho de cinco para quatro dias na semana em Juiz de Fora, a Mercedes-Benz demitiu nesta terça-feira (13) 20 funcionários da planta local. A informação do Sindicato dos Metalúrgicos foi confirmada pela montadora. Segundo estimativa da entidade de classe, o total de dispensas, desde o início do ano, pode chegar próximo a cem. A Mercedes, por meio de sua assessoria, disse que "o número não é verdadeiro", sem divulgar, no entanto, o total de demissões na cidade no período.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, se disse "surpreendido" com a medida. "A empresa não explica o que de fato está acontecendo". Segundo ele, as 20 demissões desta terça sinalizam a "interrupção do diálogo", referindo-se ao processo de negociação em curso. A Mercedes justifica os cortes como uma "adequação à realidade do mercado". Conforme o sindicato, a montadora teria anunciado a existência de 150 funcionários excedentes na cidade. Por meio de sua assessoria, a empresa disse que a informação não procede.

Em Juiz de Fora, só este ano, a montadora já concedeu duas férias coletivas, a última por 20 dias. Os cerca de 450 trabalhadores do setor de produção retornaram aos postos na segunda-feira e foram informados da implantação da chamada "semana curta". Neste modelo, a produção trabalha quatro dias por semana, de segunda a quinta-feira, com folga todas as sextas. A princípio, a medida vale até o final do mês.

As ações visando a "conter" a produção implantadas em Juiz de Fora, explica a empresa, são consideradas necessárias para adequar a produção de caminhões a acomodação no consumo interno e queda nas exportações para o mercado argentino. Por este mesmo motivo, na unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, além da semana curta, também foram implementados a licença remunerada e o Programa de Demissão Voluntária (PDV). As medidas não seriam estendidas a Juiz de Fora "por enquanto". Não foi divulgado o impacto na produção local, que ficou entre 13 mil e 14 mil unidades no ano passado.

 

No MTE

Para esta quinta, está agendada reunião no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para discutir a proposta de suspensão temporária do contrato de trabalho de outros cem funcionários, com base no artigo 476 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). No artigo, é permitido que o contrato seja suspenso por até cinco meses, para participação do empregado em curso ou programa de qualificação oferecido pelo empregador. Para isso, no entanto, são necessárias previsão em convenção ou acordo coletivo e concordância formal do trabalhador. Logo após, será realizada assembleia da categoria.

Neste ponto, a preocupação do sindicato é a falta de garantias de que esses cem trabalhadores, ao término da qualificação, vão retornar aos postos de trabalho. A Mercedes, por meio de sua assessoria, afirmou que a suspensão temporária dos contratos de trabalho "também não procede por enquanto".

 

Preocupação

A situação da fábrica local vem causando preocupação desde o início do ano. Em fevereiro, audiência pública realizada na Câmara Municipal discutiu a situação dos metalúrgicos da Mercedes. Na ocasião, as demissões na planta juiz-forana, a transferência da distribuição e do faturamento de veículos importados da cidade para Iracemápolis, em São Paulo, e o indicativo de férias coletivas preocupavam a categoria. O receio é quanto a um possível esvaziamento da fábrica, que hoje utiliza cerca de 35% da sua capacidade para a produção dos caminhões Actros e Accelo e mantém menos de 800 funcionários, sendo que já chegou a ter mais de mil, conforme estimativa do Sindicato dos Metalúrgicos.

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