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20 de Dezembro de 2013 - 07:00

Nem jornada estendida das lojas aumenta vendas, e iniciativa é questionada por lojistas

Por Gracielle Nocelli

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Registro mostra loja vazia na noite de quarta-feira
Registro mostra loja vazia na noite de quarta-feira

Mesmo com as portas abertas até mais tarde por conta do horário especial de Natal, iniciativa acordada entre o Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF) e o Sindicato dos Empregados no Comércio (SEC-JF) para dar mais oportunidade de compra aos consumidores, as lojas do Centro registraram pouco movimento esta semana. Diante da baixa procura, a necessidade de ampliar a jornada de trabalho nas datas estabelecidas divide opiniões. Quem concorda com a medida, porém, acredita que ela poderia ser reformulada para melhor atender empresários e empregados.

Na última quarta-feira, como previsto para essa semana, o comércio ficou aberto até às 21h. As três horas a mais em relação ao horário convencional não foram suficientes para aumentar as vendas na loja de bolsas Trilha da Lona. "Um ou outro aparece, mas nada que justifique ficar até mais tarde", diz a vendedora Mariana Nogueira. "O Natal deste ano está fraco. Nossa expectativa é que a situação melhore no fim de semana." Para ela, como os consumidores têm o hábito de fazer as compras na última hora, não seria necessário estender a jornada de trabalho com antecedência. "Poderia ser feito apenas no sábado e no domingo que antecedem a data", opina. Este ano, o horário especial de Natal teve início no dia 11 de dezembro.

A gerente da loja de roupas Hagler, Michele dos Reis Pacheco, garante que "o horário especial não está valendo a pena, pois a procura dos consumidores este ano está baixa." Segundo ela, houve queda de 30% da movimentação do estabelecimento em relação ao ano passado. "Acredito que seja um problema da economia do país, pois a situação está se repetindo em nossa loja de Petrópolis." Diante desta realidade, ela acredita que estender a carga horária acaba não sendo interessante para o empresário. "As horas a mais não estão gerando os resultados esperados. E para cumprir o horário especial, a loja aumenta a equipe, paga o funcionário e concede folga depois."

Pelos mesmos motivos, o gerente da loja de calçados Art Acessorium, Marco Aurélio de Oliveira, afirma ser contra a realização do horário especial de Natal. "Sacrifica o funcionário sem necessidade e representa prejuízo para o proprietário. Chega a ser perigoso manter a loja aberta depois das 20h, pois não há ninguém na rua." Já a proprietária da loja de calçados Romana, Romaica Vieira Barros, é favorável à iniciativa, mas diz que poderiam ser feitas reformulações. "O movimento do primeiro domingo foi muito fraco, é um dia que não precisaríamos abrir. Durante a semana, acredito que não é preciso ficar até 21h."

Há 16 anos atuando no mercado, o proprietário da loja de calçados Pelica's House, Willians Clavelari Lopes, diz que se acostumou com as variações nas vendas de Natal. "Todo ano é assim: há dias que as pessoas aproveitam a loja aberta até mais tarde para comprar, há outros em que ninguém aparece. Como não tem como prever, o ideal é manter o horário especial. O jeito que encontrei foi aprender a gerenciar minha equipe conforme o fluxo de clientes."

 

Acordo

O presidente do Sindicomércio-JF, Emerson Beloti, explica que a iniciativa é elaborada durante assembleia com os empresários. "Os associados ao nosso sindicato apresentam as questões e fazemos a votação. Por exemplo, na última reunião houve a percepção de que não era preciso trabalhar três domingos com a carga horária ampliada e nem ir até 21h30 nos dias de semana. O voto vencedor foi para que mudássemos, então fizemos."

Beloti destaca que a medida não é obrigatória. "O que fica estabelecido é que as lojas que realizarem o horário deverão cumpri-lo até o final do período. Sendo assim ficou acordado com o SEC-JF cláusulas para garantir os direitos dos funcionários. Quem não quiser aderir ao horário especial não é obrigado, só não pode exigir que o concorrente também não possa fazê-lo."

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