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17 de Dezembro de 2013 - 07:00

Apesar do grande fluxo de pessoas no Centro, lojas estão vazias, e desempenho de vendas é fraco para este Natal

Por Gracielle Nocelli

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Demanda baixa é situação atípica para o período
Demanda baixa é situação atípica para o período

A uma semana do Natal, o movimento verificado nas ruas do Centro de Juiz de Fora ainda não se converteu em  vendas no comércio. Enquanto do lado de fora das lojas há aglomeração de pessoas, o interior dos estabelecimentos está vazio. A Tribuna percorreu nesta segunda-feira (16) quinze lojas dos segmentos de vestuário, calçados, perfumaria, acessórios, eletro eletrônicos e infantil nas ruas São João, Halfeld, Floriano Peixoto, Marechal Deodoro e Avenida Getúlio Vargas. Em todas elas, lojistas e vendedores relataram que a demanda tem sido muito baixa, situação atípica para o período, considerado o melhor para o setor, que vem registrando números fracos ao longo de todo o ano.

A espera pelo pagamento da segunda parcela do 13º salário, o endividamento da população, a perda do costume de presentear a família na data, o maior consumo ao longo do ano e o velho hábito dos consumidores de deixarem as compras para a última hora são algumas das justificativas dadas pelos lojistas. "Não parece que é Natal. Há muitas pessoas na rua, mas ninguém está comprando", diz o proprietário da loja de roupas Rush, Matheus Ramos. Ele conta que a experiência deste ano se difere dos anteriores. "Estamos aqui desde 2009. Nesta época do ano, a loja sempre ficava cheia." Para o empresário, o fraco desempenho das vendas remete ao cenário econômico desenhado ao longo do ano. "Foram muitos incentivos para a compra de automóveis e eletrodomésticos. Desta forma, outros itens ficaram em segundo plano."

Na Ricardo Eletro, o gerente Anderson Pinto diz que foi um bom ano de vendas, mas confirma que o movimento para o Natal está aquém do esperado, principalmente se comparado com o verificado nas ruas. "Lá fora há um tumulto de pessoas, aqui dentro a procura ainda está acontecendo. Temos expectativa de crescimento, mas acredito que a demanda irá aumentar depois do dia 20, quando sair a segunda parcela do 13º salário." 

Para o diretor da loja de calçados Meninas Gerais, Frederico Belline, houve uma mudança no hábito do consumidor, o que enfraqueceu as vendas. "Antes as pessoas esperavam o Natal para comprar bons presentes para família. Hoje há um consumo "agressivo" ao longo do ano, e a data perdeu este significado", avalia. "Observamos, ainda, que nosso segmento o cliente tem comprado para ele mesmo. Talvez no setor de acessórios ainda haja a procura por produtos para presentear, já que é uma opção para a brincadeira do amigo oculto", especula ele. A proprietária de uma loja de bijuterias, porém, que preferiu não se identificar, afirma que o setor também está sofrendo com a pequena procura. "A loja não está com movimento esperado para dezembro. Diante disso, não acredito que iremos superar o resultado do ano passado, no máximo mantê-lo." 

 

Loja registra queda de 50% nas vendas

Oficialmente, a expectativa da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Juiz de Fora (CDL-JF) é de que as vendas aumentem em até 10% este ano. Já o Sindicato do Comércio (Sindicomércio) divulgou em novembro pesquisa indicando que 78% dos juiz-foranos pretendiam ir às compras neste Natal, sendo que 70% tinham intenção de levar os presentes para casa com, pelo menos, uma semana de antecedêcia. O levantamento apontava ainda que 23% dos consumidores locais pretendiam gastar mais este ano do que em 2012.

As projeções da proprietária da Bela Bijuterias, Roberta Gonçalves, são menos otimistas. "Contabilizamos queda de 50% das vendas em relação ao mesmo período de 2012. Este Natal está cruel", desabafa. Segundo ela, no ano passado, nesta época do ano, o movimento de clientes era intenso. "Tínhamos um funcionário que ficava do lado de fora da loja para controlar o fluxo de pessoas. Agora, estamos com a loja vazia na maior parte do tempo." Para ela, o endividamento da população é a resposta para a realidade vivida pelo comércio. "Este ano está péssimo. Abrir no fim de semana por conta do horário especial significou prejuízo para nós. Sábado e domingo não tivemos movimento."

O gerente da loja de calçados Art Acessorium, Marco Aurélio de Oliveira, afirma ter passado pela mesma situação. "Não há demanda para ficarmos com as portas abertas. Este fim de semana foi fraquíssimo. O horário especial tem sido prejuízo para o proprietário, que tem que pagar o funcionário, conceder folga depois, e arcar com despesa de energia sem obter nenhum resultado nas vendas."

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