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01 de Fevereiro de 2014 - 18:13

Caminhoneiros querem posição da montadora com relação ao seu futuro com a perspectiva de produção de automóveis no interior de São Paulo

Por Tribuna

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Polícia Militar acompanhou cumprimento da ordem judicial
Polícia Militar acompanhou cumprimento da ordem judicial

Oficiais de Justiça estiveram no pátio da Mercedes-Benz neste sábado (1) para cumprir uma ordem judicial para a desobstrução das entradas e saídas da montadora, fechadas por cegonheiras. Durante três dias a produção da unidade em Juiz de Fora não era escoada em função do protesto dos caminhoneiros, que trabalhariam para uma empresa prestadora de serviço da montadora há mais de 15 anos. Eles estão de braços cruzados há 17 dias, aguardando um acordo com a montadora, que prepara-se para produzir automóveis em Iracemápolis, em São Paulo. Sem posicionamento, a categoria não realiza o transporte dos veículos e nem permite que ele o serviço seja prestado por outra transportadora já contratada pela Mercedes. O temor dos cegonheiros é de que tenham de se deslocar para São Paulo em função da possível transferência das operações logísticas.

A chegada de cegonheiras vindas de São Paulo para transportar os caminhões da montadora intensificou as ações dos manifestantes. Dois oficiais de Justiça também chegaram ao local, com a retaguarda de mais de 30 policiais militares, para fazer cumprir a determinação judicial. Em uma assembleia no início da manhã, os caminhoneiros decidiram não realizar a desobstrução. Entretanto, por volta do meio-dia, em nova reunião, concordaram em permitir a retirada de 33 caminhões produzidos na montadora alemã.

"Os manifestantes estão impedindo a entrada de carga e peças, e, com a liminar, o juiz pede a desobstrução dos acessos para que a montadora consiga transportar 33 caminhões. Caso não cumpram o mandado, podem sofrer multa diária de R$50 mil", explicou a oficial Isabel Cristina Mageste Bomfim, informando que o mandado liminar de interdito proibitório foi expedido pelo juiz substituto da 2ª Vara Cível, Mauro Pitelli.

Um dos diretores da Mercedes estava no local com o advogado, mas disse que não poderia se pronunciar sobre a situação. Presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Minas, Carlos Roesel, que também estava na montadora para tentar agilizar as negociações, explicou o motivo do protesto. "Quando a Mercedes se instalou na cidade, uma transportadora capixaba foi a escolhida para realizar o transporte dos veículos. Na época, os caminhoneiros mineiros, sobretudo os de Juiz de Fora, reivindicaram o transporte. Houve uma negociação, e a transportadora veio para Juiz de Fora, mas terceirizando o trabalho dos caminhoneiros mineiros. Muitos se mudaram para a região da Barreira do Triunfo e Novo Triunfo, onde constituíram famílias. Agora, com a mudança da fábrica para São Paulo, a insegurança ficou enorme. Se forem para lá, várias famílias serão afetadas. Se não forem, precisam ter garantido que continuarão a realizar o transporte dos produtos da marca aqui produzidos. Eles prestam serviços para a transportadora capixaba, mas têm vínculo com a montadora. São mais de 15 anos de vínculo e transporte exclusivo. A maioria paga prestação desses caminhões, de R$ 6 mil a R$ 8 mil por mês. O que querem é que a multinacional aponte uma solução. A empresa ficou de realizar uma reunião na segunda-feira e disse que não iria acionar a Justiça, mas o que aconteceu hoje foi o contrário, por isso foi feito o bloqueio."

O tenente Luciano Fontainha, comandante da 173ª Companhia da PM, explicou que a liberação dos 33 caminhões foi permitida pelos manifestantes no início da tarde. Entretanto, os caminhoneiros iriam permanecer na sede da montadora, onde estão acampados com estrutura de redes, banheiro químico e comida até posicionamento da montadora alemã.

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