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19 de Março de 2013 - 06:00

UFJF diz que tem condições para executar pesquisa, mas precisaria captar recursos. PJF aponta que pode colaborar

Por Gracielle Nocelli

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Diante da proposta feita pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), no mês passado, de criar uma cesta básica regional com alimentos produzidos na Zona da Mata que aproximaria a pesquisa de preços da realidade local, outra questão também entra na pauta da regionalização: a necessidade de formulação de um índice para medir a inflação para o consumidor de Juiz de Fora. De acordo com especialistas, o projeto é de grande importância, mas a falta de recursos impediria sua concretização. Em outros municípios do interior de Minas, como Viçosa, Lavras, Montes Claros e Uberlândia, as universidades locais garantem os investimentos para o desenvolvimento das pesquisas.

O diretor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Lourival Batista de Oliveira Júnior, lembra que a cidade também já teve seu próprio IPC (Índice de Preços aos Consumidor). "Na década de 1980, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveu a metodologia e repassou para várias cidades", diz. "Mas a manutenção desse tipo de pesquisa é muito cara. Na década de 1990, por falta de recursos, ela deixou de ser desenvolvida."

O economista reitera que o índice regional é de extrema importância. "A variação do comportamento de preços é diferente de cidade para cidade. Medir a inflação de forma regionalizada é oferecer ao consumidor uma informação próxima da realidade." Sobre a possibilidade de a Faculdade de Economia retomar os estudos, ele adiante que é preciso garantir os recursos primeiro. "Qualquer demanda da sociedade é discutida, e a possibilidade de implantação, verificada. A realização deste tipo de estudo exige uma grande estrutura, por isso, é necessário saber se existe condição de desenvolvê-lo."

O professor da Faculdade de Economia da UFJF e coordenador do grupo de conjuntura econômica, Wilson Rotatori, afirma que a instituição tem condições técnicas para executar o trabalho. "Inclusive, já discutimos o assunto algumas vezes. Mas, não formatamos nenhum projeto, justamente, pela falta de recursos." Segundo ele, seria interessante a participação dos setores público e privado para que o estudo fosse colocado em prática.

O coordenador de projetos da secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Zuchi, garante que a Prefeitura está disposta a conversar sobre o assunto. "A UFJF tem o domínio metodológico. Se houver a apresentação de um projeto, podemos sentar e discutir sobre como poderemos colaborar na captação de recursos", diz. "Cabe à universidade conduzir este processo. Nós estaremos à disposição para ajudar."

Na análise do professor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e coordenador do IPC Brasil, André Furtado Braz, a regionalização de índices permite o consumidor entender melhor a inflação. "O IPC é desenvolvido a partir de pesquisa de orçamento familiar (POF). Assim, o estudo é voltado para avaliação dos hábitos de consumo das famílias mais representativas em determinado local." Desta forma, explica Braz, pode haver variação no objeto de estudo quanto à renda, à idade e número de integrantes. "Varia conforme a população da região analisada e as despesas que ela possui. Com a proposta de uma cesta básica composta por produtos regionais, compreender a variação de preços desses itens é mais interessante para o consumidor."

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