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24 de Junho de 2014 - 18:46

Cidade perde 332 vagas e registra o pior maio desde o início do cadastro, em 2003

Por Tribuna

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Juiz de Fora apresentou o pior resultado desde 2003.
Juiz de Fora apresentou o pior resultado desde 2003.

Juiz de Fora apresentou o pior resultado em criação de empregos formais considerando o mês de maio desde o início da série histórica, em 2003. Com a contratação de 6.239 profissionais e a demissão de 6.571 no mês passado, o saldo negativo de 332 vagas destoa da performance do município verificada no mesmo mês do ano anterior (ver quadro). Na época, o cenário foi inverso: as contratações superaram as dispensas, resultado na criação de 256 empregos com carteira assinada no município. Os dados constam do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (24) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No mês, a variação é negativa em 0,23%.

Considerando o acumulado do ano, o saldo do município também é negativo em 477 vagas. Nos cinco primeiros meses, houve 32.022 admissões contra 32.499 dispensas. A oscilação em 2014 é negativa em 0,34%. Dentre os setores produtivos, serviços, que costuma ser o recordista em criação de vagas, apresentou o pior desempenho em maio, com saldo negativo de 230 postos. A indústria da transformação ficou em segundo lugar (-210), seguida pela construção civil (-34). O comércio conseguiu fechar o mês com saldo positivo de 84 empregos com carteira assinada. No ano, o comércio apresenta a pior performance (-703), seguido, de perto, pelos serviços (-600).

Para o professor da Faculdade de Economia da UFJF e doutor em economia Fernando Perobelli, o comportamento da criação de empregos formais em Juiz de Fora seguiu, em maio, tendência nacional atrelada ao ritmo de crescimento da economia, com sinais de desaceleração. A análise setorial, segundo ele, corrobora essa percepção. Perobelli explica que saldos negativos em indústria de transformação e construção civil ocorrem em momentos de diminuição do ritmo de crescimento. "O saldo negativo na indústria confirma uma tendência declinante que já vinha acontecendo."

Em relação ao setor de serviços, o economista avalia que, muitas vezes, o seu crescimento está atrelado ao da estrutura produtiva industrial. Na prática, explica, se há saldo negativo na criação de empregos na indústria isso também ocorre, muitas das vezes, no setor de serviços. "O resultado para Juiz de Fora já era esperado, pois a economia do município não tem apresentado crescimento total e setorial diferenciado do país. Se isso ocorresse, teríamos um diferencial."

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, identifica que maio foi um mês ruim. Para ele, 2014 não deve ser favorável para o emprego em Juiz de Fora, a exemplo do restante do país. "A economia não está sinalizando positivamente. Não será um ano fácil", avalia. Para o secretário, Juiz de Fora, como cidade polo, potencializa os resultados, inclusive os não favoráveis. Zuchi destaca, no entanto, que a indústria vem mantendo empregos (saldo de 314 na indústria de transformação e 446 na construção civil no acumulado do ano), fruto dos investimentos feitos no setor. Para o secretário, a luz amarela está acesa, mas, na sua opinião, pode haver recuperação antes até do final do ano.

 

O pior em 22 anos

No país, a geração de empregos formais foi a mais baixa para o mês nos últimos 22 anos - pouco mais de 58 mil postos de trabalho, resultado de 1.849.591 admissões e 1.790.755 demissões. Saldo pior do que esse foi registrado em maio de 1992, com a criação de 21.500 empregos. No cenário nacional, a indústria de transformação contribuiu para a performance, com mais de 28.500 postos fechados no mês, em especial indústria mecânica, com 6.600 demissões, de material de transporte (-5.300) e de produtos alimentícios (-4.800).

"A análise que fazemos é a de que tivemos um fevereiro que talvez tenha antecipado muitos do empregos para a Copa (do Mundo), na medida em que os trabalhadores precisavam de treinamento", disse o ministro do Trabalho, Manoel Dias. "O Brasil continua na zona de geração de emprego. O que pode acontecer é variar, como está variando. A partir da perspectiva que o Brasil está em pleno emprego, não há mais demandas como havia antes", explicou o ministro à Agência Brasil.

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