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10 de Fevereiro de 2014 - 21:14

Em busca de qualificação gratuita, juiz-foranos passaram até três dias acampados na porta do Senac

Por Pedro Brasil

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Candidatos montaram barracas na porta do Senac
Candidatos montaram barracas na porta do Senac

Mais de 90 pessoas enfrentaram longa fila na Avenida Rio Branco para tentar, nesta segunda-feira (10), uma das 60 vagas disponibilizadas em Juiz de Fora pelo Senac para dois cursos técnicos: segurança do trabalho e nutrição e dietética. A cena, pouco comum na cidade, já tinha sido vista no início do ano, quando cerca de cem candidatos disputaram as 16 vagas para o curso técnico de cabeleireiro, oferecido pela mesma instituição. Para o diretor escolar da unidade Juiz de Fora do Senac, Luiz Henrique Andrade, a dinâmica do trabalhador na busca por colocação mudou: "hoje, a tônica é fazer o curso técnico, conseguir a inserção no mercado de trabalho para, posteriormente, partir para um curso de graduação. Assim, em apenas 18 meses, o profissional já está apto para o mercado. Caso ele deseje continuar a se especializar na área, ele continua sua formação. O fluxo se inverteu", defende.

Para se inscrever, além da necessidade de ter em mãos os documentos requisitados pela instituição (a lista completa está disponível no site do Senac), estar inscrito ou já ter cursado o ensino médio, o critério é a ordem de chegada, o que justifica as grandes filas vistas nesse início de ano. Os cursos cujas inscrições foram feitas nesta segunda terão início no dia 24 de março. A carga horária do curso de técnico em nutrição e dietética é de 1.300 horas, enquanto a do de segurança do trabalho é de 1.500 horas. Os cursos são totalmente gratuitos. Foram disponibilizadas 60 vagas no total (30 para cada um) e todas foram preenchidas. A previsão é que novas oportunidades, para cursos ainda não definidos, sejam abertas em julho.

A primeira candidata da fila desta segunda, Natália Campos Luiz, 17 anos, passou o final de semana de sol acampada em frente à instituição para garantir a sua oportunidade (ela chegou ao local às 8h da última sexta-feira). E, para ela, os três dias sob o sol valeram a pena. "Eu prestei o Enem e não consegui me classificar. Vejo que a alternativa do ensino técnico é muito válida para ingressar no mercado de trabalho. Estou feliz por conseguir a vaga", afirmou a futura técnica em segurança do trabalho.

 

Tendência

A fila em frente ao Senac reflete a tendência de crescimento na procura por cursos de capacitação profissional. Essa é a opinião da diretora executiva da Associação Brasileira de Recursos Humanos, filial Minas Gerais (ABRH/MG), Lara Rosane Castro. "Há algum tempo, se a pessoa fazia um bom trabalho, isso já era o suficiente para ela conseguir o emprego. Hoje, além disso, a formação é um diferencial para entrar e se manter no mercado de trabalho", afirmou. Ainda de acordo com a especialista, a capacitação ajuda os profissionais que também pretendem montar o próprio negócio. "A capacitação dá segurança para a realização de qualquer tarefa. A base teórica complementa a prática e dá agilidade para a produção, dá maior conhecimento. Além disso, (a teoria) possibilita que o trabalhador descubra outras técnicas e tenha uma visão mais ampla do mercado, isto é, nichos de mercado pouco explorados", explica.

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