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26 de Janeiro de 2013 - 07:00

Por Gracielle Nocelli

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O saldo de empregos formais (com carteira assinada) em Juiz de Fora fechou 2012 com 6.636 novas vagas, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado é o segundo melhor da série histórica, iniciada em 2003, ficando atrás apenas de 2010, quando o saldo foi de 6.774. Com isso, o município alcançou o 31º lugar no ranking de cidades brasileiras que mais criaram oportunidades de emprego.

O bom desempenho teve como protagonista o setor de serviços, que encerrou o ano com 5.512 novos postos de trabalho, 83% do saldo acumulado no ano. Em seguida, estão comércio (681) e construção civil (672). A indústria de transformação foi o setor com pior resultado. Na diferença entre admissões e demissões, o saldo ficou negativo em 123 vagas.

Para o coordenador de projetos da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SPDE) da PJF, André Zuchi, os resultados são muito positivos e mostram o bom momento da economia local. "Nos três últimos anos, conseguimos reverter as expectativas econômicas do município. As estatísticas mostram isso, o saldo de vagas é uma destas comprovações", analisa. "Mesmo com a economia nacional não caminhando tão bem, conseguimos nos equilibrar", completa. Sobre a expansão do setor de serviços, ele atribui à instalação de empresas de call center a criação de novos empregos.

Com relação ao comportamento da indústria, Zuchi afirma que a situação deve ser revertida em 2013 com a consolidação dos grandes empreendimentos. "Com a operação plena de empresas como Brafer, Codeme e CBU, poderemos melhorar este cenário."

Na avaliação do presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti, o crescimento do setor de serviços também pode ser explicado pelo aumento da regularização de empreendedores que, até então, estavam informais. "Desde 2009, quando foi criada a figura do empreendedor individual, percebemos um salto do setor de serviços." Segundo ele, esta é uma realidade que está acontecendo em todo o país e também se reflete na cidade. "Estamos vivendo um boom. As atividades de serviço ainda não chegaram ao ápice, quando isto acontecer, o setor se estabilizará."

Apesar de ter vivido maus momentos em 2012, o comércio conseguiu encerrar o ano com saldo positivo de vagas. Para Beloti, o resultado mostra que o setor não vive período de retração. "Nós acreditávamos que seria um ano muito bom e não foi. Mas, sabemos que o varejo é uma das áreas que mais emprega na cidade", destaca.

 

 

 

Saldo em dezembro é o pior desde 2003

O balanço positivo da empregabilidade em Juiz de Fora no ano passado poderia ter sido ainda maior se não fosse o resultado do mês de dezembro. No último mês do ano passado, os dados do Caged mostram uma queda brusca no saldo de vagas: -720. O saldo foi o único negativo de 2012, e o pior para o mês desde 2003. Em novembro, por exemplo, houve criação de 1.256 vagas na cidade. Os setores da indústria de transformação e da construção civil foram os que apresentaram os piores saldos em dezembro: - 448 e - 238 vagas, respectivamente.

Na análise do economista Antônio Flávio Lucca do Nascimento, o fantasma da desindustrialização assombrou o setor industrial durante todo o ano. "A crise internacional, a variação do câmbio e o valor baixo das commodities foram alguns dos motivos que trouxeram uma retração nos investimentos. Sem investir, há baixa na produção e, consequentemente, na contratação." Ele explica que a situação é alarmante em todo o país. "Juiz de Fora refletiu o cenário nacional", garante. Ele diz que a situação no município só não foi pior por conta da chegada de empresas como Brafer, Codeme, CBU e a inauguração da nova planta da Mercedes-Benz. A Tribuna não conseguiu fazer contato com os representantes do Centro Industrial e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) da Zona da Mata para comentarem o assunto.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, o alto índice de demissões no mês de dezembro faz parte da sazonalidade vivida pelo setor. "É algo esperado. No período de chuvas não há contratações. O final do ano também é a época em que a maior parte das obras terminam e, assim, temos as demissões", explica.

 

 

Salário médio no país sobe 4,69%

Brasília (ABr) - No país, a criação de empregos em 2012 foi a pior em três anos, com a geração de 1.301.842 milhão de postos formais (com carteira assinada). Antes de 2012, o pior desempenho foi registrado em 2009, ano da crise financeira internacional, quando foram abertas 1.397.844 milhão de vagas. O salário médio dos trabalhadores brasileiros em 2012, em contraponto, foi 4,69% mais alto do que em 2011. Em média, no ano passado, os salários chegaram a R$ 1.011,77, no ano anterior, os rendimentos somavam R$ 966,45.

"Os números do Caged não são absolutos, não contabilizam os empregos temporários, por exemplo, que são expressivos. Essa queda na geração de empregos formais decorre dos efeitos da crise financeira internacional, que gerou um desaquecimento no mundo inteiro. O Brasil, mesmo assim, conseguiu responder aos efeitos gerando um saldo positivo. Ainda que não como nos anos anteriores, atendemos ao crescimento da População Economicamente Ativa (PEA)", explicou o ministro do Trabalho, Brizola Neto.

Segundo ele, a geração de empregos deverá ser retomada em 2013, com a criação média anual de dois milhões de postos, favorecida por desonerações no setor de energia e das folhas de pagamentos, por isenções de impostos e pela queda da taxa de juros. Dos empregos gerados no ano passado, a maioria foi no setor de serviços (666,1 mil), seguido pelo comércio (372,3 mil) e pela construção civil (149,2 mil). Em contraponto, os setores em que houve menos abertura de vagas foram o da administração pública (1,4 mil), o da agropecuária (4,9 mil) e a dos serviços industriais (10,2 mil).

"Com a proximidade dos grandes eventos internacionais, esperamos mais crescimento ainda dos serviços. A superação da crise internacional também deverá melhorar o desempenho da indústria", informou o ministro Brizola Neto.

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