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20 de Maio de 2014 - 07:00

Por Verônica Lazarini, Fernando Perobelli, Fernanda Finotti C. Perobelli e bolsistas

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Uma questão bastante debatida na economia se refere ao papel do governo. Para alguns economistas, o governo deve atuar como órgão 'regulador'; para outros, caberia também a ele o papel de 'empreendedor' em alguns setores/regiões. Enquanto a arrecadação do governo se dá principalmente por meio de tributos estabelecidos, os gastos são proporcionais às tarefas que o governo toma para si. Em alguns momentos, pode não haver recursos suficientes para investir em todas as frentes sem que haja uma elevação da carga tributária.

Se observarmos os últimos 17 anos e já excluindo os setores onde o governo tem participação tradicional no Brasil (como saúde, educação e energia), a participação da administração pública na renda total só fez crescer. Os mapas revelam os pontos de maior participação do governo (os mais escuros nas figuras) em dois momentos: 1995 e 2011. Em algumas regiões, como Norte e Nordeste, a participação da administração pública na renda total chega a níveis extremos: 65%. A que conclusões podemos chegar a partir desses dados? Em primeiro lugar, fica claro um inchaço histórico do setor público no Brasil; em segundo, esse inchaço é concentrado em regiões onde o dinamismo econômico é menor; em terceiro, as atividades produtivas nas regiões em que o governo é fortemente atuante perderam participação relativa ao longo dos anos. Como agravante, temos que, quando o governo opera em setores tradicionais, o faz com uma estrutura pouco eficiente e de baixa base tecnológica.

Enquanto o governo empreende, fica a pergunta: como anda o setor tradicionalmente produtivo num país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e onde os investimentos em infraestrutura são escassos? Os setores imobiliário e de construção civil ainda crescem, mas já com sinais de oferta supervalorizada e queda na demanda, consequência da inflação crescente. A alta é mais significativa nas cidades que sediarão a Copa do Mundo, um evento pontual. A produtividade do setor agrícola, como sempre, vai bem no país em que, "se plantando, tudo dá". O entrave para o crescimento do setor, entretanto, está na falta de infraestrutura logística para escoar a produção e na inflação que inibe consumidores. No setor de bens de consumo, móveis e linha branca perderam força desde o fim dos incentivos relacionados ao IPI. O pessimismo também está presente nos setores de mineração e siderurgia. O enfraquecimento do mercado interno e os elevados estoques nas montadoras de veículos afetaram a produção do país, provocando a diminuição de investimentos no setor.

Entre todos, entretanto, destaca-se como tendo um ano especialmente ruim o setor automotivo, que já observa uma queda de 12,1% nas vendas e de 21,4% na produção em relação ao ano passado, devido à contração do crédito, à alta nas taxas de juros e à crise cambial na Argentina, tradicional importadora. Seguindo a tendência do setor, a planta da Mercedes-Benz instalada em Juiz de Fora acumula produção nos pátios e passa por uma onda de demissões, férias coletivas, redução da jornada de trabalho e interrupção periódica da sua produção. Benefício mesmo só para aqueles que ainda não compraram seu carro zero e que poderão aproveitar as constantes promoções das concessionárias.

Isso posto, terminamos com uma reflexão: já não seria tempo de abandonar os "voos de galinha" e ter como meta uma economia de mercado forte e ajustada, com condições de suportar momentos ruins e alçar 'voos de águia'?

 

Verônica Lazarini, Fernando Perobelli, Fernanda Finotti C. Perobelli e bolsistas

Conjuntura e Mercados Consultoria Jr.

Faculdade de Economia/UFJF

E-mail: cmcjr.ufjf@gmail.com

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