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23 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Estado é o segundo do país em número de empresas com esse perfil; JF tem destaque no cenário tecnológico

Por GRACIELLE NOCELLI

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Vitor, da UP!: lançamento nacional em 2015
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Samir, da Qrânio: empresa avaliada em R$ 20 milhões
Samir, da Qrânio: empresa avaliada em R$ 20 milhões

Transformar ideias em negócios inovadores e muito lucrativos é o principal desafio para empreendedores de startups, empresas de base tecnológica com grande capacidade de crescimento de receitas e baixo custo. Impulsionados pela disseminação da internet e por histórias de sucesso como a do americano Mark Zuckerberg, criador do Facebook, cada vez mais brasileiros encaram o desafio. Minas Gerais ocupa o segundo lugar no ranking nacional em número de startups (190), atrás apenas de São Paulo (611), conforme dados do Startup Base. O Governo mineiro planeja consolidar o estado como berço do empreendedorismo tecnológico na América Latina e, para isso, criou o programa de aceleração do desenvolvimento deste modelo de negócio, o "Startups and entrepreneurship ecosystem development" (SEED). Nesta empreitada, Juiz de Fora tem importante participação, que deve ser ainda mais significativa com a implantação do Parque Tecnológico da UFJF, previsto para operar em 2015.

Conquistar espaço e se manter neste mercado não são tarefas fáceis, mas os resultados podem compensar. Só no ano passado, investimentos de terceiros neste tipo de negócio injetaram R$ 600 milhões na economia do país, e a expectativa é de aumento de 25% em 2014, de acordo com pesquisa da Anjos do Brasil, organização que fomenta o chamado "investimento-anjo" em apoio ao empreendedorismo de inovação. "O investidor anjo auxilia o desenvolvimento de empresas iniciantes, seja por meio do investimento financeiro ou pela transmissão de conhecimento", explica o fundador da organização, Cássio Spina.

Criada em 2011, a startup juiz-forana Qrânio já colhe frutos deste tipo de apoio. "Em 2012, recebemos aportes de R$ 500 mil e de R$ 300 mil. Na semana passada, recebemos R$ 600 mil, do mesmo investidor e de outros três sócios", conta o fundador da empresa, Samir Iásbeck. Ele não revela o faturamento da Qrânio, mas os números indicam consolidação no mercado. A empresa está avaliada em R$ 20 milhões e tem escritórios em Juiz de Fora, São Paulo e Lisboa. Os usuários do quiz-game criado pela Qrânio somam 989 mil. "Queremos ser referência global de conteúdo de qualidade destinado à massa até 2017", almeja Samir, que no início deste mês foi nomeado embaixador oficial do programa SEED. "Empreender no Brasil não é tarefa fácil e, por isso, é louvável vermos ações como essa, que incentivam e fomentam novas startups."

Também de Juiz de Fora, a UP! GPS Online, do jovem Vitor Jannuzi, busca espaço. Em 2012, aos 17 anos, o estudante transformou o projeto de conclusão de curso do ensino médio em aplicativo para dispositivos móveis que mostra ao usuário o melhor trajeto e opções de transporte de um ponto a outro de qualquer cidade do mundo. "Quando comecei a estudar a viabilidade do projeto, descobri que eu tinha uma startup." Segundo Victor, a proposta é que em 2015 o produto seja lançado em todo Brasil. "Antes teremos uma fase de testes." Na trajetória ainda recente da UP!, ele destaca a indicação entre as 20 empresas que marcaram a última edição da Campus Party, considerada o maior evento de inovação tecnológica do mundo.

 

Aposta é em 'círculo virtuoso'

"Temos startups mineiras de sucesso internacional", destaca o CEO do programa SEED, Leandro Campos. "Além do famoso San Pedro Valley, em Belo Horizonte, estão surgindo polos como Juiz de Fora, Uberlândia, Uberaba e Itajubá." Por meio do SEED, ele espera fortalecer o estado para o desenvolvimento de startups. O programa oferece até R$ 80 mil em recursos, além de consultoria e capacitação para os projetos selecionados. Os empreendedores podem ser do Brasil ou exterior, mas durante o período de maturação do negócio (seis meses) devem se instalar no estado. "Acreditamos que ao atrair estes empreendedores, o ambiente de negócios local se torna mais atrativo para novos talentos. Este círculo virtuoso nos ajudará a diversificar a economia e promover a transformação de conhecimento em negócios de maior valor e conteúdo tecnológico", analisa Leandro.

O analista do Sebrae da Zona da Mata, Marcelo Rother, concorda que um ambiente que ofereça disponibilidade de tecnologias, mão de obra e recursos para o desenvolvimento de novos negócios pode incentivar a criação de startups."Estas empresas geram demandas e estimulam o mercado local a desenvolvê-las. Outro efeito interessante na economia é que o mercado consumidor pode ser bastante amplo, trazendo riquezas de outros locais para a cidade onde estão instaladas."

No cenário juiz-forano, a implantação do Parque Tecnológico da UFJF é promessa para ampliação do potencial do setor na cidade. "Caminhamos para ser polo de inovação, pois temos formação de recursos humanos de qualidade, infraestrutura de energia, tecnologia, logística e o custo de vida não é alto", avalia o secretário de desenvolvimento tecnológico da UFJF, Paulo Nepomuceno. "O Parque irá ampliar esse potencial ao integrar empresários, academia e poder público em um só ambiente. O retorno será muito interessante, pois empresas de base tecnológica possuem produto de alto valor agregado e geram empregos com salários maiores." As obras para construção do espaço, porém, seguem embargadas no Tribunal de Contas da União (TCU). Hoje, através do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt), abriga sete startups.

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