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27 de Maio de 2014 - 07:00

Após reunião sem acordo na última sexta-feira, empresa convocou metalúrgicos para nova conversa nesta segunda-feira

Por Tribuna

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Representantes da Mercedes-Benz em Juiz de Fora e do Sindicato dos Metalúrgicos se reuniram mais uma vez nesta segunda-feira (26) para discutir os rumos da linha de produção da fábrica. Segundo informações da entidade, durante o encontro, a montadora comunicou a realização de 52 dias de paralisação das atividades, entre junho e dezembro, e a redução da fabricação do caminhão modelo Actros em 200 unidades este ano. Sobre as demissões ocorridas na cidade -130 desde setembro, segundo cálculos do sindicato -, não houve posicionamento. Diante da situação, representantes do sindicato seguiram para Brasília para reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, o convite para o encontro realizado nesta segunda foi recebido com surpresa, já que na última sexta-feira, 23, a categoria esteve com a diretoria da companhia em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na ocasião, os trabalhadores reforçaram a proposta de negociação. "Concordamos em discutir a suspensão de contratos desde que o trabalhador receba o salário e tenha a garantia do emprego durante, pelo menos, 16 meses." A medida de suspensão, conhecida como layoff, é permitida pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) durante até cinco meses para participação do empregado em curso ou programa de qualificação oferecido pelo empregador.

A proposta da categoria também exige a reintegração dos 20 funcionários demitidos este mês e propõe a realização do Programa de Demissão Voluntária (PDV) como alternativa à contenção da produção. João César alega que outras montadoras também afetadas pela crise do setor automotivo não estão adotando o corte de pessoal como medida para enfrentar a situação. "Não se pode deixar que o trabalhador pague essa conta."

Procurada pela Tribuna, a assessoria da Mercedes se limitou a dizer que a empresa "está adotando medidas para adequar a produção à realidade do mercado", desaquecido diante da queda das exportações para Argentina e redução do consumo interno, e não confirmou quais ações serão realizadas. Em abril, a companhia deu férias coletivas durante 20 dias para 450 empregados da linha de produção. Quando os profissionais retornaram, este mês, foram informados que a jornada de trabalho seria reduzida de cinco para quatro dias da semana.

 

Brasília

Segundo João César, o encontro com representantes do MDIC tem a proposta de expor a situação vivida na planta da Mercedes em Juiz de Fora e compreender quais benefícios a montadora recebeu do Governo por meio do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto). "Assim saberemos se ambas as situações são compatíveis. Se a empresa tem um benefício, ela deve oferecer uma contrapartida. Queremos garantir o emprego dos trabalhadores."

Além da reintegração dos funcionários demitidos este mês, o sindicato almeja o ajuizamento de uma ação civil pública para reaver o emprego dos 130 profissionais que teriam sido demitidos desde setembro.

 

São Bernardo

Na fábrica de São Bernardo do Campo, desde fevereiro, dois mil trabalhadores atuam com a semana de trabalho reduzida de cinco para quatro dias. Em maio, as medidas para conter a produção foram ampliadas, quando 700 funcionários entraram em licença remunerada por período indeterminado, fazendo com que a linha de montagem opere em apenas um turno.

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