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28 de Janeiro de 2014 - 07:00

Início das operações, previsto para outubro do ano passado, segue indefinido

Por Fabíola Costa

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A fábrica de laticínios do Instituto Cândido Tostes (ILCT), inoperante desde 2008, pode ser terceirizada. Pelo menos esta seria a intenção da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), dada como certa nos bastidores do setor agropecuário juiz-forano. Este, aliás, seria o motivo do atraso na retomada das operações da unidade, prevista para outubro de 2013. Na época, o governador Antonio Anastasia (PSDB) realizou a entrega da obra e anunciou o início da produção no final daquele mês. A venda de derivados no varejo estava programada para novembro.

Procurada, a Epamig afirmou, por meio de nota, que "a loja do Instituto Cândido Tostes não será aberta porque está em estudo uma alternativa que torne o empreendimento autossustentável". O posicionamento é que todas as decisões serão informadas com transparência. "A intenção é assegurar a viabilidade financeira e, ao mesmo tempo, preservar a marca ILCT."

A terceirização é uma das alternativas em estudo, reconhece a entidade. "Nesse momento de análise e negociação não é possível dar mais detalhes", afirmou por meio de sua assessoria. Para a Epamig, a fábrica é vista como uma unidade experimental, cujo foco principal não é a produção e sim o ensino e a pesquisa. "Esses dois setores estão funcionando normalmente." Sobre o tempo necessário para conclusão do estudo e consequente início das operações, a Epamig, mesmo sem estipular datas, afirmou que o novo modelo de comercialização é uma prioridade para este ano. A expectativa é estimular a fabricação de queijos finos, aliada ao desenvolvimento de novas tecnologias. Questionada se a busca de autossutentabilidade se restringe à fábrica ou atinge o funcionamento do ILCT como um todo, a resposta é que "a autossustentabilidade é uma busca permanente da Epamig".


Epamig lança concorrência para realização da Minas Láctea

Uma prova da amplitude da medida foi a publicação do edital de concorrência pública para a concessão de parte da "Minas Láctea 2014", novo nome dado ao tradicional Congresso Nacional de Laticínios, que passou a ser bianual. A feira, realizada em Juiz de Fora, reúne seis eventos: Exposição de Máquinas, Equipamentos, Embalagens e Insumos para a Indústria Laticinista (Expomaq); Exposição de Produtos Lácteos (Expolac); Concurso Nacional de Produtos Lácteos; Congresso Nacional de Laticínios; Fino Paladar e Circuito de Palestras - Lac Ideia. A edição 2014 está prevista para acontecer entre os dias 28 e 31 de julho no ILCT e no Expominas.

"Nossa intenção é melhorar o processo de organização e profissionalizar a gestão do evento, mas preservando as características que o tornaram uma das principais vitrines do setor laticinista na América Latina", afirmou o presidente da Epamig, Marcelo Lana. Segundo ele, a empresa vencedora deverá manter as características principais do evento, como ser dedicado exclusivamente à cadeia laticinista e o acesso gratuito dos visitantes à Expomaq e Expolac. A gestão técnico-científica do Congresso Nacional de Laticínios, da Expolac e do Concurso Nacional de Produtos Lácteos continuará sob a responsabilidade da Epamig.

Podem concorrer empresas especializadas em gestão de eventos técnicos, científicos, comerciais e promocionais. A concessão compreende os serviços de administração, gestão financeira, fiscal e jurídica, comercialização, segurança, comunicação e marketing. A vigência será de um ano, podendo ser prorrogada anualmente até o limite de cinco anos.

A intenção é que a empresa vencedora da concorrência seja anunciada em março, disse o coordenador da comissão que vai fiscalizar e acompanhar os trabalhos da concessionária, Antônio Augusto Braighi. A partir daí, terá início o processo de comercialização dos estandes, respeitando a prioridade dos expositores pré-cadastrados, esclareceu. O edital da concorrência 001/2014 já está disponível no site www.epamig.br.


Cinco anos de reforma e R$ 3,3 mi em investimento

Depois de cinco anos de reforma e investimento estimado em R$ 3,3 milhões, entre recursos dos governos federal e estadual, a fábrica do ILCT está apta a reiniciar as atividades. Com produção inicial estimada em dois mil litros por dia, a expectativa era atingir a capacidade (oito mil litros/dia) no período de seis meses a, no máximo, um ano, conforme resposta do mercado. A intenção era, na primeira fase, produzir queijos minas frescal, minas padrão, prato e edan, requeijão cremoso, doce de leite e iogurte. Na segunda, o mix seria enriquecido com queijos finos, bebidas lácteas e ricota. A fabricação seria feita por 12 funcionários do próprio instituto, e a comercialização ficaria concentrada na loja anexa ao instituto, sendo destinada a Juiz de Fora e região.

Com 2.200 metros quadrados, a fábrica, erguida em 1935, foi totalmente reestruturada, do telhado ao piso, passando por paredes, equipamentos, tubulações e rede elétrica. Além da produção de derivados do leite, a fábrica-escola, como é chamada no ILCT, também se destina a ensino e pesquisa, com salas de aula onde são ministrados o curso técnico em leite e derivados e os cursos de curta duração. Durante a visita à cidade em outubro do ano passado, o presidente da Epamig, Marcelo Lana, afirmou que a unidade já possuía autorização do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para retomar a produção. Para isso, seria preciso apenas concluir os processos de rotulagem, disse à época.

Atraso

Com o início da reforma em fevereiro de 2008, a inauguração da unidade estava inicialmente prevista para setembro de 2010. Ao longo dos últimos cinco anos, foi postergada para outubro de 2011 e maio de 2012. Em 2012, a perspectiva era de conclusão até maio de 2013. Apesar das revisões no cronograma - a última data divulgada foi outubro do ano passado - não houve descontinuidade nas obras, afirmou o instituto.

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