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27 de Março de 2014 - 07:00

Montadora confirma férias coletivas para 450 funcionários; Sindicato dos Metalúrgicos de JF nega negociação

Por Gracielle Nocelli

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Férias coletivas vão de 22 de abril a 12 de maio
Férias coletivas vão de 22 de abril a 12 de maio

Quatrocentos e cinquenta funcionários da linha de produção da Mercedes-Benz em Juiz de Fora entrarão em férias coletivas no período de 22 de abril a 12 de maio. A medida, segundo a empresa, "pretende adequar a produção de caminhões feita na cidade à realidade dos mercados brasileiro e argentino." No momento, o setor vive redução do consumo interno e queda nas exportações para Argentina, um dos principais mercados consumidores. Na fábrica da Mercedes em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, desde o final de fevereiro, dois mil trabalhadores que atuam na produção de caminhões tiveram a semana de trabalho reduzida, de cinco para quatro dias, pelo mesmo motivo. "Se for necessário, a redução da jornada continuará nos próximos meses", garante a montadora via assessoria.

A diferença nas medidas para "conter" a produção de caminhões em ambas as unidades são explicadas pela Mercedes como "resultado da negociação realizada entre os sindicatos dos trabalhadores de cada cidade." De acordo com a assessoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os dirigentes da entidade se reuniram com representantes da empresa e definiram a adoção da redução da semana de trabalho. "Os dias parados serão descontados no banco de horas dos operários. Não haverá demissões", explica. "Os trabalhadores da linha de produção de ônibus não serão afetados."

Já o Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora garante que não participou de nenhuma negociação para definição da medida que será adotada na cidade. "Recebi um telefonema na terça-feira informando sobre a decisão das férias coletivas, que foi confirmada ontem por um comunicado oficial", declarou o presidente João César da Silva. Segundo ele, a empresa não detalhou quantos funcionários seriam afetados, nem como funcionaria o esquema de pagamento. "Amanhã (quinta) estaremos em contato com a empresa para obter mais informações sobre a situação e garantir que os direitos dos trabalhadores não sejam prejudicados."

João César diz que há preocupação com relação ao futuro da fábrica juiz-forana. "É a segunda vez neste início de ano que a Mercedes concede férias coletivas aos trabalhadores. A primeira ocorreu entre 29 de fevereiro e 7 de março", ressalta. "Isso causa insegurança, não só pela possibilidade de demissões, mas também com relação ao que vai ocorrer com a unidade local." Na próxima semana, o sindicato irá se reunir com os trabalhadores para discutir a situação. "Junto com a categoria iremos analisar a necessidade de tomar alguma medida preventiva."

 

Histórico

No início deste mês foi realizada audiência pública na Câmara Municipal para discutir a situação dos metalúrgicos da Mercedes. Naquela ocasião, as demissões na planta juiz-forana, a transferência da distribuição e do faturamento de veículos importados da cidade para Iracemápolis, em São Paulo, e o indicativo de 30 dias de férias coletivas teriam preocupado a categoria. O receio era a possibilidade de esvaziamento da fábrica, que hoje utiliza cerca de 35% da sua capacidade produtiva e mantém entre 800 e 850 funcionários, sendo que já chegou a ter mais de mil.

 

No país

Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram queda de 4% nas vendas de caminhão no país neste primeiro bimestre de 2014 em comparação com igual período de 2013. A crise cambial e as medidas que limitam as licenças de importação da Argentina estariam afetando diretamente a exportação de veículos brasileiros, enquanto o mercado consumidor interno vive momento de acomodação. Diante deste cenário, a retração na produção de caminhões não é uma medida exclusiva da Mercedes-Benz. As empresas Scania e Ford, situadas no ABC paulista, também adotaram medidas para desaceleração das linhas de montagem.

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