Publicidade

03 de Junho de 2014 - 07:00

Por Fernanda Finotti C. Perobelli, Lucas Picardi e Julyara Costa

Compartilhar
 

Conforme divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu pífios 0,2% no primeiro trimestre deste ano. Esse resultado, pior do que o esperado pelos economistas, deriva da redução observada em praticamente todos os componentes da demanda na comparação com os três meses anteriores: 0,1% no consumo das famílias, 2,1% na taxa de investimento das empresas e 3,3% nas exportações. Somente as importações cresceram (1,4%).

O cenário sombrio que aparece no PIB já vinha sendo antecipado por outros indicadores. O índice de confiança do consumidor medido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), por exemplo, apresentou uma queda de 25% no último ano, num movimento que acompanha o ciclo da alta de juros iniciado em abril de 2013.

Desde 2009, na esteira da crise financeira que abalou os países desenvolvidos, o Brasil vem experimentando uma política expansionista de crédito materializada, principalmente, pela redução das taxas de juros. O principal objetivo do crédito é estimular a economia uma vez que, ao demandá-lo, pessoas aumentam a aquisição de bens de consumo e empresas investem em bens de capital, expandindo a produção e gerando mais empregos.

Neste ano, entretanto, a fórmula começou a dar sinais de desgaste. Segundo a Serasa Experian, a demanda dos consumidores por crédito no Brasil caiu 11% em abril ante o mesmo mês do ano passado. Se forem considerados apenas os consumidores com rendimentos de até R$ 500 mensais, a queda foi de 28,4% .As sucessivas elevações no custo dos empréstimos (21,1% a.a. em média,contra 18,5% a.a. há um ano), o menor grau de confiança dos consumidores e a aceleração da inflação e das taxas de juros vêm desestimulando consumidores a buscar crédito.Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio, ocorrida na última quarta-feira, a decisão foi pela manutenção da Selic (a taxa básica de juros da economia brasileira) em 11% a.a. Essa mesma taxa era de 7,25% no primeiro trimestre de 2013.

Com isso, modalidades relevantes em termos de volume, como a aquisição de veículos e o cartão de crédito à vista, apresentaram recuo em abril. No caso de veículos, é o terceiro mês consecutivo de queda (2,1% em 12 meses, depois de ter apresentado crescimento de até 50% em 12 meses em 2010). A situação só não está pior por causa do financiamento imobiliário, que continua crescendo a taxas mensais expressivas (apesar de decrescentes). Em 12 meses, a expansão de crédito nesse segmento é de 30,7%.

Receosos, os grandes bancos encolheram suas carteiras de crédito a veículos no primeiro trimestre deste ano e devem voltar a expandi-las apenas em 2015, a despeito de medidas de estímulo anunciadas pelo Governo para impulsionar o volume de empréstimos. Tais medidas incluem a retomada mais rápida do veículo pelo banco em caso de inadimplência, menor entrada na compra e a criação de um fundo garantidor capaz de complementar as garantias oferecidas pelos clientes. Apesar de eficazes no curto prazo, elas não liberam o Governo da necessidade de implementar ajustes importantes à retomada do crescimento de longo prazo.

 

Fernanda Finotti C. Perobelli, Lucas Picardi e Julyara Costa

Conjuntura e Mercados Consultoria Jr.

Faculdade de Economia/UFJF

E-mail: cmcjr.ufjf@gmail.com

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você é a favor de fechamento de pista em trecho da Avenida Rio Branco para ciclovia nos fins de semana?