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06 de Janeiro de 2013 - 07:00

Confira orientações de economistas para efetuar o pagamento de contas como IPVA, IPTU, TRLAV, material escolar, uniforme e outros

Por FABÍOLA COSTA

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O empresário Luiz Gustavo Maciel guardou parte do 13º salário para as despesas de início de ano e não fez dívidas no Natal
O empresário Luiz Gustavo Maciel guardou parte do 13º salário para as despesas de início de ano e não fez dívidas no Natal

Passada a euforia das festas - e das compras - de final de ano, os cartões de "boas festas" perderam espaço para os boletos de cobrança na caixa de correspondência. Daqui a pouco mais de uma semana, tem início o calendário de pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Alguns dias depois, começam a chegar os carnês do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). É preciso, ainda, pagar o seguro obrigatório - Dpvat, a Taxa de Renovação do Licenciamento Anual de Veículo (TRLAV), o material e a matrícula escolares e ainda ter dinheiro para quitar a fatura do cartão de crédito, no caso de quem parcelou os presentes de Natal.

Diante de tantas cifras, prazos e encargos (ver quadro), a Tribuna consultou economistas, que dão dicas de como quitar os débitos, afastando o risco de começar o ano com dívidas. Conforme a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o número de registros de inadimplência cresceu 9,7% em dezembro ante o mesmo mês do ano anterior em Juiz de Fora. "O consumidor deve ficar atento neste período, pois as compras de médio e longo prazo já efetuadas nos cartões de crédito vão se sobrepor aos compromissos de início do ano", adverte o presidente da CDL, Vandir Domingos.

Na hora de escolher entre o pagamento à vista ou à prazo, o economista Paulo Saraiva, professor das Faculdades Integradas Vianna Júnior, compara o rendimento de aplicações aos descontos oferecidos em cada caso. Ele usa como base a taxa básica de juros, a Selic, estimada em 7,25% para o ano, o equivalente a 0,6% por mês, conforme projeções do Banco Central.

No caso do IPVA, se o consumidor preferir parcelar e aplicar a diferença, por exemplo, em fundos DI (investimento de baixo risco que acompanha os juros de mercado), o retorno (em torno de 1%) é menor do que o desconto à vista (3%). Neste caso, compensa o acerto em cota única, avalia. Saraiva também recomenda evitar o parcelamento do IPTU. Ele explica que o desconto de 8% é maior do que o rendimento decorrente da aplicação do valor total e a retirada das parcelas a cada mês. Segundo Saraiva, o ganho total ficaria em torno de 3%.

"Em nenhuma das duas opções compensa contrair empréstimo para pagar à vista." Saraiva explica que a taxa média de crédito pessoal ainda é alta, em torno de 3% ao mês. A do cheque especial é ainda maior e chega a 7% ao mês. Em relação a Dpvat e TRLAV, se a opção é pagar no último dia, o ganho de aplicação é muito baixo, mas existe, considera.

 

Reserva

O empresário Luiz Gustavo Maciel, 36 anos, guardou parte do 13º salário para as despesas de início de ano. Conforme pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), apenas 12% dos consumidores no país fizeram o mesmo. As compras de Natal não foram parceladas no cartão, para evitar a "armadilha" do crédito rotativo. "Sou radicalmente contra a divisão de contas. No pagamento à vista é possível se programar melhor e não correr o risco de cair na tentação da ciranda do parcelamento."

Para aliviar o orçamento familiar, o IPTU será parcelado, e o seguro obrigatório também, aproveitando o primeiro ano da condição diferenciada para proprietários de alguns veículos, como motocicletas (ver quadro). No caso do IPVA, Luiz Gustavo vai avaliar o quanto sobrou do 13º para escolher a forma de acerto. Ele tem uma filha em idade escolar e aproveita a possibilidade de dividir a compra do material por semestre para manter as contas em dia.

Na opinião do contabilista e administrador Luiz Carlos Alves, 63, há muita obrigação concentrada. A descentralização, avalia, seria uma forma de desafogar o orçamento da classe média, a mais impactada nessa época do ano. Luiz Carlos tenta, na medida do possível, pagar antecipado, conforme a disponibilidade de recursos, embora os descontos à vista, de 3% para IPVA e 8% para IPTU, não sejam muito atrativos, considera. "Procuro pagar à vista para ficar livre da obrigação." Ele tenta se programar, guardando um pouco do 13º e diluindo as despesas no orçamento, sem nunca recorrer ao cheque especial. "Guardo um pouco, porque o impacto é grande."

O economista Guilherme Ventura, professor do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) e coordenador do Curso Excecutive MBA Gestão Empresarial, fez as contas e atestou que, em caso de parcelamento do IPVA, é como se o contribuinte estivesse financiando o pagamento do imposto a 3,11% ao mês ou a 44,5% ao ano. No caso do IPTU, o custo do financiamento chega a 1,90% ao mês ou a 25,4% ao ano. Na avaliação do economista, os índices são muito altos quando comparados ao rendimento das aplicações financeiras. "Para aqueles que possuem recursos investidos acima do destinado a emergências, é recomendado direcionar parte para quitar os impostos à vista."

O diretor de economia da Anefac, Roberto Vertamatti, recomenda tirar dinheiro da poupança para pagar as contas sazonais. Para ele, é uma opção interessante, porque o desconto do IPTU (8%), por exemplo, é maior que o rendimento da aplicação, que gira em torno de 0,42% ao mês ou 5% ao ano, mais a taxa referencial (TR), que está próxima de zero.

Na falta da reserva, a recomendação de Ventura é comparar as condições oferecidas com as taxas de juros nas operações de crédito para quem está endividado e possui margem para contratação de mais recurso. "Se o contribuinte tiver limite amplo para acesso a créditos com taxas inferiores àquelas embutidas nos parcelamentos, vale a pena acessar estas linhas e financiar o imposto a juros menores." Se as taxas forem maiores, deve-se optar pelo parcelamento. O que não é recomendado, adverte Ventura, é perder o prazo para acerto. "Os encargos de atraso são extremamente onerosos e devem ser evitados a todo custo."

Para quem parcelou as compras de Natal, Ventura recomenda quitar a fatura do cartão e fugir do rotativo, cujas taxas são as mais onerosas do mercado. "Eu diria que um endividamento do qual você deve fugir sempre é o financiamento relacionado ao cartão de crédito. Os juros são absurdos, na ordem de 230% ao ano, em média", completa Vertamatti.

Quitar o cartão é importante, mas não deve-se esquecer os impostos. "A forma de conciliar os dois compromissos financeiros é por meio do planejamento, minimizando o estouro do orçamento pessoal. Se for preciso, deve-se financiar a necessidade adicional de recursos ao menor custo possível," ensina o professor do CES. Para o contribuinte que realmente tem necessidade de contrair um empréstimo para não se tornar inadimplente, a recomendação do diretor financeiro da Anefac é pelo consignado, que tem juros em torno de 25% ao ano.

 

Custo do parcelamento chega a 44,5% ao ano

Para o economista Paulo Saraiva, a compra do material escolar com cartão de credito só compensa se o consumidor contar com prazo de 30 dias para o acerto ou optar pelo parcelamento. O risco existe se a fatura não for paga integralmente. Neste caso, os juros serão de, pelo menos, 9% ao mês, alerta. "A compra à vista sempre permite ao consumidor um desconto de 5% a 10%." Se o parcelamento for inevitável, reduzir o número de parcelas é a recomendação dos economistas da Serasa Experian. Eles lembram sobre as datas comemorativas do primeiro semestre, como Carnaval, Dia das Mães, Dia dos Namorados e Páscoa, aumentando o risco de acúmulo de dívidas com viagens e presentes.

Já o economista João Cardoso, gestor da Trevisan Escola de Negócios (Rio de Janeiro), considera uma "excelente estratégia financeira" antecipar as compras e evitar o período de maior procura, quando os preços ficam mais altos. "Normalmente, os preços são reajustados de um ano para o outro, principalmente os dos livros. Os pais que compraram em dezembro tiveram produtos mais baratos, mas início de janeiro também é um bom momento para se antecipar aos reajustes".

Negociar descontos e prazos para pagamento e comparar com outros estabelecimentos também são fundamentais, considera Cardoso. A compra em conjunto com outros pais pode facilitar as negociações. "Na busca pelo menor preço, é importante que o consumidor não esqueça de atentar para a qualidade e a procedência dos produtos."

 

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