Publicidade

28 de Maio de 2014 - 20:59

Diante de impasse entre Assimede e ANS, clientes da operadora em Juiz de Fora e Ubá terão que buscar outro contrato

Por Gracielle Nocelli

Compartilhar
 

Os 2.126 clientes da Assimede Assistência Médica Especializada Ltda. em Juiz de Fora e Ubá terão até o dia 11 de julho para mudar de plano de saúde sem cumprir novos períodos de carência. A medida, conhecida como "portabilidade especial de carências", foi requerida pela própria operadora, que irá encerrar as atividades. Autorizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a transferência é válida para todos os usuários, independente do tipo ou data de assinatura do contrato.

Por meio da resolução operacional (RO) nº 1646, publicada em 12 de maio, a ANS especifica os procedimentos da portabilidade. De acordo com o documento, os beneficiários que estiverem cumprindo carência parcial ou temporária na Assimede poderão fazer a transferência sujeitando-se aos períodos remanescentes. Quem estiver pagando agravo poderá optar pelo cumprimento de cobertura parcial temporária referente ao tempo necessário para completar o prazo de 24 meses ou negociar o pagamento de agravo com a nova operadora. A RO pode ser lida no site www.ans.gov.br

Sobre os motivos que levaram a Assimede encerrar as atividades, operadora e agência não entraram em consenso. Em entrevista à Tribuna, a proprietária da Assimede, Elaine Reboredo, informou que o desgaste com a ANS teria sido o principal fator. "Cansei. A ANS prejudicou muito o nosso trabalho." A empresária pretende, futuramente, recorrer à Justiça sobre o caso. Já a assessoria da agência afirmou que a operadora "não conseguiu demonstrar capacidade de recuperação das graves anormalidades administrativas, econômicas e financeiras."

Em 2012, a Agência determinou a alienação da carteira de clientes da empresa alegando que a operadora enfrentava dificuldades econômico-financeiras. Na época, a Assimede declarou que não acataria a determinação, pois a análise teria sido feita com base em dados antigos. O caso foi à Justiça, e a operadora ganhou liminar favorável em janeiro do ano passado.

De acordo com Elaine, após passar por período de direção fiscal, procedimento em que um diretor nomeado pela ANS acompanha in loco o trabalho da empresa, a Assimede aguardou parecer do órgão regulador. "Os diretores que estiveram conosco diziam que estávamos aptos a atuar, e nós esperamos a definição da ANS para que, assim, nós pudéssemos sair do regime de direção fiscal e ter os bens desbloqueados. Mas esta resposta nunca veio." Segundo ela, a agência foi omissa. "Era impossível aumentar nossa cartela de clientes. A situação tornou-se insustentável, não há quem consiga trabalhar com tantos embargos. Cansei e pedi a portabilidade em março. A ANS não quer que as operadoras pequenas sobrevivam."

Por meio de sua assessoria, a ANS explicou que, embora tenha constatado problemas administrativos, econômicos e financeiros graves na gestão da Assimede, a liminar conquistada pela empresa impediu que a agência alienasse a carteira de clientes da operadora. O órgão destacou que a Assimede não demonstrou capacidade de recuperação e, por isso, após a solicitação da própria empresa, a portabilidade foi autorizada.

Transferência

A Assimede informou à Tribuna que já encaminhou a todos os clientes correspondência informando sobre a necessidade de mudança. Para se beneficiar da portabilidade especial, os clientes precisam efetivar novos contratos, com a operadora de sua preferência, até 11 de julho.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que campanha corpo-a-corpo ainda dá voto?