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09 de Fevereiro de 2014 - 07:00

De fora da lista de subsedes, cidade tem na demanda regional principal alternativa de negócio para faturar com evento

Por GRACIELLE NOCELLI

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Mega brindes se antecipou para criar produtos para o evento
Mega brindes se antecipou para criar produtos para o evento

Faltando quatro meses para a Copa do Mundo no Brasil, empresários de Juiz de Fora trabalham firme na intenção de aproveitar o evento para garantir o aumento do faturamento de 2014. Com a cidade de fora da lista de locais escolhidos para sediar uma das seleções que irão participar do torneio, é preciso suar a camisa para conquistar uma fatia dos lucros previstos no país. Os números são bastante atrativos: o mundial será responsável pela circulação de R$ 135,7 bilhões na economia do país e irá agregar R$ 184 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2019, conforme estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que dentre os setores que mais serão beneficiados com a realização do evento estão comércio, serviços e alguns segmentos da indústria.

Em Juiz de Fora, o foco é voltado para o atendimento da demanda regional. "Podemos até receber alguma demanda residual das grandes cidades, mesmo não sendo uma base camping, mas os clientes locais serão os principais responsáveis pelo aquecimento dos setores econômicos nos períodos pré e durante Copa", analisa o gerente regional do Sebrae, João Roberto Marques Lobo. Ele destaca que os segmentos de confecção e mercado de brindes são os mais propícios a lucrar. "Há empresas que fazem uniformes diferenciados para os funcionários, decoram o ambiente de trabalho, oferecem brindes para clientes", exemplifica. Segundo ele, este tipo de movimentação crescerá nos dois meses que antecedem o torneio, marcado para 12 de junho. "Durante a Copa veremos, principalmente, o aquecimento da demanda de bares."

Na fábrica da Agito Final Confecções, a produção de artigos em verde e amarelo já começou."As grandes empresas fazem pedidos com antecedência, mas em geral, as pessoas deixam para última hora", conta o gerente Bruno Britto. Camisas e bonés que fazem referência ao evento, já que as marcas oficiais são reservadas aos parceiros comerciais da Fifa, são os itens mais solicitados. "Esperamos que o fato da Copa ser realizada no nosso país aumente o interesse pelos produtos."

Esta também é a expectativa do proprietário da Renavi Sports, Vicente José de Abreu. "Se as pessoas empolgarem, o retorno será muito bom." Há 34 anos no mercado, o empresário relembra as Copas do Mundo que acompanhou e afirma que o setor é impulsionado diante dos preparativos e resultados do torneio. "A medida em que o Brasil avança na tabela, as vendas aumentam", diz. "A divulgação também é um fator muito importante para deixar as pessoas no clima. Durante todos esses anos no mercado, a Copa de 86 foi a melhor para nós por conta da criação do Araken, personagem que virou símbolo nacional do mundial naquele ano." Na fábrica, a confecção de camisas foi iniciada. "Aqui na loja fizemos a decoração na primeira semana de janeiro para lembrar os clientes que é ano de Copa."

Para criar oportunidades com o mundial, a empresa Comercial Mega Brindes terá uma linha de produtos que fazem alusão ao evento. "Teremos caneta, chaveiro, squeeze, copo, chapéu e outros artigos. A ideia é investir no momento para ter aumento nas vendas e destacar a nossa empresa", diz a publicitária Vanessa Michelon. O planejamento para atender os clientes começou cinco meses antes da Copa. "As companhias maiores já colocaram a competição no calendário, e isso nos trouxe uma demanda antecipada." A expectativa é que o evento seja responsável por incrementar em 35% o faturamento anual da empresa.

 

Orientações

De acordo com o Sebrae, uma dica para quem irá comercializar artigos para Copa é se manter atento às tendências. A entidade destaca, por exemplo, que, em 2010, quando o torneio aconteceu na África do Sul, as vuvuzelas roubaram a cena e se tornaram uma grande oportunidade para o comércio local. Este ano pode ser que outro item vire moda entre os torcedores. Outra orientação é para que os empresários gerenciem bem os estoques, pois as demandas de última hora são comuns. O gerente regional João Roberto Marques Lobo ressalta, ainda, a importância de que os negócios tirem proveito das oportunidades dentro da legalidade, tendo conhecimento sobre a Lei Geral da Copa. A legislação, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em junho de 2012, prevê mecanismos de proteção da marca da Fifa e dos símbolos da Copa.

 

 

Bares apostam em alta de até 20%

Com a bola rolando entre os dias 12 de junho e 13 de julho, os bares de Juiz de Fora devem lucrar até 20% a mais no período em comparação com o ano passado, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Regional da Zona da Mata. "A Copa do Mundo traz um movimento interessante para os bares. O setor costuma fazer camisas, brindes, promoções. Cada empresário cria a sua estratégia para poder atrair o público, que está mais disposto a consumir", diz o diretor executivo da associação, Marcos Henrique Miranda.

Inaugurado em 1929, o Bar Procopão acompanhou as emoções de todas as Copas do Mundo realizadas até hoje. O torneio começou em 1930, no Uruguai. Para este ano, em que pela segunda vez o Brasil irá sediar o evento, os preparativos estão a todo vapor. "Iremos ampliar o número de televisores para transmissão de jogos, e o uniforme dos funcionários será diferenciado, estamos com muitas ideias", conta o proprietário Sérgio Alves.

O proprietário da Churrasqueira, Saulo Oliveira, está otimista com os resultados da Copa. "Em dias de jogos da seleção, trabalhamos com a casa lotada", justifica. "Com a realização do evento no Brasil, teremos as partidas de acordo com os nossos horários, o que deixa o setor ainda mais confiante." Ele adianta que uma série de ações está sendo preparada pelo estabelecimento para o torneio.

 

 

Publicitários enfrentam desafio

Os desafios da Copa do Mundo não se restringem aos campos. Nas agências de publicidade, segmento do setor de serviços que também registra aumento da demanda com a realização do mundial, a tarefa é driblar a concorrência com criatividade, usando o mesmo tema como inspiração e sem esbarrar na Lei Geral da Copa.

Na agência Pinball, o desenvolvimento dos trabalhos com o tema do evento começou há dois anos. "A Copa causa impactos diferentes nos nossos clientes, por isso, temos que elaborar estratégias para cada situação", explica o publicitário Kico Bakúnin. "No caso da rede de cinemas Moviecom, o período de jogos representa queda nas bilheterias. Sendo assim, começamos a planejar ações com dois anos de antecedência." Ele conta que a vinheta de instruções para uso do cinema exibida antes das sessões tem como tema o mundial. "O vídeo demorou oito meses para ser produzido e já está rodando há dois meses. O setor de publicidade tem que se preparar primeiro, embora muitas demandas apareçam de última hora." Sem revelar quanto, Kico garante que a Copa do Mundo representa aumento de faturamento para o setor. "Sempre traz um incremento, pois é mais uma oportunidade de elaborar ações. Há clientes que se preparam para isso, mas há outros que ao verem o resultado da concorrência acabam querendo entrar no clima também."

Na Trópico Propaganda, as ideias já estão a pleno vapor. "Nós aproveitamos a oportunidade do evento para propor ações para os clientes. Fazemos isso com antecedência até mesmo para que eles possam se preparar financeiramente", explica a executiva de contas Isabela Rezende. Segundo ela, a agência analisa quais clientes poderão ser impactados pelo evento e, a partir de então, oferece o planejamento. "Um exemplo dessas ações é o trabalho visual do Carnadministrando, que foi fechado com a Viva Eventos. Neste ano, a festa fará referência à Copa", adianta a executiva de contas Aline Hauck. Para ela, não há como garantir que o mundial será sinônimo de crescimento dos lucros da agência. "Em 2014 teremos o Carnaval em março e as eleições em outubro. Os investimentos estão sendo feitos de forma mais cautelosa por parte dos clientes, mas nossas expectativas são boas."

 

Segmentos ficam para escanteio

Se por um lado a Copa do Mundo no Brasil pode oferecer oportunidade de crescimento para alguns, há segmentos da economia que ficarão de fora do clima de euforia provocado pela realização do torneio. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) da Zona da Mata, Francisco Campolina, concorda que o evento "é um excelente negócio", mas faz a ressalva de que o perfil das indústrias da região - voltadas para a fabricação de bens de consumo não duráveis - não é o que mais se beneficia com a realização da Copa. "Os segmentos de produção de eletrônicos e fogos de artifícios são bons exemplos de quem vai conseguir faturar mais por causa dos jogos. Mas as indústrias da nossa região terão pouco retorno, pois atenderão demandas mais pontuais no ramos de confecção e brindes." Ele destaca que com a sanção da Lei Geral da Copa a produção de artigos ficou mais restrita. "A Fifa possui os patrocinadores oficiais de camisas e uniformes, o que reduz a nossa produção. Na década de 70, por exemplo, nós tínhamos malharias trabalhando 24 horas por dia para atender a demanda do comércio do entorno. Hoje os empresários irão buscar os produtos oficiais para revender."

O presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), entidade que representa os setores de comércio e serviços, Emerson Beloti, afirma que os impactos econômicos da Copa serão sentidos de forma bem diferente para cada estabelecimento. "Temos uma parte do comércio que será muito beneficiada com o evento, e outra que será prejudicada", afirma. Segundo ele, lojas de tecidos, utilidades, eletrônicos, materiais esportivos e os supermercados terão aquecimento da demanda. "Em contrapartida teremos segmentos como de vestuário e calçados, por exemplo, que não receberão um número maior de consumidores e ainda terão a jornada de trabalho alterada por conta dos jogos."

Beloti afirma que não há um calendário específico que os empresários irão seguir durante a realização do torneio. "Será de acordo com cada empresa, mas sabemos que o brasileiro gosta de futebol e, portanto, é esperado que algumas lojas funcionem em horários diferenciados em dias de jogos do Brasil." Quanto ao setor de serviços, ele explica que é difícil mensurar como serão os impactos ocasionados pelo torneio. "É um setor muito heterogêneo e, por isso, a complexidade de afirmar se haverá crescimento ou não."

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