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04 de Dezembro de 2013 - 07:00

Proposta pretende equiparar valores entre viagens de ônibus e avião. Em JF, diferença chega a 113%

Por Gracielle Nocelli

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O Governo irá subsidiar passagens aéreas de voos que ligam cidades do interior aos grandes centros e são operados em 270 aeroportos de pequeno e médio porte do país. De acordo com a Secretaria de Aviação Civil (SAC), a proposta é tornar os preços de bilhetes de companhias aéreas competitivos diante dos cobrados pelas empresas de ônibus, como forma de incentivar o uso do transporte aéreo no Brasil. A iniciativa integra o "Programa de investimentos em logística: aeroportos", anunciado há um ano com o projeto de investir R$ 7,3 bilhões para melhorias em infraestrutura e qualidade dos serviços aeroportuários. Os terminais Francisco Álvares de Assis (Serrinha), em Juiz de Fora, e Presidente Itamar Franco, entre Goianá e Rio Novo, estão na lista dos contemplados pelo programa.

Com relação ao subsídio, a assessoria da SAC informou que os recursos virão do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) e serão oferecidos para as empresas aéreas. A estimativa é que 50% dos assentos das aeronaves sejam custeados pelo Governo, limitado a 60 lugares. Ainda não há valores definidos para o projeto. Em entrevista ao jornal "O Globo", o ministro Moreira Franco adiantou que os subsídios serão "diferenciados por região, segundo a renda dos moradores e os preços das passagens rodoviárias". Ele disse, ainda, que "a companhia vai receber o subsídio tendo como referência o preço que ela estiver cobrando ao passageiro."

Em Juiz de Fora, a diferença de valores entre viagens de ônibus e avião chega a 113%. Para viajar até Belo Horizonte, o passageiro gasta R$ 130,85, ida e volta em coletivo convencional, e R$ 149,90, ida e volta em transporte aéreo, diferença de 14,4%. Com destino a São Paulo, as passagens variam entre R$ 182,60 e R$ 359,80 (97%) nas mesmas condições. A maior diferença é encontrada na rota para Campinas (113%). De ônibus, o custo é de R$ 168,40 e de avião, R$ 359,80. As consultas foram feitas nesta terça-feira (3) pela Tribuna considerando as mesmas datas, com uma semana de antecedência.

A iniciativa do Governo é vista com bons olhos pelo secretário municipal de Transporte e Trânsito (Settra), Rodrigo Tortoriello. "É uma forma de fomentar o transporte aéreo e, assim, criar novas demandas e a possibilidade de novos voos." Ele garante que o Serrinha tem condições para aumentar as ofertas de linhas, que hoje soma cinco, sendo duas com destino ao aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, e três ao de Viracopos, em Campinas. "Não poderíamos receber novos voos nos mesmos horários que já temos operações, pois sabemos que o terminal está acanhado para a demanda existente." A assessoria da Azul Linhas Aéreas, empresa que opera no local, disse que "aguarda a divulgação de planos concretos na aviação regional para avaliar os impactos em seu plano de negócios."

Serrinha

Tortoriello afirma que o Serrinha irá receber melhorias em breve, algumas delas, parte da primeira etapa do programa do Governo. Em dezembro do ano passado, a presidente Dilma Rousseff declarou que 33 aeroportos de Minas, dentre eles Serrinha e Itamar Franco, receberiam R$ 815 milhões em recursos. "Recebemos visita técnica para um pré-diagnóstico. Ainda não fomos informados dos resultados e sobre quais obras serão necessárias", disse o secretário. Dentre as necessidades apontadas por ele, estão a ampliação do terminal e a colocação de esteira. "O que o Governo não arcar, a Prefeitura pretende fazer."

O gerente do Serrinha, Cipriano Magno, se mostrou otimista com a proposta de subsídio dos voos. "Vai tornar o transporte aéreo mais acessível." Segundo ele, a estimativa é que o terminal feche o ano com média superior a oito mil passageiros/mês, entre embarques e desembarques. Dados da Settra mostram que de janeiro a novembro deste ano, 70.340 pessoas voaram pelo aeroporto.Procurada pela Tribuna, a Multiterminais, empresa que administra o aeroporto Itamar Franco, não se pronunciou.

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