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04 de Janeiro de 2014 - 07:00

Infraestrutura precária do terminal e atrasos ou transferências dos voos são alguns dos problemas apontados

Por Fabíola Costa

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Neuropedagoga Ita Mourão, que viaja a SP a cada 15 dias, reclama da falta de esteira de bagagem
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Para o administrador Rodolfo Ambrozini Júnior, o que vale é a segurança dos voos
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Com mais de 70 mil embarques e desembarques realizados de janeiro a novembro de 2013, o Aeroporto Francisco Álvares de Assis, o Serrinha, inicia 2014 com alguns desafios: melhorar a infraestrutura oferecida aos usuários, oferecer conexões diretas para outros destinos, além de Belo Horizonte e Campinas (SP), abrir concorrência e evitar os atrasos e as constantes alternâncias de pousos e decolagens para o Aeroporto Presidente Itamar Franco, comuns especialmente nesta época de chuvas.

Nesta sexta-feira (3), o atraso do voo 2527, oferecido pela Azul Linhas Aéreas de Juiz de Fora para Belo Horizonte (Confis), causou indignação em passageiros, que reclamaram da falta de estrutura para comportar a demanda durante a espera. A partida estava prevista para as 10h15. No entanto, até meio-dia, os usuários aguardavam uma definição. "Está um caos. O voo está atrasado, há crianças chorando, e muitos vão perder conexão. Nem local para sentar há", reclamou um passageiro, que preferiu não ser identificado. A Sinart, que administra o aeroporto, confirmou o atraso estimado em duas horas, mas afirmou que não houve registro de confusão no saguão.

A companhia aérea, por meio de nota, atribuiu o atraso a "manutenção não programada" na aeronave que faria o trajeto. A Azul lamentou o ocorrido e acrescentou que "medidas como essa são necessárias para manter a segurança de suas operações". Em relação às constantes transferências de embarque do Serrinha para o Itamar Franco, a empresa alega que devem-se ao fechamento do aeroporto juiz-forano devido a "condições meteorológicas adversas".

O roteirista de TV Carlos Augusto Mello é juiz-forano, mora no Rio de Janeiro e visita a cidade regularmente, em média, a cada 15 dias. Para ele, o aeroporto "precisa de tudo". Carlos Augusto reclama da oferta restrita de voos diretos e da falta de estrutura para receber os passageiros, com a necessidade de sala de embarque adequada para a demanda. A carência de sistema de som, a necessidade de reforma nos banheiros e, ainda, a constante dificuldade para conseguir táxi na porta são outros motivos de queixa. "O Serrinha não é um aeroporto, é uma parada de avião."

A professora Alessandra Viegas veio de São João del-Rei para Juiz de Fora com o objetivo de embarcar para Campinas. Alessandra considerou o aeroporto pequeno e abafado. Reclamou da estrutura dos banheiros e avaliou que poderia ser oferecido mais conforto aos usuários. Já a neuropedagoga Ita Mourão, que viaja a São Paulo a cada 15 dias, reclama da falta de esteira de bagagens, visando a melhorar o atendimento no desembarque. Na sua opinião, para a oferta atual, a estrutura atende a procura. A ampliação dos voos diretos, no entanto, é considerada uma necessidade que exigirá investimentos no terminal. O administrador Rodolfo Ambrozini Júnior mora em Goiânia (GO), esteve na cidade para visitar familiares e não se queixou do aeroporto. Na sua opinião, o que vale é a segurança dos voos. "O importante é pousar e decolar em segurança e isso eu consegui aqui."

O gestor de segurança operacional do Serrinha, Gledson Gaudereto, reconhece que a estrutura do aeroporto, em termos de conforto oferecido aos passageiros, é um "pouco defasada". Ele assegura, no entanto, que o Serrinha está equipado para realizar voos por instrumento e que os problemas de teto devem-se a questões climáticas, uma fragilidade do terminal juiz-forano.

 

 

Serrinha espera por reformas em 2014

Contemplado pelo programa de fortalecimento da aviação regional lançado pelo Governo federal em 2012, o Serrinha começa a receber melhorias este ano. "Tenho boas perspectivas para o aeroporto em 2014", afirmou o secretário de Transportes e Trânsito (Settra), Rodrigo Tortoriello.

A Prefeitura ainda não sabe o valor que será aplicado no aeroporto e nem quais serão as linhas de atuação. O cronograma do Governo federal prevê que, entre março e abril, serão definidas as ações no terminal juiz-forano. A expectativa de Tortoriello é que existam melhorias nas condições de embarque e desembarque, de forma que o Serrinha se torne "mais adequado" ao fluxo de passageiros. Só em 2012, foram mais de cem mil embarques e desembarques. Ano passado, até novembro, foram 70.359, conforme a Settra. O programa também contempla equipamentos, o que possibilitaria a disponibilização de uma esteira para bagagem, por exemplo.

Sobre os problemas de teto relacionados a fatores climáticos, que têm motivado a transferência de pousos e decolagens para o Aeroporto Itamar Franco, Tortoriello considera a localização do Serrinha um dificultador. "O aeroporto está localizado no ponto mais alto da cidade e é uma fragilidade nossa." Segundo ele, essa questão será discutida junto à Secretaria de Aviação Civil. "Se (o problema de teto) depender de equipamento, está fácil de resolver, porque vamos ter verba para isso. Se for infraestrutura, é uma questão mais complexa."

O secretário citou, ainda, a busca pela oferta de voos para novos destinos partindo de Juiz de Fora, especialmente uma conexão direta com São Paulo (capital). Hoje a operação no Serrinha é restrita à Azul, que oferece voos diretos para os aeroportos de Confins, em Belo Horizonte, e Viracopos, em Campinas.

 

A iniciativa

O "Programa de investimentos em logística: aeroportos" foi anunciado em dezembro de 2012, com a previsão de R$ 1,6 bilhão em investimentos em 65 aeroportos localizados na região Sudeste. Conforme a Secretaria de Aviação Civil, a meta é promover a melhoria, o reaparelhamento, a reforma e a expansão da infraestrutura aeroportuária, tanto em instalações físicas quanto em equipamentos. "Os investimentos incluirão, por exemplo, reforma e construção de pistas, melhorias em terminais de passageiros, ampliação de pátios, revitalização de sinalizações e de pavimentos". Os recursos são do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), informou o órgão.

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